A PROBLEMÁTICA DO SOLO ESPINHOSO

“Os outros, os semeados entre os espinhos, são os que ouvem a palavra,  mas as preocupações deste mundo, a fascinação da riqueza e outras ambições aparecem e sufocam a palavra, e ela fica infrutífera.” — Marcos 4:18-19 (NAA)

“Os outros, os semeados entre os espinhos, são os que ouvem a palavra, mas os cuidados do mundo, a fascinação da riqueza e as demais ambições, concorrendo, sufocam a palavra, ficando ela infrutífera.” — Marcos 4:18-19

Gosto da parábola do semeador em razão das verdades espirituais que ela contém. Dos quatro solos, somente um frutifica. Porém, desses quatro, provavelmente três chegam a confessar Jesus como Senhor, ser batizados e fazer parte da igreja. Somente o solo representado pela beira do caminho tem a semente comida pelos pássaros, que representam a ação de Satanás. E, enquanto permanecerem nessa rebeldia, não os encontraremos na reunião dominical.

De todos os solos, em minha opinião, o mais emblemático é o solo espinhoso. O texto diz que a semente germina e dá a entender que até começa a crescer; porém, os espinhos crescem ainda mais, sufocam a planta, ela não chega a morrer, mas fica infrutífera, isto é, estéril.

A palavra-chave para entender esta parábola é encontrada somente na tradução Almeida Revista e Atualizada (não sei a razão — foi suprimida da Nova Almeida Atualizada). A palavra-chave é “concorrendo”, isto é, existe uma disputa na mente e no coração da pessoa representada pelo solo espinhoso.

Jesus diz que as preocupações deste mundo, a fascinação da riqueza e as demais ambições, concorrendo, sufocam a semente e a planta fica estéril, não dá frutos.

Tenho a impressão de que nossas igrejas possuem um número grande de pessoas representadas por esse tipo de solo. Vejamos algumas características.

Após anos de vida cristã, a pessoa ainda não produz os frutos do Espírito Santo em sua vida (Gálatas 5:22-23), e as obras da carne são encontradas abundantemente em sua vida (Gálatas 5:19-21). Parece que acabaram de sair das águas do batismo. Ano após ano, são dominados da mesma maneira pelos mesmos pecados.

Suas prioridades são os valores deste mundo e dão o melhor do seu tempo e energia na busca de bens materiais. Trabalham muito, dão duro no trabalho, e nada ou pouco resta para os valores espirituais. São aqueles que gostam de status financeiro, que não veem problema em ter dois empregos, estão sempre envolvidos com os negócios deste mundo, ao contrário do ensinado pelo apóstolo Paulo (2 Timóteo 2:4).

Eles até dizem que desejam priorizar o Reino, mas vivem em constante divisão; sua cabeça e seus pensamentos estão divididos. Por isso não têm tempo para as reuniões da igreja e as trocam por um passeio num shopping ou por uma praia, uma vez que sentem mais prazer no lazer que o mundo proporciona do que na companhia dos irmãos e da Palavra de Deus.

Para acalmar a consciência, até são frequentes no domingo, mas sua vida cristã resume-se em chegar em cima da hora na reunião da igreja e serem os primeiros a deixar o encontro com os irmãos. Não os procurem após a reunião, pois sairão rapidinho do local onde a igreja se reúne.

Após anos de vida cristã, esses irmãos não participaram no processo de conversão de nenhum dos irmãos convertidos após eles. Pelo contrário, seu exemplo é utilizado pelos novos para justificar seu pouco comprometimento com o Reino de Deus. É incrível como muitos novos na fé espelham-se exatamente naqueles irmãos descomprometidos.

Esses irmãos envolvidos com os cuidados ou preocupações do mundo serão salvos na volta de Jesus? Vou deixar que o próprio Senhor responda:

> “Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto ele limpa, para que produza mais fruto ainda.” — João 15:2

Se a maioria das características mostradas faz parte da sua vida, meu irmão, cuidado com as preocupações deste mundo.

“Não amem o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele.” — 1 João 2:15

“Ora, o mundo passa, bem como os seus desejos; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.” — 1 João 2: