Uma Batalha Espiritual

Paulo disse, na carta aos Efésios, que “a nossa luta não é contra carne e sangue, mas contra as forças espirituais do mal” (Efésios 6.12).

É óbvio que eu não entendia bem isso. O dia 25 de outubro de 1998 foi o dia mais feliz da minha vida, mas no dia 26, após as 18h, quando cheguei do trabalho, tudo mudou.

Uma densa nuvem pairou sobre nós, e o sol deixara de brilhar – pelo menos naquele instante. No entanto, o “Sol da Justiça” continuava presente, embora eu não soubesse como. Mas o que me motivava e encorajava a continuar?

Eu sabia muito bem o lamaçal em que eu vivia e não acreditava que houvesse um Deus capaz de me perdoar.

Então, quando compreendi isso, qualquer esforço que eu fizesse para honrá-Lo seria extremamente pouco, e ainda é, perto do que Ele fizera por mim.

Pare um pouco e pense: de onde você saiu e onde Deus te colocou! Pois está escrito: “Ele nos tirou do império das trevas e nos transportou para o Reino do Filho do Seu amor”.

Jesus e o Seu amor por mim eram e ainda são a minha maior motivação.

O tempo foi passando, e eu respeitei, de fato, a decisão da minha esposa. Não a toquei por tempo; eu não sei precisar quanto ficamos longe dessa maneira.

Mas eu orava por ela todos os dias. Fui até ousado, pois comprei uma Bíblia luxuosa para ela.

Ela nem a abriu naquele momento, mas o importante é que não a jogou fora. Apesar desse conflito, ela respeitava a Palavra de Deus de acordo com o entendimento que tinha do catolicismo.

Aos poucos, aquela nuvem escura foi desaparecendo. A única coisa que eu fazia era demonstrar o meu amor e nada mais, sem exigências.

É importante dizer que, apesar desse conflito, ficou claro que não era um contra o outro, pois nunca houve desrespeito. Houve diferenças de pensamentos em relação a Deus, à religião, mas a nossa batalha era, de fato, espiritual.

Eu encorajava Clarice a buscar a Deus, mesmo na igreja católica. Eu podia discordar, mas não podia desmerecer o que ela acreditava, pois era o que ela acreditava.

Eu a levava, buscava, ficava com as crianças, e tudo estava, aos poucos, voltando à normalidade. E, como disse anteriormente, “a boa mão do meu Deus era comigo”, e eu não precisava ver, pois Deus trabalha em silêncio.

Onde Deus estava quando José foi lançado num poço, vendido pelos irmãos como escravo, depois acusado injustamente e lançado numa prisão? Deus estava trabalhando em silêncio.

Onde estava Deus quando Seu Filho clamou: “Eloí, Eloí, lamá sabactani? Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” Deus estava trabalhando em silêncio!

Poderia citar outros momentos dessa natureza, mas creio que esses são suficientes para nos encorajar a continuar firmes, mesmo quando nuvens densas de escuridão pairam sobre nossas vidas.

Em 1999, o caminho que parecia intransitável para o coração da minha esposa, no dia da minha conversão, começava a se abrir. As pedras da incompreensão começavam a ser removidas. Mas calma, ainda vai demorar um pouco.

O importante nesse momento é não esquecer que, embora não vejamos claramente, Deus continua trabalhando em silêncio.