Chegou o ano de 1999! Desde o início da minha conversão, participava ativamente dos trabalhos da igreja que me eram possíveis. Foi assim que fiquei sabendo de um trabalho intitulado “Grupo nos Lares”, que era um estudo bíblico nas casas com foco em edificação e evangelização.
Eu queria que acontecesse em minha casa, mas precisava conversar com minha esposa. Naquele momento, isso não era possível, pois não me era permitido falar de Jesus ou da Escritura em minha própria casa. Bom, eu não podia falar, mas podia viver — e segui o conselho do apóstolo Pedro em sua primeira carta, direcionado às mulheres que tinham marido descrente. Ele disse: “Igualmente, vocês, esposas, estejam sujeitas, cada uma a seu próprio marido, para que, se ele ainda não obedece à palavra, seja ganho sem palavra alguma, por meio da conduta de sua esposa” (1 Pedro 3.1).
O papel do marido é amar a mulher como Cristo amou a igreja. Então, compreendi que ceder era uma atitude de amor. Eu não estava abrindo mão do meu papel de ser o cabeça do lar, mas, como Pedro também disse, estava procurando viver a vida comum do lar com discernimento, dando honra à esposa por ser a parte mais frágil, com o propósito de ganhá-la sem palavras ou discussões, mas pelo exemplo, a fim de que ela pudesse se tornar “coerdeira da mesma graça da vida” que eu havia recebido.
O silêncio naquele momento foi essencial, sem que eu abrisse mão da responsabilidade de ser o cabeça do lar. Quando Evelyn nasceu, eu havia dito à minha esposa que ela iria comigo quando completasse um ano de idade — e assim foi. Quando completou um ano, em 29 de agosto de 1999, no domingo seguinte começou a ir comigo para as reuniões da igreja. Agora, éramos eu, Evandro (o mais velho) e Evelyn.
Como eu decidira levar os filhos comigo, minha amada esposa não se levantava aos domingos para ajudar com a preparação das crianças. Eu precisava fazer tudo sozinho naquele momento. É importante dizer que isso não a tornava a pior esposa do mundo. Pelo contrário: ela sempre foi uma boa esposa e mãe. Mas, naquele momento, era a forma que ela encontrou para demonstrar sua insatisfação — e eu simplesmente a respeitava. Deus continuava trabalhando em silêncio, realizando aquilo que eu era incapaz de fazer: convencê-la da verdade.
Quero lembrar, neste momento, de uma situação em que, levando as crianças comigo — Evandro, de 5 anos, e Evelyn, de 1 — de ônibus, morando no bairro dos Pimentas, em Guarulhos, eu descia no centro de Itaquera e depois caminhava com eles até o prédio da igreja. Num dia, o saudoso irmão Abramo Lucarelli me viu andando pela avenida Jacu-Pêssego com os dois, parou seu carro — um Fiat Uno branco, duas portas — e me disse: “Irmão, fique parado aí que vou levar minha família até o prédio e volto para lhe buscar.” E assim fez.
Quem conheceu o irmão Abramo sabe que ele não fez um pedido: deu uma ordem firme e segura, demonstrando o verdadeiro amor cristão. Lembro-me desse momento com emoção, ao perceber que, embora eu não veja a mão de Deus, tenho cada vez mais certeza de que ela me conduz. O irmão Abramo e sua digníssima esposa, Olivia, não estão mais aqui; foram morar com Jesus. Mas, aonde eu for, o evangelho vivido por eles será contado para a glória de Deus.
Não foram palavras de encorajamento, mas atos concretos vividos por esses amados irmãos que me impulsionaram a permanecer em silêncio em casa para ganhar minha esposa para Cristo Jesus, o Senhor de todos nós.











