Biblicamente falando, sou católico apostólico. Apenas não romano.
“Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular.” – Efésios 2:20
De vez em quando alguém me pergunta: “você é católico?” Se eu tenho liberdade com essa pessoa, respondo: “da maneira que você compreende, não, mas da maneira bíblica, sim”.
Se você acabou de ler e se declara católico, peço que leia até o fim, por favor, com paciência. O mesmo digo a você que porventura se declara evangélico, identidade esta que não costumo me declarar, pois não sou evangélico no sentido que a maioria entende, mas posso me declarar dentro do sentido bíblico.
A palavra “católico” vem do grego katholikós, que é uma junção dos termos kata (junto) e holos (todo). Significa “universal”, “que abrange tudo” e “reúne a todos”.
Neste sentido, a igreja fundada por Jesus é católica, pois biblicamente falando é o reino que seria estabelecido durante o império romano na profecia de Daniel e que encheria toda a terra.
“Mas a pedra que atingiu a estátua se tornou uma grande montanha, que encheu toda a terra.” – Daniel 2:35-b
“Mas, nos dias desses reis, o Deus do céu levantará um reino que jamais será destruído e que não passará a outro povo. Esse reino despedaçará e consumirá todos esses outros reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre.” – Daniel 2:44
Essa profecia foi cumprida em Atos 2 com o estabelecimento da igreja, o reino de Deus, fundada na cidade de Jerusalém em 33 d.C., depois foi para toda a Judéia, Samaria e chegou aos confins da terra, conforme o próprio Senhor Jesus havia predito:
“Mas vocês receberão poder, ao descer sobre vocês o Espírito Santo, e serão minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até os confins da terra.” – Atos 1:8
Neste sentido, bíblico, o cidadão do reino de Deus fundado no dia de Pentecostes pode se declarar católico. Não o faço com frequência em razão da confusão que existiria com o grupo religioso que surgiu a partir do século 3º, fundado como consequência do momento em que o imperador romano Constantino tornou o cristianismo a religião oficial do império.
A igreja da qual faço parte também é apostólica e tomo como base o texto de hoje “edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas”.
Apesar de utilizarmos e aceitarmos todos os 66 livros como inspirados por Deus, entendemos que Jesus veio estabelecer uma nova aliança, conforme Ele declarou na ceia do Senhor.
“Do mesmo modo, depois da ceia, pegou o cálice, dizendo: — Este cálice é a nova aliança no meu sangue derramado por vocês.” – Lucas 22:20
Essa é a razão da igreja fundada no dia de Pentecostes utilizar os 27 livros do Novo Testamento como a base para seu ensino e prática e somente o que esses livros aceitaram do Velho Testamento é ensinado e regra de fé no reino de Deus. Por isso podemos nos chamar de apostólicos.
“E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.” – Atos 2:42
Não apóstolos no sentido religioso hoje, no qual alguns se declaram apóstolos modernos. Isso é herético, pois apostólico refere-se aos 12 apóstolos escolhidos por Jesus, acrescentado posteriormente por Matias e Paulo.
Não é por menos que dos 27 livros do Novo Testamento, 21 deles foram escritos por apóstolos. Os outros 6, não escritos por apóstolos (Marcos, Lucas, Atos, possivelmente Hebreus, Tiago e Judas) estão categorizados no termo profetas do texto lido. E desses, 3 desses livros foram escritos por pessoas bem próximas aos apóstolos como o evangelho de Lucas e Atos, escrito por Lucas, companheiro de Paulo e o evangelho de Marcos, cujo escritor foi bem próximo de Paulo e Pedro.
Finalmente a igreja fundada por Jesus não pode utilizar a expressão “romana”, pois foi fundada na cidade de Jerusalém, conforme profecia feita 700 anos antes.
“Muitos povos virão e dirão: “Venham, subamos ao monte do Senhor e ao templo do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos nas suas veredas.” Porque de Sião sairá a lei, e a palavra do Senhor, de Jerusalém.” – Isaías 2:3
Eis a igreja da qual faço parte, católica, uma vez que universal, presente em todo o mundo, apostólica, pois aceita somente os 27 livros, a maioria escritos por apóstolos (não aceita a tradição como fonte da verdade) e que começou na cidade de Jerusalém. Poderíamos até dizer que somos pentecostais, pois fomos fundados no dia de Pentecostes.
Não utilizo a palavra “evangélico”, apesar de derivar da palavra “evangelho”, a boa nova trazida por Jesus, em razão do termo referir-se ao protestantismo, movimento religioso do século XV, que foi utilizada por Deus para uma volta a Bíblia, mas, infelizmente, desviou-se do seu sentido original. Hoje é um “balaio de crenças”, muitas dela sem respaldo bíblico como a teologia da prosperidade.
A igreja da qual faço parte é aquela predita e fundada por Jesus, que é a sua pedra angular. E não o apóstolo Pedro, como defendido por muitos.
“Também eu lhe digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” – Mateus 16:18
“Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo.” – 1 Coríntios 3:11
“Chegando-se a ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa.” – 1 Pedro 2:4.
Logo, sim, sou católico e apostólico. Apenas não romano, uma vez que a igreja de Jesus foi fundada no ano 33 na cidade de Jerusalém.











