Romanos 8:38-39: “Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá nos separar do AMOR DE DEUS, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.”
Chegamos ao penúltimo artigo da série “Nada Pode nos Separar”.
Durante essas semanas acompanhamos Paulo em sua declaração de confiança. Ele começou dizendo: “Estou bem certo”. Depois, passou a enumerar tudo aquilo que poderia, em nossa imaginação, ameaçar a nossa segurança: morte e vida, anjos e principados, presente e futuro, poderes, altura e profundidade e, finalmente, “qualquer outra criatura”.
Mas perceba uma coisa: Paulo passou boa parte desses dois versículos falando sobre aquilo que não pode nos separar. Agora precisamos olhar para aquilo de que não podemos ser separados: “O amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.”
É como se Paulo dissesse: Você já viu tudo o que não pode romper essa relação? Então olhe agora para o que torna essa relação tão segura: o amor de Deus.
Um Amor que a Escritura tenta descrever. A Bíblia inteira testemunha sobre esse amor. No Antigo Testamento, Deus utiliza uma das imagens humanas mais fortes para explicar a sua fidelidade: “Pode uma mulher esquecer-se tanto do filho que cria, que se não compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas, ainda que esta se esquecesse, eu, todavia, me não esquecerei de ti.”
(Isaías 49:15)
Deus usa o vínculo mais profundo que seus ouvintes poderiam imaginar e diz: ainda que esse amor humano falhasse, o meu não falhará. Séculos depois, Jesus resumiria o coração do evangelho em uma única frase: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito…” (João 3:16)
Observe o verbo: deu. O amor de Deus não ficou apenas no sentimento. Ele se transformou em ação. Paulo dirá algo semelhante em Romanos 5:8: “Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.”
Não foi amor como recompensa por nosso comportamento. Não foi: “Eu os amarei quando vocês melhorarem.” Foi exatamente o contrário: Ele nos amou quando ainda éramos pecadores.
João chega a dizer que nisso consiste o amor: não fomos nós que amamos primeiro; foi Ele que nos amou e enviou o Filho para tratar do nosso pecado (1 João 4:19).
Deus amou. Deus deu. Deus enviou. Cristo veio. Cristo morreu. Deus nos reconciliou. Deus nos justificou. Deus nos adotou. Deus nos deu o Espírito. O amor de Deus é um amor cheio de verbos, isto é, ações práticas.
Mas existe algo que precisamos compreender. O fato de Deus nos amar profundamente não significa que Ele nos transforme em marionetes. Deus nos criou com capacidade de escolher.
Desde o princípio, encontramos na Escritura essa realidade: Deus apresenta ao ser humano caminhos e escolhas, vida e morte, bênção e maldição.
E há algo muito sério nisso: Deus permite que escolhamos o caminho errado e permite também que experimentemos as consequências dessa escolha. Isso não significa ausência de amor.
Às vezes pensamos que, se Deus realmente nos amasse, Ele impediria todas as consequências de nossas decisões. Mas isso seria transformar amor em controle.
Um Deus que nos ama também nos chama à responsabilidade. Paulo demonstra isso de maneira particularmente forte em Romanos. Deus oferece sua graça, mas não transforma o pecado em algo sem consequências. Em Romanos 1, diante da persistente rejeição humana, aparece repetidamente uma expressão assustadora: “Deus os entregou”.
Deus não abandona porque deixou de amar. Ele permite que o ser humano experimente o resultado de suas próprias escolhas.
O amor não é o único atributo de Deus. Isso nos leva a outro ponto importante. Vivemos em uma época em que muitas pessoas definem Deus exclusivamente pelo amor.
“Deus é amor” — e isso é absolutamente bíblico. Mas não podemos transformar essa verdade em: “Deus é somente amor.” Deus é amor, mas também é santo. Deus é misericordioso, mas também é justo. Deus concede graça, mas também julga. Deus perdoa, mas não chama o pecado de justiça.
No livro de Romanos encontramos essa maravilhosa harmonia. O amor não elimina a justiça. Na cruz, Deus não simplesmente ignorou o pecado. Ele tratou do pecado por meio de Cristo. Por isso, essa carta de Paulo fala tanto da graça. A graça é uma das manifestações extraordinárias do amor de Deus.
Mas a justiça também pertence ao caráter de Deus. E isso torna o amor ainda mais maravilhoso. Deus não nos ama porque o pecado não importa. Ele nos ama tanto que providenciou uma solução para o pecado.
O amor de Deus foi derramado em nós, filhos dele. E aqui Romanos 5:5 se conecta maravilhosamente com Romanos 8:38-39. Paulo diz: “Ora, a esperança não nos deixa decepcionados, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi dado.”
O amor que Paulo afirma existir em nosso favor em Romanos 8 não é apenas uma verdade externa. Deus derramou esse amor em nosso coração por meio do Espírito Santo.
Ou seja, o cristão não apenas recebe o amor de Deus. Ele também deve expressar esse amor. O amor que vem de Deus precisa atravessar a nossa vida e alcançar outras pessoas.
Um amor cheio de verbos. Uma das melhores ilustrações disso está na parábola do bom samaritano em Lucas 10. O samaritano viu o homem. Depois, teve compaixão. Depois, aproximou-se. Depois, atou as feridas. Depois, aplicou azeite e vinho. Depois, colocou o homem sobre seu animal. Depois, levou-o à hospedaria. Depois, cuidou dele. Depois, pagou. E ainda disse que, se houvesse mais alguma despesa, ele pagaria quando voltasse.
Jesus poderia ter contado uma história simplesmente dizendo: “Um samaritano amou aquele homem.” Mas Jesus mostrou o amor através de verbos.
Porque amor verdadeiro não é apenas aquilo que sentimos. Amor é aquilo que fazemos porque recebemos e fomos invadidos pelo amor de Deus. Da mesma maneira que Deus agiu por nós passamos a agir por quem precisa de nosso amor.
Por isso, quem experimenta o amor de Deus não pode permanecer indiferente ao sofrimento, à necessidade, à solidão e à perdição do próximo.
Nada Pode nos separar. Agora conseguimos compreender melhor as palavras de Paulo. Ele não está falando de um amor sentimental, frágil ou circunstancial. Não está dizendo que Deus nos ama somente quando tudo está dando certo.
Paulo está escrevendo depois de falar sobre sofrimento, tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo e espada. E, depois de olhar para tudo isso, ele conclui: “Estou bem certo…”
Por quê? Porque existe algo maior que todas essas coisas: “O amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.”
Nem a morte, nem a vida, nem o presente, nem o futuro, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nenhuma criatura…
Nada, absolutamente nada pode nos separar do amor de Deus.
E perceba como Paulo termina: “…o amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.”
O amor de Deus tem um lugar onde se torna plenamente visível: Cristo Jesus., Sim, Jesus Cristo, é o assunto que encerrará nossa série, e o capítulo 8 de Romanos permitindo Deus, no próximo artigo. Até lá.











