“Então, caindo em si, disse: ‘Quantos trabalhadores de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui estou morrendo de fome! Vou me arrumar, voltar para o meu pai e lhe dizer: “Pai, pequei contra Deus e diante do senhor; já não sou digno de ser chamado de seu filho; trate-me como um dos seus trabalhadores.”’” – Lucas 15:17-19
Nestes últimos dias, temos refletido sobre a história contada por Jesus acerca do filho que se perdeu, a terceira das chamadas três parábolas dos perdidos: a ovelha, a moeda e o filho.
Chegamos a um ponto muito importante da narrativa: o filho, outrora rebelde e ingrato, se arrepende e “cai em si”, reconhecendo o quanto era boa a vida que tivera na casa do pai. Tão boa que ele já não se considera digno dela, mas contenta-se em que o pai o receba e o trate como um dos seus trabalhadores.
O mundo é um professor severo, mas muitas vezes eficaz. Gosto da frase que ilustra bem isso: “Quando seus pais tentarem ensiná-lo, procure aprender, porque a vida não ensina com o mesmo amor.” Aquele jovem experimentou essa dura realidade na própria pele.
Como já disse antes, não sabemos se o pai não pôde ou não quis ir atrás do filho; o fato é que, dessa forma, o processo de restauração dele se completou. Hoje em dia, nós, pais, somos muito rápidos em evitar que o processo se complete, pois nossa tendência é, ao vermos os filhos sofrendo as consequências de seus atos rebeldes, agir logo para que eles não as sofram. Não é o correto, pois, assim, o processo não se conclui e recebemos um filho ainda orgulhoso, cheio de si, que acha que os pais não fazem mais do que sua obrigação.
Pensando além do relacionamento entre pais e filhos, e voltando o olhar para a busca do perdido em um mundo sem Deus, compreendemos que uma verdadeira conversão somente ocorre quando tomamos consciência de que somos pecadores e não merecemos a salvação, sendo ela um ato da graça de Deus. Por isso, antes de sermos salvos, precisamos nos reconhecer como pobres de espírito e chorar por nossos pecados.
“Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.” – Mateus 5:3-4
Esta parábola remete àquela senhora que, em sua humildade, reconheceu que o que viesse de Deus era bênção, mesmo as migalhas que caíam da mesa dos filhos.
“Jesus respondeu: ‘Não é correto pegar o pão dos filhos e jogá-lo aos cachorrinhos.’ A mulher disse: ‘É verdade, Senhor, pois os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos.’” – Mateus 15:26-27
Quem dera tivéssemos sempre a atitude humilde dessa mulher, ao reconhecermos que o que Deus nos dá provém de Sua compaixão e misericórdia. Às vezes, precisamos passar um tempo longe da casa do pai para nos reconhecermos pecadores e voltarmos humildes e transformados. O sábio é não precisarmos chegar a tal ponto, ao fundo do poço, para, então, voltarmos a Deus arrependidos.
Na próxima semana, permitindo Deus, traremos mais uma reflexão sobre o filho, outrora rebelde, mas que agora está pronto para voltar à casa do pai, totalmente arrependido. Vamos em frente.











