“Ai de vocês, fariseus! Porque gostam da primeira cadeira nas sinagogas e das saudações nas praças.” – Lucas 11:43
“Notoriedade, ser famoso, ser admirado…” Segundo a psicologia, é uma das mais de 20 necessidades humanas. As pessoas fazem coisas incríveis para serem admiradas. Ficam tristes ou iradas quando são desvalorizadas. E muitas vezes têm atitudes terríveis.
Foi o desejo de notoriedade que levou Ananias e Safira a venderem um terreno e, talvez por avareza ou necessidade, doarem a metade para a igreja, mas afirmarem que doavam cem por cento. Provavelmente queriam a mesma notoriedade que Barnabé tivera, quando doou um terreno — motivo pelo qual ganhou esse apelido dos apóstolos, que significa “filho do entusiasmo ou do incentivo”. Pagaram com as próprias vidas. Sugiro a leitura de Atos 4:36 e 5:11, onde se encontra essa história.
Foi por se sentir desprezado que Saul iniciou uma perseguição que durou mais de dez anos contra Davi. Tudo porque, ao voltarem da vitória sobre Golias e os filisteus, Saul ouviu o seguinte cântico das mulheres:
“As mulheres se alegravam e, cantando alternadamente, diziam: Saul matou os seus milhares, porém Davi, os seus dez milhares.” – 1 Samuel 18:7
Veja só. Uma música aparentemente inocente provocou uma explosão interna no rei Saul e uma guerra sem tréguas dele contra Davi. Parece coisa de criança, mas já vi isso — inclusive no corpo de Cristo — quando uma pessoa, por se sentir desvalorizada, passa a atacar e tentar “destruir” aquele que, na sua visão, é o motivo disso.
Não é por acaso que uma das tentações do diabo contra Jesus foi exatamente o desejo humano de ser espetacular, isto é, famoso:
“E disse: — Se você é o Filho de Deus, jogue-se daqui, porque está escrito: ‘Aos seus anjos ele dará ordens a seu respeito. E eles o sustentarão nas suas mãos, para que você não tropece em alguma pedra.’” – Mateus 4:6
Ser famoso ou notório é um “vírus” dentro de todo ser humano. Não conheço ninguém que, em determinado momento da vida, não procure holofotes ou se ressinta quando outros os têm e ele não.
No mundo evangélico, vemos o quanto as pessoas gostam de notoriedade, começando pelos títulos que criaram. Deixaram de lado as funções bíblicas de pastor (cuidador), diácono (servo) ou presbítero (mais experiente), tornando-as títulos. Ou escolheram funções estranhas às Escrituras, como papa, padre, reverendo, arcebispo, entre outros. Há ainda aqueles que utilizam o título de apóstolos — algo proibido, pois Paulo foi o último apóstolo reconhecido pelas Escrituras (1 Coríntios 15:9) — e nenhum desses modernos apóstolos preenche as qualificações exigidas pela Bíblia.
Além disso, nesses grupos, as “autoridades eclesiásticas” possuem estacionamento privativo nos seus prédios, sentam-se na frente nas reuniões, em bancos reservados, e são tratadas como autoridades. Ao invés de simples servidores do reino. Que, claro, devem ser valorizados, mas jamais reverenciados.
Mas não é somente no mundo evangélico. Em nosso meio já vi grupos em que as pessoas fazem questão de serem chamadas pelas funções como títulos. Querem ser chamadas de teólogos, pastores, evangelistas, presbíteros, entre outros — algo que não ocorria no Novo Testamento. Também já vi, em nosso meio, prédios em que os bancos da “liderança” são destacados dos demais, numa imitação do mundo evangélico. Parece que não querem mais se sentar junto com as demais ovelhas, esquecendo que os pastores bíblicos devem cheirar o cheiro das ovelhas pelo contato que têm com elas.
Portanto, o texto de hoje, como o de ontem, é um chamado para olharmos e vermos até onde o farisaísmo — especialmente o “vírus” da fama e da notoriedade — está presente em nosso meio. Se temos, ou não, fome pela fama.
Na igreja de Jesus, o Senhor não é apenas a maior estrela, mas a única estrela. Todos nós, discípulos dele, somos seus humildes servidores — dele e dos demais irmãos.
Vejamos o texto que completa a frase de Jesus destacada hoje no evangelho de Mateus:
“Mas vocês não serão chamados de ‘mestre’, porque um só é Mestre de vocês, e todos vocês são irmãos.
Aqui na terra, não chamem ninguém de ‘pai’, porque só um é o Pai de vocês, aquele que está nos céus.
Nem queiram ser chamados de ‘guias’, porque um só é o Guia de vocês, o Cristo. Mas o maior entre vocês será o servo de vocês.” – Mateus 23:8-11.











