“Então foi pedir trabalho a um dos cidadãos daquela terra, e este o mandou para os seus campos a fim de cuidar dos porcos. Ali, ele desejava alimentar-se das alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhe dava nada.”* (Lucas 15:15-16)
Hoje, continuemos refletindo sobre o processo de restauração do filho perdido. No texto anterior, vimos que, em razão da fome que se abateu sobre o país onde morava, aquele jovem começou a passar necessidade.
Seria o momento de voltar para casa? Ainda não. O jovem ainda estava no meio do processo; apenas no versículo 17 veremos a frase: “Então, caindo em si…”. Aquele jovem ainda estava deslumbrado e enfeitiçado pela liberdade que pensara adquirir ao sair da casa do pai. O orgulho ainda o impedia de cair em si, pois achava que podia viver sem ele.
É o que acontece no processo da pessoa que abandona o evangelho. Ela não dá o braço a torcer rapidamente; ainda acha que pode viver do seu jeito e que aquilo é apenas passageiro.
O texto não diz se o pai, naquela época, acompanhava o que acontecia com o filho ou se mandara, por exemplo, espiões para ver como ele estava.
Pensando na relação entre pais e filhos, geralmente é nessa hora que os pais terrenos, em sua imperfeição, interrompem o processo de disciplina que Deus está dando aos seus filhos. Basta ver o filho sofrendo: prontos, correm e querem evitar o sofrimento.
Uma pena, pois terão de volta um jovem não arrependido, pronto para aprontar novamente daqui a algum tempo. Lembra a história da borboleta que lutava para sair do casulo, e alguém bem-intencionado o rompe, não permitindo que, através do sofrimento e daquele momento difícil, o processo de metamorfose se completasse.
Em nossa cultura, não conseguimos entender direito o alcance da situação daquele jovem. Mas os ouvintes de Jesus entenderam e devem ter sentido asco ao ouvirem Jesus dizer que o jovem foi cuidar de porcos. Ele ainda desejava comer a comida dos porcos, mas nem isso lhe davam.
É o que acontece com alguém que, após iluminado, deixa o evangelho de Jesus. Os espíritos imundos, que haviam saído de sua vida e o levavam a mentir, a ser impuro, e que o mantinham preso aos vícios, voltam — e voltam com muita força. Mas o orgulho muitas vezes impede a volta do filho perdido à casa do Pai.
Não sabemos quanto tempo demorou, mas, enfim, o processo de restauração do jovem ingrato e rebelde vai de vento em popa. Ele começa a lembrar-se de como era bom viver na casa do seu pai, do cuidado amoroso e de como a disciplina do pai o mantivera longe de encrencas durante toda a sua vida.
Ele cai em si e conclui que viver na casa do pai é tão bom que aceita até mesmo não ser mais chamado de filho, mas de empregado. Esse é o assunto que, permitindo Deus, será abordado no próximo artigo.











