Romanos 8:38-39: “Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a ALTURA, nem a PROFUNDIDADE […] poderá nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.”
Há palavras que, para nós, parecem simples, mas que carregavam um mundo de mistério para as pessoas dos tempos bíblicos. Altura e profundidade eram duas delas.
Hoje, a tecnologia nos permite olhar para o espaço, conhecer a imensidão dos céus, medir profundidades oceânicas e compreender dimensões que nossos antepassados jamais poderiam imaginar. Sabemos que a Terra é apenas um pequeno planeta em meio à imensidão do Universo e que os oceanos escondem profundidades que o ser humano só consegue alcançar com equipamentos especiais.
Para o homem antigo, porém, o céu e o abismo eram muito mais misteriosos. Imagine alguém olhando para o horizonte e vendo um navio desaparecer lentamente. Durante muito tempo, ideias equivocadas sobre o formato da Terra alimentaram o imaginário de que, seguindo em linha reta, seria possível chegar a uma extremidade e cair num abismo. A altura e a profundidade representavam aquilo que estava além do alcance, além da compreensão, além do controle humano.
E é justamente aí que as palavras de Paulo ganham uma força extraordinária.
Quando ele afirma que nem a altura nem a profundidade podem nos separar do amor de Deus, está dizendo, em outras palavras: não existe dimensão conhecida ou desconhecida, lugar acessível ou inacessível, distância mensurável ou inimaginável onde o amor de Deus deixe de estar presente para aquele que está em Cristo.
Paulo já havia falado de morte e vida, de anjos e principados, de presente e futuro, de poderes. Agora ele amplia ainda mais a declaração. É como se dissesse:
“Procure um lugar onde Deus não possa alcançar você. Suba o mais alto que conseguir. Desça o mais profundo que imaginar. Vá para onde seus olhos não conseguem enxergar. Você não encontrará um lugar onde o amor de Deus deixe de estar.”
Interessante que o profeta Jonas não tinha total conhecimento essa dimensão, razão de ter fugido do Senhor, imaginando encontrar um local onde a presença do Altíssimo não se fizesse.
O Salmo 139 nos ajuda a compreender isso. Davi pergunta:
“Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face?” E responde: “Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também.”
Altura e profundidade. Céus e abismo. Davi está usando os extremos para afirmar uma verdade: Deus está em todos os lugares. E há algo ainda mais bonito no Salmo. Davi não diz apenas que Deus está lá. Ele afirma: “a tua mão me guiará, e a tua mão direita me susterá.”
Isso muda tudo. Porque não estamos falando simplesmente de um Deus que sabe onde estamos. Estamos falando de um Deus que nos acompanha, nos guia e nos sustenta.
Talvez hoje você esteja vivendo uma “altura”. Tudo parece estar indo bem. As portas estão abertas, os planos estão dando certo, a vida parece estar no lugar. Mas até mesmo nas alturas existe o perigo da solidão, da soberba, do medo de perder aquilo que conquistamos. Deus está lá.
Ou talvez você esteja vivendo uma “profundidade”. Há dias em que descemos a lugares emocionais e espirituais que jamais imaginamos conhecer. Existem momentos em que as circunstâncias parecem nos levar para um abismo. Há problemas que nos fazem perguntar: “Será que Deus ainda está comigo?” Ele também está lá.
O salmista diz: “Se subo aos céus, lá estás.” E diz ainda: “Se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também.”
Isso significa que existem lugares aos quais podemos chegar, mas não existe lugar ao qual Deus não possa chegar. E aqui está a segurança que Paulo deseja gravar em nosso coração.
Talvez não consigamos controlar a altura que a vida nos levará. Talvez também não consigamos impedir algumas profundidades pelas quais teremos de passar. Não sabemos o que este dia trará. Não sabemos quais notícias receberemos, quais desafios enfrentaremos ou quais circunstâncias poderão surgir.
Mas sabemos uma coisa: nenhuma delas será capaz de nos colocar fora do alcance do amor de Deus. Se o dia nos levar para uma grande altura, Deus estará lá. Se alguma circunstância nos fizer descer a uma grande profundidade, Deus estará lá.
É por isso que Paulo começa essa declaração dizendo: “Estou bem certo.” Não é uma esperança vaga. Não é otimismo. Não é a convicção de que tudo dará certo conforme os nossos planos. É a certeza de que, aconteça o que acontecer, nada poderá nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.
Não conhecemos a altura que poderá nos alcançar nem a profundidade pela qual poderemos passar. Deus conhece. E mais do que conhecer, ele estará lá. Por isso, podemos começar mais este dia em paz.
A altura não é alta demais para Deus. A profundidade não é profunda demais para Deus. E nenhuma delas é capaz de separarmos do seu amor.
E por falar em profundidade e altura, há uma que as Escrituras nos incentivam a conhecer de forma cada vez mais clara. Sim, a profundidade e altura do amor de Deus. Paulo ora pelos efésios neste sentido e oremos uns pelos outros.
“E assim, pela fé, que Cristo habite no coração de vocês, estando vocês enraizados e alicerçados em amor. Isto para que, com todos os santos, vocês possam compreender qual é a largura, o comprimento, a ALTURA e a PROFUNDIDADE e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que vocês fiquem cheios de toda a plenitude de Deus.” Efésios 3:17-19
Que a certeza da profundidade e da altura do amor de Deus nos mantenha, neste dia, seguros da profundidade e da altura dos poderes que tentam nos afastar esse amor.











