CANSADO DE FAZER O QUE É CERTO? CUIDADO!

“Quanto a mim, porém, quase me resvalaram os pés; pouco faltou para que se desviassem os meus passos. Pois eu invejava os arrogantes, ao ver a prosperidade dos maus.” – Salmos 73:2-3

“Com certeza foi inútil conservar puro o meu coração e lavar as minhas mãos na inocência.” – Salmos 73:13

“Até que entrei no santuário de Deus e descobri qual seria o fim deles.” – Salmos 73:17

“Quando o meu coração estava cheio de amargura e o meu íntimo se comoveu, eu estava embrutecido e sem entendimento; era como um animal diante de ti.” – Salmos 73:21-22

Cito com frequência o salmo de hoje em meus estudos e pregações, pois ele contém uma lição importantíssima: como lidar com nossas emoções quando fazemos o certo, o correto e parece que não há nenhuma recompensa. Enquanto isso, olhamos ao redor o descrente, especialmente aquele que pratica o mal e parece somente prosperar. Como lidar com isso?

O salmista fala de sentimentos humanos como inveja e amargura, isto é, ressentimentos. Quem de nós nunca teve esse sentimento? A questão importante é o que fazer com eles, quando tentam nos dominar.

Asafe estava num ponto perigoso em sua fé, a ponto de cair. Ele mesmo assume: “quase me resvalaram os pés; pouco faltou para que eu desviasse os meus passos”. Que coisa terrível estava para acontecer com o salmista que estava entendendo ser inútil manter-se afastado do mal.

Porém, vejamos que momento ímpar: “até que entrei no santuário de Deus”. Aqui provavelmente está falando de uma reunião do povo de Deus no tabernáculo ou no tempo. Quantas boas aplicações podemos tirar dessa frase.

Entrar no santuário de Deus hoje pode significar “até que abri a Palavra de Deus e tive meus olhos abertos, passando a enxergar, eu, que tinha sido cegado por Satanás, o deus deste século” (2 Coríntios 4:3-4). Quantas e quantas vezes já passei por momentos de sentimentos ruins como o salmista e depois de um tempo lendo, meditando e refletindo na Palavra de Deus, sai dali uma nova pessoa com novos sentimentos, com o coração cheio de alegria.

Também pode ser sair da presença especial de Deus depois de um período de oração. Quase todos os dias saio para caminhar e nessas caminhadas fico um longo tempo conversando, louvando, agradecendo, mas também reclamando, falando dos meus maus sentimentos, às vezes até chorando. E quando volto, estou com o coração leve, cheio de alegria e gratidão.

Como última aplicação, também pode ser “até que saí da presença especial de Deus após um encontro com os irmãos na fé em uma das reuniões da igreja, especialmente o culto dominical”. É raro. Mas tem dias (ou mesmo no domingo) que estou com preguiça ou desanimado para estar com meus irmãos. O irmão ainda não crescido na fé diz: “Não vou, pois é hipocrisia fazer algo sem vontade”. A pessoa madura age como Paulo “esmurra o seu corpo, isto é, suas vontades, e a reduz à escravidão de Cristo” (1 Coríntios 9:27). 

Assim, cambaleando, sem vontade, vou à reunião com meus irmãos na fé. Após aquele tempo com os irmãos saio de lá com a fé renovada: é uma mensagem vinda de Jesus trazida por um irmão, é um cântico que tocou-me, é uma palavra dita por um irmão que motivou-me. O importante, saio de lá renovado, com um novo sentimento.

Finalizando esta já longa reflexão, depois de um tempo com Deus o salmista consegue enxergar o fim do ímpio, daquele que não leva Deus a sério. Só parece que o malvado prospera, que não haverá justiça para o justo de Deus, que ele será tratado como o mau que hoje parece prosperar. No momento certo Deus, o Vingador dos injustiçados, o defensor dos fracos e oprimidos, o pai de órfãos e juiz de viúvas (Salmo 68:5) se levantará e colocará tudo em seu devido lugar. Hoje só parece. Esperemos o fim de tudo.

Que estas meditações de Asafe o ajudem a lidar melhor consigo mesmo, seus sentimentos, nesta nova semana que que se inicia. Que jamais nos cansemos de fazer o bem, fazer o certo, mesmo quando parece que a maioria das pessoas ao nosso redor não o faz. E até parece que estão em melhor situação que nós. Só parece.

“E não nos cansemos de fazer o bem, porque no tempo certo faremos a colheita, se não desanimarmos.” – Gálatas 6:9