APRENDENDO A ORAR COM JESUS E OS PRIMEIROS CRISTÃOS

INTRODUÇÃO

“Da mesma maneira, também o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza. Porque não sabemos orar como convém, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.” – Romanos 8:26

O texto que abre este artigo mostra uma realidade: a oração é uma aprendizagem, que durará a vida inteira aqui na terra e não conhceremos todas as facetas dele.

Este artigo foi uma mensagem que preguei na igreja nos Pimentas num momento de dor: dia 1º de março meu pai foi atropelado e ficou 15 dias internado na UTI. Durante esse período orei e pedi aos irmãos que orassem por sua recuperação. Cerca de 13:00 horas do dia 16 recebi uma ligação do hospital, pedindo a presença de familiares. Fui até lá junto com minha esposa com o oração na mão, até ouvir do médico: “infelizmente seu pai não resistiu e veio a óbito”.

Parecia que o chão tinha desaparecido dos meus pés. Tanta oração a Deus e o que mais temia aconteceu, que deu origem a um outro artigo neste Portal: “E quando o que mais tememos acontece?”, cuja leitura sugiro.

Como aprender a orar? Como entender o mistério que existisse na oração? Neste artigo, a partir das experiências de Jesus e dos primeiros apóstolos, tiraremos algumas lições.

A ORAÇÃO DE JESUS POR PEDRO – Lucas 22:31-32

Eu, porém, orei por você, para que a sua fé não desfaleça. E você, quando voltar para mim, fortaleça os seus irmãos.” – Lucas 22:32

Estava pensando sobre esta oração. Será que Jesus não podia ter orado para que Pedro não passasse por aquela hora? Será que Jesus não poderia ter orado para que Pedro não caísse?

Poderia, mas Ele orou: “Eu, porém, orei por você, para que a sua fé, não desfaleça. E você, quando voltar para mim, fortaleça seus irmãos”.

Pedro ia cair e parece que, para Jesus, a queda de Pedro, fazia parte do trabalhar de Deus na vida dele.

Desenvolvendo a fé de Pedro

Pedro, o falante, Pedro, o porta-voz dos apóstolos, Pedro, o autoconfiante precisava daquela queda e, por isso, Jesus estava orando para que, quando se afastasse dele, quando as trevas o fizessem cair, ele se lembrasse que Jesus tinha orado por ele e, quando voltasse, fortalecesse a fé do seus irmãos. Estaria pronto para fortalecer a outros.

Chegou o momento da queda de Pedro, horas depois.

“Mas Pedro insistiu: — Homem, não sei do que você está falando. E logo, enquanto Pedro ainda falava, o galo cantou.” – Lucas 22:60

Lucas é o único que registra, talvez tenha ouvido do próprio Pedro:

“Então, o Senhor voltou-se e fixou os olhos em Pedro. E Pedro se levou da palavra do Senhor, como lhe tinha dito: “Hoje, antes que o galo cante, você me negará três vezes”. – Lucas 22:61-62

Talvez, nesse momento, contando para Lucas, os olhos de Pedro tenha brilhado, a voz embargado, uma lágrima tenha brotado e Pedro tenha dito a Lucas: 

“Mas, eu lembrei, que horas antes, ele disse que tinha orado para que aquela queda não fosse o capítulo final da minha vida andando com Ele e hoje estou aqui pronto para fazer aquilo que não tive coragem naquela noite, DAR A MINHA VIDA PELO MEU SENHOR.”

JESUS ORA POR SEUS APÓSTOLOS

Horas antes, Jesus já orara por todos os seus seguidores, e olha o conteúdo da sua oração.

“Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do mal” – João 17:19

Sim, no mundo passariam por aflições, perseguições, dificuldades, problemas, Jesus sabia disso, por isso, sua oração é que, ante tudo, o mal não tivesse poder de derrubá-los.

Oração do pai nosso: “Não nos deixes cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém” (Mateus 6:13) – Tentação faz parte, problemas fazem parte, mas Deus está mais interessado na nossa firmeza espiritual no meio de tudo isso.

JESUS NOS DEU EXEMPLO PRIMEIRO

Jesus é nosso Mestre, nosso Senhor e nosso modelo em tudo. Ele jamais pediu de nós algo que, Ele mesmo, não tenha feito.

Quais seriam as suas orações se soubesse que dali a alguns dias você seria preso, torturado, humilhado e crucificado pela pior morte possível?

Séculos antes, um antepassado de Jesus, Ezequias, ao saber que iria morrer, chorou desesperado e Deus lhe deu mais 15 anos – mal aproveitados por sinal, pois morreu de uma forma menos gloriosa que teria morrido antes daqueles 15 anos (2 Reis 20).

Olhe comigo nosso exemplo Jesus:

“Agora a minha alma está angustiada, e o que direi? “Pai, salva-me desta hora”? Não, pois foi precisamente com este propósito que eu vim para esta hora. Pai, glorifica o teu nome. Então veio uma voz do céu: — Eu já o glorifiquei e ainda o glorificarei.” – João 12:27-28

“Agora a minha alma está angustiada”. Salva-me desta hora? Não, é minha missão passar por essa hora. “Pai, glorifica o teu nome!” Isto é, que através desta hora teu nome seu glorificado.

Jesus, por dois momentos, até pensou em ser livre da morte (aqui e no Getsêmani), porém, ele disse: “Faça-se a tua vontade e não a minha”. (Marcos 14:33-35)

Jesus queria passar pela morte que teve: inocente, humilde, mas com dignidade, Jesus enfrentou a morte na cruz, confiando em Deus e o Pai foi glorificado pela sua maneira de viver, pela sua maneira de morrer e hoje nós temos tanto orgulho “santo” de dizer que Jesus é o Nosso Senhor.

OS SEGUIDORES DE JESUS APRENDERAM COM O MESTRE

Já no período apostólico, os apóstolos são presos, depois soltos e olhemos o teror da oração da igreja.

“Agora, Senhor, olha para as ameaças deles e concede aos teus servos que anunciem a tua palavra com toda a ousadia, enquanto estendes a tua mão para fazer curas, sinais e prodígios por meio do nome do teu santo Servo Jesus.” – Atos 4:29-30

Sim, Herodes e Pôncio Pilatos eram os algozes da igreja, mas não eram o maior problema – o maior problema seria a igreja deixar-se amendrontar por eles.

Eles não pediram: “mate Herodes e Pôncio Pilatos ou nos livra dessa perseguição.”

Olha que bela oração: “Concede aos teus servos que anunciem a tua palavra com toda a ousadia”. É quase a repetição da oração de Jesus: “glorifica o teu nome”

Que a cidade de Jerusalém seja tomada, em cada canto, pela pregação ousada de teus servos como de fato foi. (Atos 5:27-29)

PAULO TAMBÉM APRENDEU A ORAR DESSA FORMA

Preso lá em Roma, com falsos irmãos pregando com más intenções, olhemos a oração de Paulo.

“Minha ardente expectativa e esperança é que em nada serei envergonhado, mas que, com toda a ousadia, como sempre, também agora, Cristo será engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte. Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro.” – Filipenses 1:20-21

O que importa? Ele está preso, não tem como principal alvo ser livre, mas, vivendo ou morrendo, glorificar o nome de Jesus.

“Minha ardente expectativa, não envergonharei o nome do Senhor, e Ele será exaltado, quer pela vida, quer pela morte”. Que bela oração! Que diferente de nossas orações hoje, quando passamos por provações.

Cartas aos efésios, colossenses, Filipenses e Filemon – Paulo não pede por livramento da prisão, apesar de ter isso como objetivo, mas pede que, na prisão, ele seja utilizada para falar de Jesus e que, principalmente, sua fé não desfaleca e ele não venha a envergonhar o nome de Jesus.

Os heróis da fé, foram heróis não somente por terem sido libertos, mas especialmente por permanecerem firmes na fé nos momentos de dificuldade.

Hebreus 11:32-38 – A fé se concretizou, tanto no livramento como na morte pela causa de Deus.

APLICAÇÃO

Pensemos nas orações da igreja hoje, quase sempre por livramento: me livra da doença, do desemprego, da morte, da covid, entre outros. Podemos pedir, mas por que não pedir:

Internado, me utiliza no hospital para mostrar minha fé aos enfermos…

Num casamento difícil, me ajuda a desenvolver minha paciência com meu cônjuge…

Diante da morte, me ajuda a continuar glorificando ao Senhor enquanto viver não murmurando tanto. E se tiver que ir, que teu nome seja glorificado.

Sim, podemos ter nossos testemunhos de livramentos, mas também…

Naquele desemprego, vi Deus me ajudando a confiar mais nele…

Naquele acidente, vi Deus desenvolvendo minha paciência…

Vamos orar uns pelos outros por pedidos normais, mas também, para que permanecemos em pé apesar daquele sofrimento, daquela provação, mesmo daquela tentação – peçamos e oremos uns pelos outros também nesse sentido.

A ORAÇÃO DE RANDAL

Encontrada no portal irmãos.org, inspirou a conclusão da minha pregação.

Não oro para que Deus remova todos os seus problemas, mas para que você encontre neles motivo de crescimento e de ação de graças por sua bondade.

Não oro para que você tenha uma vida fácil, mas para que lhe seja dada força para cada passo e aprenda a depender do Todo-Poderoso.

Não oro para que você seja poupado das dores deste mundo, mas para que encontre consolação nos braços do Pai Celestial.

Não oro para que você encontre riquezas em seu trabalho, mas para que dependa do grande Provedor que nos dá nosso pão de cada dia.

Não oro para que seus relacionamentos sejam livres de conflitos, mas para que você seja humilde o suficiente para pedir perdão, valorize os outros como criaturas amadas de Deus e ouça as opiniões dos outros.

Não oro para que você experimente grandes emoções nesta vida, mas para que Deus faça com que você seja altruísta, atencioso, proposital, e tenha o coração de um servo.

Não oro para que você estabeleça grandes objetivos que permitam o sucesso, mas que tenha como único objetivo da vida buscar o Senhor com todo seu coração, alma, força e mente.

CONCLUSÃO

Deus deseja desenvolver em cada um de nós a mesma atitude de Jesus, especialmente ante os problemas da vida. O primeiros discípulos aprenderam com o Meste. Que ante a angústia, diante de Deus, tenhamos a mesma oração de Jesus.

“Angustiada esta a minha a alma. Que direi? Livra-me desse sofrimento?

Não! Meu Pai, que através dessa situação, O TEU NOME SEJA GLORIFICADO!”.