Programa Comunhão: Nove Anos no Ar

Há uma beleza intrínseca na passagem do tempo quando este é medido não apenas pelo tique-taque do relógio, mas pela fidelidade do serviço. Ao olharmos para o calendário de 2026, celebramos um marco que transcende a mera existência de um programa de internet: o nono ano do Programa Comunhão. Como nos recorda o salmista, “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua benignidade e da tua verdade” (Salmos 115:1).

Desde aquele distante 6 de julho de 2017, o que começou como uma iniciativa modesta — a “Transmissão da igreja de Cristo” — floresceu em um ministério robusto e essencial. Nove anos são um testemunho de constância. Numa era líquida, onde iniciativas nascem e morrem com a rapidez da neblina matinal, permanecer firme, “inabalável e sempre abundante na obra do Senhor” (1 Coríntios 15:58), é um milagre da graça sustentadora de Deus.

João e Edinho Cruz, juntamente com servos dedicados como Vicente Barbosa e Sérgio Almeida, não apenas mantiveram as luzes acesas; eles mantiveram a chama do Evangelho ardendo. O slogan cunhado por Márcia Cruz, “a uma tela de distância”, deixou de ser apenas uma frase de efeito para se tornar uma profecia cumprida de alcance e integração.

O Areópago Digital e a Unidade do Espírito

Vivemos tempos que o apóstolo Paulo talvez comparasse ao Areópago de Atenas (Atos 17), onde todas as novidades eram discutidas. No entanto, diferentemente dos atenienses que buscavam apenas o novo, o Programa Comunhão buscou o Eterno. O objetivo nunca foi o entretenimento vazio, mas a edificação sólida, fundamentada na “doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações” (Atos 2:42).

A teologia que nos move é a da restauração do cristianismo primitivo: simples, puro e poderoso. Ao longo de mais de 400 quintas-feiras (uma estimativa conservadora para este nono ano), o programa serviu como um elo, unindo irmãos de norte a sul. Como disse Alexander Campbell, um dos pioneiros da restauração: A igreja de Jesus Cristo na terra é, essencialmente, intencionalmente e constitucionalmente uma só. O Programa Comunhão encarnou essa verdade, derrubando barreiras geográficas para que a igreja pudesse se enxergar, se ouvir e se amar.

Por meio das entrevistas com figuras como Howard Norton, Helgir Girodo e tantos outros, o programa não apenas registrou a história; ele fez história. Cada testemunho compartilhado foi como uma pedra viva sendo ajustada no edifício espiritual que é a Casa de Deus.

A Voz que Clama no Deserto Virtual

É imperativo lembrar, especialmente ao falarmos com aqueles que buscam compreender a fé, que o Cristianismo não é um clube social, mas um chamado à transformação radical. O Programa Comunhão tem sido um farol a iluminar o caminho antigo (Jeremias 6:16).

Em um mundo confuso, a mensagem proclamada aqui permaneceu inalterada e ortodoxa: o homem, separado de Deus pelo pecado, necessita desesperadamente da graça. Mas essa graça não é barata; ela exige resposta. Como temos ensinado e aprendido nestes nove anos, a fé salvadora não é um sentimento passivo. Ela nos move ao arrependimento genuíno, à confissão de que Jesus é o Senhor e, inegociavelmente, às águas do batismo.

Não nos cansamos de reiterar o padrão bíblico de Atos 2:38: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo”. O batismo por imersão não é um mero rito de admissão, mas o encontro com a morte e ressurreição de Cristo, o momento cirúrgico onde o pecado é removido e a nova vida começa. O Programa Comunhão tem sido, portanto, uma voz profética a lembrar que a obediência ao Evangelho é o único caminho para a verdadeira liberdade.

Frutos de um Trabalho Coletivo

Nove é o número que simboliza a frutificação do Espírito (Gálatas 5:22-23). E quantos frutos vimos nesta caminhada! O Ministério Resgate, através da Editora Resgate, tem provido o “pão” literário que alimenta o intelecto e o espírito, enquanto o programa provê o “vinho” da comunhão que alegra o coração.

A memória nos leva de volta aos dias sombrios da pandemia, quando o medo batia à porta de todos. Ali, o Programa Comunhão se agigantou. Ao transmitir cultos e congressos como o Enoc, quando os templos físicos estavam fechados, provou-se que a Igreja não é feita de tijolos, mas de pedras vivas. O programa foi como um bom contágio, espalhando esperança onde havia desespero.

Hoje, ao celebrarmos este nono aniversário, celebramos também a generosidade de irmãos anônimos e conhecidos que, ao adquirirem livros ou ofertarem recursos, entenderam que investir na identidade da igreja brasileira é investir no Reino dos Céus.

Conclusão: Olhando para o Décimo Ano e Além

O Programa Comunhão existe para apontar esse lugar de repouso.

Ao completarmos nove anos no ar, não olhamos para trás com saudosismo paralisante, mas com gratidão impulsionadora. A corrida ainda não acabou. A tela que nos separa é também a janela que nos une, e através dela continuaremos a proclamar as boas novas até que Ele venha.

Que este marco de 2026 seja apenas um degrau para alturas maiores. Que continuemos a ser instrumentos de paz, verdade e restauração, lembrando sempre que, embora a tecnologia mude, a Palavra de Deus permanece para sempre.

Parabéns, Programa Comunhão. Parabéns, igreja de Cristo. A Deus, toda a glória.