“Então disse ao homem que cuidava da vinha: ‘Já faz três anos que venho procurar fruto nesta figueira e não encontro nada. Portanto, corte-a! Por que ela ainda está ocupando inutilmente a terra?’” — Lucas 13:7
“Se vier a dar fruto, muito bem. Se não der fruto, o senhor poderá cortá-la.” — Lucas 13:8
No artigo anterior, comecei escrevendo sobre o que o texto quer dizer no seu contexto, isto é, a falta de frutos encontrada nos judeus e que Jesus, durante o seu ministério — os três anos —, foi a última chance que Deus deu para que seu povo produzisse os respectivos frutos.
Apliquei, depois, ao quanto Deus espera que cada pessoa se arrependa dos seus pecados, corra para Ele por meio de Jesus, seja perdoada e salva. E que o tempo de espera é justamente este período entre a ascensão de Jesus aos céus, no ano 33 d.C., e a sua volta, cuja data ninguém sabe, nem mesmo o Filho enquanto esteve na terra (Marcos 13:32).
Hoje quero dar uma aplicação direta a cada cristão que, mesmo salvo, precisa dar frutos; caso contrário, corre o risco de ser cortado da videira, que é o próprio Senhor Jesus, sendo Deus Pai o agricultor. Vejamos os textos:
“Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto ele limpa, para que produza mais fruto ainda.” — João 15:2
Veja o alerta para aqueles que defendem a doutrina “uma vez salvo, sempre salvo”. Somos chamados para a videira Jesus e transformados em ramos. Uma vez ramos, precisamos dar frutos. E que frutos são esses?
Primeiro, um novo sentido para a vida, com novos valores — os valores de Deus —, novas prioridades, aquelas ditadas pelo Senhor em Sua Palavra; afinal, em Jesus nos tornamos novas criaturas a partir do novo nascimento, que ocorre logo que saímos das águas do batismo.
“E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.” — 2 Coríntios 5:17
Se estamos em Jesus e não produzimos frutos dignos de arrependimento, algo está errado. Vejamos alguns exemplos que João Batista mostrou sobre frutos de arrependimento:
“Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem, e quem tiver comida faça o mesmo” (ao povo);
“Não cobrem mais do que o estipulado” (aos publicanos);
“Não pratiquem extorsão, não façam denúncias falsas e contentem-se com o salário que vocês recebem” (aos soldados). — Lucas 3:10-14
Percebemos que é mudança de vida. Na igreja de Jesus deve existir o grupo dos “ex”: ex-assassinos, ex-mentirosos, ex-desonestos, ex-adúlteros, ex-maledicentes… Se continuamos com as mesmas atitudes, precisamos rever se de fato fomos convertidos ao Senhor Jesus.
Dar frutos é também ir produzindo o fruto do Espírito Santo na vida — os nove gomos:
“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio.” — Gálatas 5:22-23
Uma pessoa verdadeiramente espiritual é aquela que mostra esses frutos reproduzidos na sua vida. É ter o caráter santo de Deus cada vez mais presente:
“Por meio delas, ele nos concedeu as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vocês se tornem coparticipantes da natureza divina, tendo escapado da corrupção das paixões que há no mundo.” — 2 Pedro 1:4
Produzir fruto é também reproduzir conforme a espécie que somos. Significa que um cristão, por meio de sua vida, no poder do Espírito Santo, reproduz outro cristão.
“Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.” — Mateus 28:19
Eu pergunto: no tempo em que estamos seguindo a Jesus, para quantas pessoas fomos usados por Deus como instrumento para que se tornassem discípulos de Jesus — ou pelo menos avançassem no seu processo de crescimento? A resposta a essa pergunta nos mostrará se somos produtivos ou não na videira Jesus.
Na parábola contada, foi dado um tempo à figueira. Se não produzisse, seria cortada. Não é por menos que vemos cristãos desistindo e deixando a vida cristã. Chega uma hora em que vivem de forma tão hipócrita que nem eles mesmos se aguentam. Oremos para que mudem e voltem à videira Jesus.
Finalmente, esse pensamento foi o que Paulo disse aos não judeus, para que não ficassem orgulhosos por terem sido enxertados, enquanto os judeus tinham sido excluídos:
“Porque, se Deus não poupou os ramos naturais, também não poupará você.” — Romanos 11:21
Que textos como estes encham o nosso coração do bom temor — o temor bíblico. Se já estamos em Cristo, olhemos que tipo de fruto estamos dando ou se estamos infrutíferos. Não sejamos como o solo infrutífero da parábola do semeador (Marcos 4:18-19). Se estamos infrutíferos, o Senhor, em sua bondade e misericórdia, sempre será paciente e nos dará tempo para mudarmos. Não abusemos desse tempo, mas aproveitemos para corrigir em nós o que está errado.











