“E, arrumando-se, foi para o seu pai. Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou e, compadecido dele, correndo, o abraçou e beijou.” (Lucas 15:20)
“Tragam e matem o bezerro gordo. Vamos comer e festejar, porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado.” E começaram a festejar. (Lucas 15:23-24)
Por fim, o filho cai em si, percebe o quanto era abençoado na casa do pai e decide voltar, contentando-se em ser recebido como um dos trabalhadores.
Emociona-me quando leio: “vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou”. Parece que aquele pai mantinha viva a esperança do retorno e, diariamente, olhava a estrada para ver se o filho chegaria naquele dia. Não sabemos quanto tempo se passou, mas essa vigilância parece ter sido uma postura diária do pai, que aguardava a completa recuperação do filho.
E assim foi. Não apenas voltou fisicamente, mas, no íntimo, de coração, recuperou o amor que um dia nutriu pelo pai e a gratidão pela vida que vivera com ele. A salvação daquele filho foi completa e íntegra. É o que Deus espera de todos os seres humanos, criados à Sua imagem e semelhança: que retornem gratos, marcados pelo sofrimento de um mundo sem Deus, desejosos de viver com Ele e convictos de que tudo o que vem d’Ele é bom.
Ainda é comovente quando leio: “compadecido dele, correndo, o abraçou e beijou”. Literalmente, a frase significa “lançou-se sobre o pescoço dele” (Gênesis 33:4; 45:14 e 46:29). Que cena! Um ancião correndo pela estrada para encontrar o filho amado.
No passado, ao ouvir essa passagem, costumava comentar: “Que pai maravilhoso é esse!”. Hoje, na condição de pai, reconheço que aquele homem agiu da mesma forma que a maioria dos pais faria. Quer fazer uma pessoa sofrer? Maltrate o filho dela. Sim, os sofrimentos de nossos filhos doem em nós. Há uma frase antiga, por vezes dita por uma pessoa enamorada à outra: “Cuidado como você trata o meu coração; lembre-se de que você está dentro dele”.
Essa frase se aplica ainda melhor à relação entre pais e filhos. Os filhos tomam decisões erradas, que muitas vezes lhes causam sofrimento. E nós, pais, quando estamos zangados com a rebeldia dos filhos, dizemos: “Se sofrer as consequências, será problema seu, pois não estarei nem aí”. Desculpe, mas é pura conversa. Quando eles sofrem as consequências de atos impensados, sofremos junto, pois a dor deles é nossa.
No entanto, essa minha conclusão não tira o peso do amor daquele pai, quando pensamos na frase que inspirou as três histórias contadas por Jesus: “Este recebe pecadores e come com eles”. O pai da história representa Deus, que está pronto para receber todos os que se voltam a Ele arrependidos.
Nosso amor pelos filhos é, até certo ponto, instintivo, colocado por Deus em nós para que a espécie humana seja preservada. Por isso, temos esse instinto de proteger nossos filhos, sentimento que não temos pelos outros seres humanos. No entanto, Deus tem esse amor e apego por toda a humanidade, por todos os atuais 8 bilhões de humanos neste mundo. Por isso, Ele se alegra quando pregamos o evangelho do Seu Filho:
“O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a julguem demorada. Pelo contrário, ele é paciente com vocês, não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento.” (2 Pedro 3:9)
O pai recebe o filho em festa, lhe devolve sua condição ao providenciar-lhe roupa, anel, calçados e manda matar o animal especial. Algo que deve nos inspirar a receber de volta um irmão em Cristo que tenha abandonado a vida cristã. Deve ser feita essa mesma festa, com muita alegria e celebração.
No artigo da próxima semana, veremos que, em certo sentido, o filho mais velho — que ficou em casa obedecendo ao pai e representa os judeus em contraste com os gentios — também estava perdido.
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