Às vezes, basta um silêncio no meio da estrada para a gente perceber o quanto o Brasil ainda clama pelo evangelho. Não é só no sertão seco, mas também nas cidades que crescem rápido demais, onde shopping centers se constroem antes de uma igreja ser sequer sonhada. Há vida por toda parte — risos, correria, sonhos —, mas falta a voz que fala de esperança verdadeira. E essa ausência pesa. Mais do que um vazio religioso, é um vazio de encontro: com Deus, com o próximo, consigo mesmo.
Em entrevista com Geraldo Sardinha, missionário em Minas Gerais, tivemos uma verdadeira aula de ir, e não ficar esperando por um sustento, mas o sustento de Deus que virá no tempo certo. Falei com um verdadeiro apaixonado pelo evangelho.
“Meu nome é Geraldo Sardinha, atualmente moro em Ipatinga, no Vale do Aço, Minas Gerais. Sou casado com a Roselene, sou pai de cinco filhos e conheci o evangelho aos 16 anos. Desde lá eu tenho sido mais apaixonado pela obra do Senhor Jesus. Nos últimos anos, desde 2020, a gente vem sonhando em ver a igreja chegar em muitas cidades onde nunca foi feito um trabalho missionário ainda.”
Quem já entrou num ônibus rumo ao interior, levando na mala não só roupas, mas orações e versículos decorados, sabe do que estou falando. A paisagem é linda, sim — montanhas suaves, campos dourados, rios que contam histórias antigas. Mas há um silêncio por trás das janelas das casas, um silêncio que não é de paz, mas de ausência. Ausência de comunidade, de discipulado, de alguém que diga, de coração: “Cristo te viu, te chamou, e está aqui.”
Primeiras viagens e impacto
“Quando a gente chegou nessas cidades onde a gente não tinha nenhum contato e de repente muitas pessoas recebendo a gente tão bem, ouvindo falar do evangelho, pedindo estudos bíblicos, isso foi nos dando uma visão muito ampla de tudo que nós podemos fazer.”
Unidade como base da missão
“Eu sou muito apaixonado pelo Colheita Brasil. Esse tema da unidade é o que tem estado no meu coração nos últimos dias. Eu tenho chamado muitos irmãos para esse tema.”
É aí que entra esta rede de uma união espiritual e amor pela missão o que chamamos Colheita Brasil — e olha, não é só um nome bonito para projeto. É gente de carne e osso, muitas vezes cansada, que escolheu não esperar que outro fizesse. São famílias que deixaram suas zonas de conforto não por heroísmo, mas por amor. Porque viram, como Paulo viu em Atenas, que o coração “se comovia” diante de uma cidade entregue a ídolos modernos: consumo, solidão, medo disfarçado de autoconfiança (Atos 17:16).
O impacto emocional de ver cidades sem igreja
“Eu confesso que eu chorei naquele dia que vi uma cidade sem uma igreja de Cristo. Assumi um compromisso de, do que depender de mim, do dom que Deus me deu, dos recursos que Deus colocar nas minhas mãos, nós vamos lutar para levar a igreja em pelo menos mais uma cidade.” – Disse o irmão Sardinha. Tocante as palavras dele e das quais compartilho totalmente.
E sabe o que mais surpreende? As pessoas ainda querem ouvir. Mesmo num tempo em que tudo é descartável, o evangelho ainda ecoa. Não porque somos bons em falar, mas porque há algo no coração humano que reconhece a verdade quando a ouve.
“Já vi um jovem, de camisa surrada e olhos curiosos, parar uma conversa de esquina só para perguntar: “Então, é isso mesmo? Deus se importa comigo?” Naquele momento, não foi teologia que respondeu — foi olho no olho, voz firme e coração aberto. Foi a coragem de dizer “sim” quando tantos disseram “não é da minha conta.”
Sobre a necessidade de voltar e continuar o trabalho
“Não podemos ficar só nisso, nós temos que chegar lá, temos que voltar lá, para levar a igreja do Senhor.”
A obra missionária, quando é genuína, nunca é sobre metas ou estatísticas. É sobre presença. Sobre aparecer, ficar um tempo, ouvir mais do que falar, e deixar que o Espírito faça o que só Ele sabe fazer. Às vezes, o que parece um “nada” — um café oferecido, uma Bíblia emprestada, um “posso orar por você?” — vira semente que brota anos depois. Como diz Jesus: “O semeador semeia… caiu em boa terra e deu fruto” (Marcos 4:8). Não foi o semeador que fez a semente germinar. Mas ele foi fiel em espalhá-la.
Sobre o curso “Princípios Básicos da Fé Cristã”
“Eu reorganizei as lições. Ele inicialmente tinha 15 lições; hoje reorganizei em 12. Esse curso tem ajudado muitas pessoas a conhecer o evangelho.”
Sardinha relatou que volta, meses depois, àquela cidade onde só deixou conversas e orações. E descobre, pasmo, que alguém lembra do seu nome. Que um versículo citado de passagem se tornou o sustento de alguém nos dias difíceis. Que a Igreja, mesmo pequena, começou a crescer não por estratégias mirabolantes, mas por relacionamentos reais. “A obra não para quando a gente vai embora” – reforça o Sardinha. “Ela vive, respira, se multiplica — porque é do Senhor.”
E não dá pra fazer isso sozinho. Ninguém planta igreja como quem planta um jardim solitário. É preciso comunhão. É preciso irmãos que cobrem com oração, que enviam recursos, que acolhem histórias. A unidade não é só um ideal bonito para enfeitar cultos de domingo. Ela é o oxigênio da missão. Sem ela, o fogo se apaga. Mas quando caminhamos juntos — mesmo que distantes geograficamente — o corpo de Cristo se torna visível de verdade. Como disse o apóstolo Paulo: “Há um só corpo e um só Espírito… um só Senhor, uma só fé” (Efésios 4:4-5). Essa unidade não é opcional; é essencial.
O que transforma cidades não é um evento gigante ou um discurso retumbante. É a teimosia amorosa de cristãos que decidem viver o evangelho onde ninguém mais vai. É a coragem de plantar onde o solo parece duro demais. É a certeza de que, mesmo nas ruas mais barulhentas, há corações sedentos — e Deus continua chamando homens e mulheres comuns para levar água viva.
Por isso, quando falamos de missão no Brasil, não estamos só falando de conversões ou números. Estamos falando de rostos. De histórias. De mãos que se estendem não por obrigação, mas por amor. E de um evangelho que, mesmo em tempos confusos, ainda é “poder de Deus para salvação” (Romanos 1:16). Colheita Brasil são só duas palavras que definem esta paixão por missões, que une irmãos que querem só plantar a genuína semente do evangelho da mesma igreja plantada no coração dos apóstolos e discípulos do primeiro século. Sem nada acrescentar…
Se você sente esse aperto no peito ao olhar para um mapa do seu estado e ver tantos pontos sem igreja, saiba: você não está sozinho. E talvez, só talvez, Deus esteja te chamando para ser parte dessa colheita — não porque você é perfeito, mas porque Ele é fiel. E onde Ele envia, Ele sustenta.
Dia 09 de Novembro começa a campanha de ofertas para plantar mais igrejas de Cristo. Podemos mudar a eternidade para muitas pessoas. Vamos perder esta oportunidade? Aproveite este momento e comecemos juntos a ofertar para o Colheita Brasil. Use a chave PIX: somostodoscolheitabrasil@gmail.com.
Deus abençoe a missão!











