Você já voltou de um congresso se sentindo mais vazio do que quando chegou? A cena é conhecida. Você anota frases do palestrante. Tira foto do slide. Sorri no intervalo. Mas, no fundo, algo não se encaixa. Não faltou conteúdo. Faltou alguém olhar no seu olho e dizer: “Eu também já passei por isso. E quase desisti.“
Foi exatamente esse vazio que o Elicamp 2026 decidiu enfrentar. Em Alagoas, quase 150 líderes — do Paraná à Bahia, do Mato Grosso do Sul a Sergipe — se reuniram não para ouvir mais palestras, mas para conversar de verdade.
“Porque, assim como em um corpo temos muitas partes, assim também em Cristo nós, que somos muitos, formamos um só corpo, e cada membro está ligado a todos os outros” (Romanos 12:4-5).
Corpo. Membros ligados. A imagem não é de plateia. É de pele encostando em pele.
O que o Elicamp faz diferente (e por que isso muda tudo)
A maioria dos congressos cristãos opera numa lógica vertical: um fala, muitos ouvem. O Elicamp inverte isso. O segredo está nos grupos de 20 a 25 pessoas. Sem palco. Sem microfone. Só cadeiras em círculo e Bíblia aberta. Allen Dutton, de Valinhos, que já participou de outros Elicamps, resume o diferencial com uma sinceridade cortante:
“É um tempo onde os obreiros podem colocar suas dúvidas, suas preocupações, ouvir experiências uns dos outros. Isso eu não tenho visto em outros lugares.”
Gustavo, de Londrina, foi ainda mais fundo:
“Tem momentos que a gente escuta e mexe um pouco o nosso ego. Mas isso gera crescimento, não só para nós, mas para a congregação.”
Aqui entra a primeira virada de chave: crescimento ministerial dói. Se o evento só te aplaude, ele não está te edificando — está te entretendo.
“O temor do Senhor é o princípio do saber, mas os insensatos desprezam a sabedoria e a disciplina”* (Provérbios 1:7).
Disciplina. Correção. Ego ferido que se curva. É assim que líderes amadurecem.
Três palavras que explicam o Elicamp
Allen Dutton propôs uma definição curta e cirúrgica para o encontro: comunhão, ajuda, participação.
Cada uma carrega um peso específico:
– Comunhão não é cafézinho no intervalo. É partilhar a dúvida que você não contaria nem para sua esposa.
– Ajuda é o irmão mais velho dizendo: “Já passei por isso. Senta aqui que eu te mostro o caminho.”
– Participação é o antídoto contra a passividade. Ninguém é plateia no Elicamp. Todo mundo fala, ora, chora, sugere.
Denismar, de Campo Grande, estreante no evento, confessou:
“Tem realmente mexido com aquilo que eu já estava acostumado. Descobrindo que falta muito melhorar no meu ministério, na minha vida.”
Humildade pública de um líder experiente. Isso só acontece num ambiente onde segurança emocional e verdade andam juntas.
“Melhor é a repreensão franca do que o amor encoberto. Quem dá atenção à correção está no caminho da vida”* (Provérbios 10:17).
O tema que atravessou o encontro: Deus Todo-Poderoso
Em 2026, o Elicamp escolheu falar sobre o Senhor Deus Todo-Poderoso. Pode parecer óbvio. Não é.
Numa época em que líderes vivem ansiosos pelo controle — da congregação, das finanças, da família, do futuro — olhar para a soberania de Deus é um ato de resistência. Allen colocou em palavras simples: “A gente vê tanta coisa na natureza, no corpo humano, que acha normal. Mas não é. A gente vê o poder de Deus em tudo.“
Leonardo e Elivando, da congregação Vida Nova na Bahia, trouxeram outra camada:
“Ficar dias com irmãos aprendendo é muito mais edificante. Você aprende muito mais do que algumas horinhas.”
A imersão faz diferença. Transformação não acontece em pílulas rápidas. Acontece em dias de convivência, estudo do Apocalipse, conversas até tarde.
“Por isso somos sepultados com ele na morte por meio do batismo, a fim de que também nós vivamos uma vida nova” (Romanos 6:4).
Vida nova. Não reforma. Não ajuste. Vida nova — o tipo de mudança que só acontece quando você para tempo suficiente para ser confrontado.
O que já está acontecendo quando líderes são cuidados
Robson, do Capelão em Lauro de Freitas, resumiu de um jeito que merece ser guardado:
“É uma fonte de energia renovadora. Dá muita motivação para quem está começando a perceber que precisamos uns dos outros.”
E os frutos não demoram a aparecer. Rui Silva, de Itinga, contou que em 2003 existia uma congregação em Lauro de Freitas. Hoje são cinco — Itinga, Vida Nova, Centro, Capelão, Portão. A meta é plantar uma por ano. Além disso, apoiam obras em Camaçari, Teofilândia e Feira de Santana. Tudo tem sido feito em parceria com o Colheita Brasil.
Líder cuidado vira líder que cuida. E congregações bem pastoreadas se multiplicam.
“Portanto, ide e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mateus 28:19).
A Grande Comissão não se cumpre com líderes exaustos. Se cumpre com líderes renovados.
Próxima parada: Bahia, 2027
O Elicamp não fica parado. Em 2025 foi Aracaju. Em 2026, Alagoas. Em 2027, a Bahia.
Allen Dutton já antecipou a expectativa:
“Vai ser ainda maior. Rever esses irmãos, conhecer novos, estar junto de novo falando do dia a dia dos evangelistas, das dificuldades, das vitórias.”
Robson completou com uma frase que resume o espírito do encontro: “Permanecer firmes, porque a Seara é grande.“
E é aqui que a pergunta deixa de ser sobre o evento e passa a ser sobre você.
Uma pergunta para levar para casa
Você pode continuar frequentando eventos onde ninguém pergunta como você realmente está. Ou pode começar a buscar lugares onde líderes sentam no chão, abrem o coração e dizem: “Estou com dificuldade. Posso contar com vocês?”
O Elicamp não é mágico. Não resolve tudo em um final de semana. Mas oferece algo raro nos dias de hoje: um espaço seguro para líderes voltarem a ser gente antes de voltarem a ser pregadores.
“Levem os fardos pesados uns dos outros e, assim, cumpram a lei de Cristo” (Gálatas 6:2).
O fardo existe. A boa notícia é que você não precisa carregá-lo sozinho.
Líder cansado não multiplica. Líder cuidado, sim.
Um destaque para os organizadores de Recife e Maceió. Em Maceió os irmãos Fernando e Victor Luiz já se destacam servindo a Deus na congregação local e também conduziram muito bem a escolha do local e o acontecimento do evento.
Se quiser saber mais sobre o ELICAMP já publicamos um artigo no ano passado. LEIA AQUI.
João Cruz e Rui Silva produziram esta notícia no evento para o Comunhão News.











