“— O filho mais velho se indignou e não queria entrar. Saindo, porém, o pai, procurava convencê-lo a entrar. Mas ele respondeu ao seu pai: ‘Faz tantos anos que sirvo o senhor e nunca transgredi um mandamento seu. Mas o senhor nunca me deu um cabrito sequer para fazer uma festa com os meus amigos.’” (Lucas 15:28-29)
Esta parábola é mais conhecida como a do “filho pródigo”, pelo fato de o filho ter gasto todos os bens do pai. Alguns a chamam de “filho perdido”, mas talvez a melhor descrição seria a dos “filhos perdidos”, cada um a seu modo.
Claro que, em parte, entendo o sentimento do filho mais velho: após anos e anos servindo ao pai, o filho ingrato e rebelde volta e é recebido com festa. O sentimento dele é bem humano, e evito julgar, pois, talvez, no lugar dele, eu teria a mesma reação ou, no mínimo, o mesmo sentimento.
No entanto, aquele filho também estava perdido, mesmo não tendo se ausentado da casa do pai. Suas palavras demonstram muito ressentimento contra o pai: “Tantos anos servindo… nunca transgredi um mandamento… sequer um cabrito o senhor me deu…”.
A atitude desse filho representa a dos fariseus e escribas no começo deste capítulo, quando dizem: “Este recebe pecadores e come com eles.”
Os judeus, em especial os líderes religiosos, se perderam ao deixar de perceber que a relação com Deus e Seus mandamentos deve ser baseada no amor e no quanto esses mandamentos seriam para o seu próprio bem:
“Agora, pois, se ouvirem atentamente a minha voz e guardarem a minha aliança, vocês serão a minha propriedade peculiar dentre todos os povos. Porque toda a terra é minha, e vocês serão para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa.” (Êxodo 19:5-6)
Por isso, o pai tenta mostrar ao filho que este não entendeu o tipo de relação que tinha com ele: “Meu filho, você está sempre comigo; tudo o que eu tenho é seu.”
Seguir os mandamentos de Deus tendo como motivação o mandamento em si, o medo de Deus ou o orgulho por conseguir cumpri-los torna a pessoa orgulhosa, cheia de si, julgadora e achando-se superior às demais.
Foi o que aconteceu com os fariseus e escribas, representados na história pelo filho mais velho.
Isso ocorre especialmente com mandamentos cerimoniais, como, no Velho Testamento, a guarda do sábado, o dízimo e o jejum, entre outros.
No Novo Testamento, o congregar, o ofertar e o ser ativo no reino também podem gerar orgulho. Pois, por fora, podemos parecer tão santos sem necessariamente ter havido uma mudança interior, como aconteceu com o filho mais velho e os religiosos que criticaram Jesus.
Qual é a razão desse tropeço? Paulo explica:
“Por quê? Porque não a buscou pela fé, mas como que por obras. Tropeçaram na pedra de tropeço, como está escrito: ‘Eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço e rocha de ofensa, e aquele que nela crê não será envergonhado.'” (Romanos 9:32-33)
Não sejamos como os fariseus e líderes religiosos, que perderam a razão e o foco principal para obedecerem a Deus. Pois, nessa obediência, tudo o que é nosso passa a pertencer ao Senhor, e tudo o que é do Senhor nos pertence.
Não obedecemos a mandamentos frios, mas a palavras de vida, que têm como objetivo uma relação cada vez mais estreita entre nós e Deus, sendo o amor a Ele a razão principal da obediência.











