“Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, mas contra os principados e as potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestiais.” — Efésios 6:12
Eis um ensino que precisamos ressaltar e retomar de tempos em tempos: a nossa guerra não é contra pessoas, mas contra Satanás e o exército dele — as forças espirituais do mal.
Já caí algumas vezes nessa armadilha do diabo: lutar contra as pessoas, utilizar armas e forças humanas, tanto na luta para libertar alguém do reino de Satanás como no trato com pessoas já salvas, mas que precisavam de correção, momentaneamente presas nas garras satânicas.
Gosto do que o próprio Paulo ensina sobre as armas do cristão:
“Porque, embora andemos na carne, não lutamos segundo a carne. Porque as armas da nossa luta não são carnais, mas poderosas em Deus, para destruir fortalezas. Destruímos raciocínios falaciosos e toda arrogância que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levamos cativo todo pensamento à obediência de Cristo.” — 2 Coríntios 10:3-5
As armas do arsenal de Deus são espirituais. É joelho no chão, é dependência de Deus, é fazer conforme Ele ensina nas Escrituras e esperar inteiramente no Senhor e na força do seu poder.
Na Bíblia, o diabo é o homem valente. As Escrituras não subestimam sua capacidade. No entanto, Jesus é o homem mais valente, que veio destruir as suas obras, invadir o seu reino e de lá tirar os cativos.
“Quando o valente, bem-armado, guarda a sua própria casa, todos os seus bens ficam em segurança. Mas, se aparece alguém mais valente do que ele, vence-o, tira-lhe a armadura em que confiava e reparte os seus despojos.” — Lucas 11:21-22
A vitória de Jesus foi acachapante sobre o diabo, isto é, total e arrasadora na cruz do Calvário.
“E, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando sobre eles na cruz.” — Colossenses 2:15
Paulo já tinha ensinado essa verdade nesta carta na qual estamos refletindo:
“Ele exerceu esse poder em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nas regiões celestiais, acima de todo principado, potestade, poder, domínio e de todo nome que se possa mencionar, não só no presente século, mas também no vindouro.” — Efésios 1:20-21
Pedro repete o mesmo ensino:
“Que, depois de ir para o céu, está à direita de Deus, ficando-lhe subordinados anjos, potestades e poderes.” — 1 Pedro 3:22
No entanto, o mais valente, o poderoso, é o Senhor Jesus. Nós, sozinhos, somos frágeis e presas fáceis diante de Satanás e de seus anjos. Logo, precisamos correr para Jesus e depender exclusivamente dele e das armas que o Senhor nos fornece.
Nem os anjos ousam zombar do diabo, mas atribuem a Deus o poder para vencê-lo.
“Contudo, nem mesmo o arcanjo Miguel, quando entrou em conflito com o diabo e discutia a respeito do corpo de Moisés, ousou pronunciar sentença difamatória contra ele. Pelo contrário, disse: ‘O Senhor repreenda você!’” — Judas 1:9
Desta maneira, sabedores de que nossa luta é contra as forças espirituais do mal, utilizemos as armas espirituais fornecidas por Deus. E não miremos os servos do diabo, nem mesmo aqueles que temporariamente estão sob as garras do inimigo, mas miremos o inimigo.
Vejamos a maneira como devemos lutar para tirar alguém das garras de Satanás:
“O servo do Senhor não deve andar metido em brigas, mas deve ser brando para com todos, apto para ensinar, paciente, disciplinando com mansidão os que se opõem a ele, na expectativa de que Deus lhes conceda não só o arrependimento para conhecerem a verdade, mas também o retorno à sensatez, a fim de que se livrem dos laços do diabo, que os prendeu para fazerem o que ele quer.” — 2 Timóteo 2:24-26
Tenho aprendido, nestes anos, que não devo mirar pessoas na luta contra o diabo. Nada de ofender, rotular ou entrar em brigas pessoais. Sim, podemos ser firmes no ensino bíblico, deixar bem clara a vontade de Deus, mas com mansidão, cuidado, respeitando as pessoas. Quando miramos pessoas, atingimos não somente elas, mas outras ligadas a elas que, por não entenderem que a guerra é espiritual, são também atingidas. Já perdi pessoas que poderiam ser ganhas para Deus ao agir de forma humana.
Na igreja de Deus, jamais devemos recorrer aos métodos humanos, mas sempre ao jeito de Deus. Estamos numa guerra espiritual; nossos inimigos não são as pessoas — mesmo as presas nas garras dele —, mas o próprio diabo e seus anjos.
Não é por força humana, nem por violência, mas pelo Espírito Santo, no poder de Deus.
“Ele prosseguiu e me disse: — Esta é a palavra do Senhor a Zorobabel: ‘Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito’, diz o Senhor dos Exércitos.” — Zacarias 4:6
O discípulo de Jesus não tem inimigos humanos — mesmo aqueles que o maltratam e perseguem —, pois ama a todos, inclusive aqueles que erroneamente o consideram inimigo. Mas guerreia na esfera espiritual, com joelho dobrado e Bíblia aberta, buscando a força e a orientação que somente Deus pode dar.
“Pois, onde há inveja e rivalidade, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins. Mas a sabedoria lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, gentil, amigável, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento. Ora, é em paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz.” — Tiago 3:16-18











