O autor C.S. Lewis, com aquela sagacidade britânica que lhe era peculiar, disse certa vez que existem dois erros iguais e opostos nos quais podemos cair em relação aos demônios: um é não acreditar na existência deles; o outro é acreditar e sentir um interesse excessivo e doentio por eles. Hoje, quero conversar com você sobre o segundo grupo. Muita gente boa, sincera na fé, carrega um medo surdo no peito: “Será que eu, mesmo tentando seguir a Deus, posso ser controlado por uma entidade maligna?”
Vamos direto ao ponto, com a Bíblia aberta e o coração tranquilo. A resposta curta é um retumbante não. Mas o “porquê” é o que vai libertar sua mente.
O Fim da Era dos Andaimes
Para entendermos isso, precisamos olhar para o relógio de Deus na história. O texto de Marcos 16:20 nos dá uma chave de leitura preciosa: “Eles, tendo partido, pregaram por toda parte, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra por meio de sinais, que se seguiam“. Percebe a função dos milagres e expulsões no primeiro século? Eram selos de autenticidade. Eram como os andaimes de uma construção.
Quando os apóstolos pregavam, o Novo Testamento ainda não estava escrito. Como saber se aquela mensagem vinha do Céu? Deus autenticava a mensagem através de prodígios, incluindo a expulsão direta de espíritos malignos. Mas, como o apóstolo Paulo nos ensinou em 1 Coríntios 13:8-10, “havendo profecias, cessarão… mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado“.
A Palavra de Deus já foi confirmada. O “perfeito” — a revelação completa das Escrituras — já chegou. A era apostólica, com seus sinais específicos para fundação da Igreja, cumpriu seu propósito. Os andaimes foram retirados porque o edifício está pronto. Portanto, aquela dinâmica de possessão e expulsão que víamos nos Evangelhos fazia parte de um combate específico na revelação do Messias, algo que não se aplica da mesma forma normativa aos dias de hoje. O inimigo agora atua nas ideias, nas tentações e nas mentiras, mas não tomando o volante da vida de quem já foi resgatado.
Um Templo, Um Dono
Mas há um argumento ainda mais profundo e reconfortante. Pense na natureza da salvação conforme ensinada desde o dia de Pentecostes. Quando alguém ouve o Evangelho, crê, se arrepende e desce às águas do batismo por imersão para a remissão dos pecados, algo sobrenatural acontece: essa pessoa recebe o dom do Espírito Santo (Atos 2:38).
O apóstolo Paulo pergunta aos coríntios, e a pergunta ecoa até nós: “Não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus?” (1 Coríntios 6:19).
Aqui entra a lógica espiritual mais básica: Luz e trevas não ocupam o mesmo espaço. Se o Deus Todo-Poderoso fez morada em você através do Seu Espírito, não há quarto de hóspedes para demônios. Deus não divide aluguel com o inimigo.
Se você analisar o Novo Testamento com lupa, verá algo interessante no esboço que discutimos: não há um único registro de um cristão fiel sendo possuído.
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- O homem gadareno em Marcos 5? Era um gentio, vivendo entre sepulcros, longe da aliança.
- A jovem adivinha em Filipos (Atos 16)? Era uma escrava usada por senhores gananciosos, não uma irmã na fé.
Quando a Bíblia mostra o mal sendo expulso, é sempre de alguém que ainda não tinha o Espírito de Cristo.
Conclusão: A Segurança da Promessa
Agostinho dizia que “Deus não espera que entendamos tudo para crer, mas espera que creiamos para começar a entender“. Creia nisto: sua segurança não está na sua força emocional, mas na promessa de Deus.
Se você entregou sua vida a Cristo, confessou Seu nome e foi sepultado com Ele no batismo, você tem um selo de propriedade. Você pertence a Ele. O Maligno pode latir do lado de fora, pode tentar jogar lixo no seu quintal através de pensamentos ruins ou acusações, mas ele não tem a chave da porta principal. Essa chave está nas mãos Daquele que venceu a morte e que disse: “Ninguém os arrebatará da minha mão“ (João 10:28).
Descanse nessa verdade. A casa está ocupada pelo Rei, e Ele não aceita intrusos.











