A PARÁBOLA DO ADMINISTRADOR DESONESTO, PARTE 1

“Jesus disse também aos seus discípulos: — Certo homem rico tinha um administrador. Um dia, ele recebeu uma denúncia de que esse administrador estava desperdiçando os bens dele. Então, chamando-o, lhe disse: ‘Que é isto que ouço a seu respeito? Preste contas da sua administração, porque você não pode mais ser o meu administrador.’” 

Hoje iniciamos a reflexão a respeito da história contada por Jesus chamada em muitas versões da Bíblia de “A parábola do administrador infiel”. 

Parábolas eram histórias contadas do cotidiano por Jesus e sempre com várias lições, como fizemos com a história do filho perdido. 

Jesus inicia contando a história da seguinte maneira: “Certo homem rico tinha um administrador. Um dia, ele recebeu uma denúncia…”. 

Há um ditado popular que diz que os enganados sempre são os últimos a saber. Acontece com o cônjuge (muitos antes sabem da infidelidade daquele marido ou daquela mulher, mas calam-se), os pais (quantas surpresas, nem sempre boas, recebemos dos filhos na vida) e, no caso da história, do administrador. São pessoas que contam com a confiança da outra, que muitas vezes tem dificuldade de aceitar que está sendo enganada. 

Porém, no entanto, a verdade, uma hora aparece, conforme o próprio Senhor Jesus nos ensina: 

“Não há nada encoberto que não venha a ser revelado, nem oculto que não venha a ser conhecido. Porque tudo o que vocês disseram às escuras será ouvido em plena luz; e o que disseram ao pé do ouvido no interior da casa será proclamado dos telhados.” – Lucas 12:2-3 

E qual a razão disso? Normalmente, quando alguém começa a fazer algo errado, agir desonestamente ou, como o administrador da parábola, desviar parte dos bens do seu patrão para si, tem muito cuidado, é bem discreto, e vai fazendo isso aos poucos. Outro exemplo, um cônjuge adúltero é cauteloso, disfarça bem. 

Porém, a segurança de não ser descoberto e as “delícias” do pecado, vão fazendo com que a guarda seja baixada, os cuidados já não são tantos. No caso do desvio de dinheiro ou bens, que parece ser o caso dessa história, o padrão de vida é elevado, percebe-se que pode ser ganho mais e em menos tempo. A segurança de não ser descoberto faz o malfeitor deixar sua discrição inicial. 

É neste momento que ele pode começar a se dar mal. Ele vai deixando rastros, precisa contar mentiras desconexas, cai em contradição e, principalmente, pessoas pegam situações claras de erro e começam a comentar entre si. É um que diz para o outro: “coitado do administrador, tem um ladrão trabalhando para ele e não percebe” ou “dá dó daquele homem (ou daquela mulher), sendo enganado na cara dura. Todo mundo sabe. Só ele que não”. 

Foi o que aconteceu na história que passamos a contar hoje. Provavelmente muitos cochichos, comentários, até que alguém resolve denunciar, provavelmente de forma anônima. O malfeitor está descoberto. Ou então o próprio enganado pega, um bilhete, em nossos dias um comentário no celular, uma foto ou, pior, em flagrante. Pronto! A casa caiu. 

De vez em quando na igreja de Deus presenciamos escândalos, os chamados escândalos no reino. Aquele irmão ou irmã, dedicados, participantes, às vezes pessoas escolhidas como presbíteros, evangelistas ou diáconos, são pegos fazendo algo errado, escandaloso, na maioria dos casos, pecados sexuais, mas também em atitudes criminosas. Há notícia até mesmo de administradores da coleta no reino de Deus que, como Judas Iscariotes (João 12:4-6), foram seduzidos por Mamon, e estavam roubando o dinheiro da irmandade. 

Creio que casos como estes citados por último é o próprio Deus que está desmascarando o hipócrita para que, quem sabe, pela vergonha que passou, se arrependa e deixe sua vida pecaminosa, pois o Senhor poda e limpa a sua videira, sendo cada um dos discípulos de Jesus, as folhas. 

“Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto ele limpa, para que produza mais fruto ainda.” – João 15:2 

Como última lição, quero reportar-me a um dos textos citados, as palavras do Senhor Jesus: “Não há nada encoberto que não venha a ser revelado, nem oculto que não venha a ser conhecido.” 

Portanto, tenhamos cuidado, vigiemos a nós mesmos como seguidores do Mestre. Podemos enganar a todos, menos a Deus e a nós mesmos. Chega uma hora que o hipócrita deixa o reino de Deus porque nem ele mesmo se aguenta. É, claro, ação do próprio Deus. 

Tem uma frase que repito com frequência: “de vez em quando estou doidinho para pecar, isto é, fazer algo que a palavra de Deus diz para eu não fazer ou, o contrário, estou deixando de fazer algo que Deus quer que eu faça”. E aquela minha atitude me dará um prazer momentâneo, os prazeres transitórios do pecado (Hebreus 11:25). Olho para a direita, parece que ninguém descobrirá, olho para a esquerda, idem. Estou seguro do segredo do meu pecado. Aí olho para o alto e imagino meu Pai celestial com Jesus ao seu lado, observando e vendo qual será minha reação. 

Quantas e quantas vezes decidi fazer o que é certo por esse motivo. Claro que lamento às vezes, em que mesmo ciente do olhar de Deus, prossegui no erro naquele momento. 

“Afaste-se do mal e pratique o bem, busque a paz e empenhe-se por alcançá-la. Porque os olhos do Senhor repousam sobre os justos, e os seus ouvidos estão abertos às suas súplicas, mas o rosto do Senhor está contra aqueles que praticam o mal.” – 1 Pedro 3:11-12 

E a lição de hoje acrescenta algo mais que deve ser motivo para evitarmos o pecado a qualquer custo, especialmente para nós, filhos de Deus. Ele nos ama tanto que fará com que deixemos de tomar os devidos cuidados, que baixemos a guardar e nos deixará nus diante das pessoas que amamos e daqueles que confiam e acreditam em nós. Que vergonha passaremos! 

Poderemos perder o respeito da esposa, dos filhos, da irmandade e, o pior, de nós mesmos. Foi o que levou Davi a não disciplinar os filhos, o autorrespeito que perdeu em razão do pecado cometido por ele. Será difícil depois recuperar a credibilidade, levará tempo, mas é a forma amorosa de Deus, através da nossa vergonha, nos trazer de volta ao seu cuidado amoroso. 

Portanto, vigiemos, todos os nossos passos são seguidos diariamente, primeiro pelos olhos de Deus e depois por aqueles a quem ele quiser utilizar, como o profeta Natan para Davi (2 Samuel 12), para nos trazer de volta aos seus santos caminhos. 

Permitindo Deus, próxima semana, continuaremos a extrair preciosas lições dessa parábola do administrador desonesto.