Armadura

A Armadura de Deus – parte 7

“Segurando sempre o escudo da fé, com o qual poderão apagar todos os dardos inflamados do Maligno.” — Efésios 6:16

Paulo agora faz uma comparação direta com o escudo romano usado pelos soldados da época — o scutum.

O escudo romano (scutum) tinha características marcantes: era grande e retangular, com curvatura côncava, cobrindo do ombro até o joelho. Era feito de camadas de madeira coladas, revestidas com couro e metal. Seu tamanho permitia que o soldado se escondesse totalmente atrás dele.

Em formação, os soldados podiam unir seus escudos para formar uma barreira coletiva, chamada testudo (formação de “tartaruga”), resistente até mesmo a flechas flamejantes. Já vi muitas vezes essa cena em filmes na TV, nos quais o exército romano aparecia.

Somos os soldados de Deus. Jesus Cristo é o nosso General, que nos equipa com toda a armadura necessária. E o escudo — ou couraça — da fé é essencial. É decidir acreditar sempre nas promessas divinas encontradas na Palavra. A dúvida, por menor que seja, pode abrir flancos na nossa vida espiritual.

O “escudo da fé” representa a confiança em Deus, a crença firme nas Suas promessas e na Sua proteção. É agir como Jesus no deserto: diante da tentação do Maligno, sacar da arma da fé e dizer: “Está escrito…”, citando o que a Palavra de Deus diz sobre aquela situação. Isso exige que se conheça bem a Palavra, não apenas de forma superficial.

Paulo também faz alusão à armadura de Deus em sua carta aos tessalonicenses:

“Nós, porém, que somos do dia, sejamos sóbrios, revestindo-nos da couraça da fé e do amor e tomando como capacete a esperança da salvação.” — 1 Tessalonicenses 5:8

Neste texto, a armadura é chamada de “couraça da fé”. Isso nos lembra o que o apóstolo João diz sobre o fator decisivo da vitória do cristão:

“Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo. E esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé.” — 1 João 5:4

Assim como o escudo romano apagava os dardos incendiários do inimigo, a fé apaga os dardos inflamados do Maligno — mentiras, tentações, acusações e dúvidas lançadas contra o cristão.

O escudo romano era ativo: o soldado precisava erguê-lo e usá-lo. Da mesma forma, a fé também precisa ser ativa e exercida constantemente, especialmente em tempos de ataque espiritual.

O escudo também podia proteger o grupo. Assim, a fé não é só individual, mas também fortalece a comunidade de cristãos quando usada em união.

Aplicação espiritual

O inimigo usa “dardos inflamados” — ataques que visam ferir, queimar e destruir. A fé é a barreira que impede esses ataques de nos atingir no coração.

Fé é crer no que não se vê (Hebreus 11:1), e isso nos protege contra o que parece perigoso ou ameaçador aos olhos naturais. Os olhos naturais nos enganam; os olhos espirituais nos ajudam a ver o invisível. Foi isso que motivou Moisés a permanecer fiel e não temer diante das ameaças de Faraó. O livro de Hebreus declara claramente que foi a fé que moveu o profeta:

“Pela fé, Moisés abandonou o Egito, não ficando amedrontado com a ira do rei, pois permaneceu firme como quem vê aquele que é invisível.” — Hebreus 11:27

Eis mais uma peça essencial para nós, soldados de Cristo: a nossa fé.

No próximo artigo, permitindo Deus, veremos mais uma parte da armadura de Deus nos mostrada pelo apóstolo Paulo.