Nada Pode nos Separar: nem os Anjos nem os Principados

Romanos 8:38-39: “Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, NEM OS ANJOS, NEM OS PRINCIPADOS […] poderá nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.”

 Começamos esta série caminhando por uma das declarações mais extraordinárias de Paulo: “Porque eu estou bem certo…”

Não se trata de uma esperança vaga, de um pensamento positivo ou de uma tentativa de convencer a si mesmo de que tudo ficará bem. Paulo fala a partir de uma certeza construída pela experiência com Deus e fundamentada na obra de Cristo.

Depois de afirmar que nem a morte nem a vida podem nos separar do amor de Deus, Paulo amplia ainda mais o horizonte: “nem os anjos, nem os principados”.

Os anjos

A palavra usada por Paulo é angeloi, plural de angelos, que significa basicamente mensageiros. A palavra não descreve necessariamente uma classe específica de seres celestiais, mas sua função de mensageiros.

A Bíblia apresenta os anjos como seres espirituais reais, criados por Deus e sujeitos à sua autoridade. Eles aparecem ao longo da história da redenção: anunciando o nascimento de Jesus (Lucas 1:26-38), servindo ao Senhor, fortalecendo seus servos e cumprindo missões determinadas por Deus.

Hebreus 1:14 os chama de “espíritos ministradores, enviados para serviço a favor dos que hão de herdar a salvação”.

Em Atos 12, um anjo do Senhor entra na prisão e liberta Pedro. Em Atos 27, um anjo aparece a Paulo durante uma tempestade e lhe transmite uma palavra de encorajamento 

Vejamos que ensino: há uma dimensão da realidade que nossos olhos não conseguem enxergar. Nem tudo o que existe pode ser percebido pelos nossos sentidos.

Mas Paulo não está dizendo que devemos viver fascinados pelos anjos. O centro da Bíblia nunca são os anjos. O centro é Deus, revelado em Cristo. E é justamente por isso que a declaração de Romanos 8 é tão impressionante. Mesmo que pudéssemos imaginar a maior manifestação possível do mundo celestial, nem mesmo os anjos poderiam nos separar do amor de Deus.

E os principados?

Aqui encontramos uma palavra diferente: archai, plural de archē. A ideia fundamental está relacionada a primeiro, origem, posição de liderança, governo ou autoridade. Por isso, a palavra pode ser traduzida como “principados”, “governantes” ou “autoridades”, dependendo do contexto.

Paulo utiliza essa palavra de maneiras diferentes. Em Colossenses 1:16, ele afirma que todas as coisas, visíveis e invisíveis, inclusive “tronos, soberanias, principados e potestades”, foram criadas por meio de Cristo e para Cristo. Em Efésios 1:21, Paulo afirma que Cristo está “acima de todo principado, potestade, poder e domínio”.

Mas em Efésios 6:12 encontramos uma descrição diferente: “Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e as potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestiais.”

Nesse texto, o contexto deixa claro que Paulo está falando de forças espirituais malignas. Também em Colossenses 2:15 encontramos uma declaração muito relevante: Cristo, por meio da cruz, despojou os principados e as potestades e triunfou sobre eles.

A revelação do apóstolo

Portanto, quando chegamos a Romanos 8:38, Paulo está colocando diante de nós uma esta verdade: seja qual for o poder espiritual, visível ou invisível, que tente ameaçar o povo de Deus, nenhum deles possui autoridade suficiente para separar o cristão do amor de Deus que está em Cristo.

O mundo espiritual é real, mas Cristo é superior. A Bíblia não trata o mundo espiritual como fantasia. Há anjos. Há forças espirituais malignas. Há uma batalha espiritual. Há realidades que não vemos. Mas existe uma verdade ainda maior: Jesus Cristo é Senhor sobre todas elas.

Colossenses 2:10 afirma que Cristo é o cabeça de todo principado e potestade. E Colossenses 2:15 declara que, na cruz, Ele triunfou sobre os poderes espirituais. Desta maneira, O cristão não precisa viver aterrorizado pelo mundo espiritual. Há pessoas que vivem assim (eu mesmo era uma delas antes de minha conversão ao Senhor Jesus).

Não devemos procurar demônios em cada dificuldade, nem atribuir a forças espirituais tudo aquilo que acontece conosco. Nossa segurança não está em conhecer detalhes do mundo espiritual. Nossa segurança está em conhecer Cristo.

Nada pode nos separar. Paulo não diz simplesmente que os anjos não querem nos separar. Ele diz que não podem.

Não podem. O verbo utilizado em Romanos 8:39 é dýnamai, “ser capaz, ter poder, conseguir”. Dessa palavra vem a nossa conhecida palavra “dinamite”. Ou seja, as forças espirituais do mal não têm dinamite para prejudicar o povo de Jesus.

Porque o amor do qual Paulo está falando não é um sentimento frágil. É “o amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.”

A nossa segurança não depende da força da nossa mão segurando Deus. Depende da força da mão de Deus segurando-nos em Cristo. Imaginemos Pedro, quase se afogando após sua fé sucumbir e gritar: “Salva-me, Senhor!” “E, PRONTAMENTE, Jesus, estendendo a mão, o segurou” (Mateus 14:31).

Quantas vezes na minha caminhada com Jesus, senti-me fraco e puder ver a mão de Deus me segurando. O que esta verdade deve produzir em nós?

1. Não precisamos ter medo do que não conseguimos ver. Existem realidades espirituais que não vemos, mas existe também um Deus que vemos revelado em Jesus Cristo: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Romanos 8:31).

2. Não devemos superestimar o inimigo. O mundo espiritual maligno é real, mas não é soberano. Cristo está acima de todo principado e potestade. A cruz não foi uma derrota de Jesus. Foi o lugar em que Ele triunfou.

3. Nossa batalha espiritual exige vigilância, não pânico. Paulo nos chama a permanecer firmes, revestidos da armadura de Deus (Efésios 6:10-18). O cristão não enfrenta a batalha sozinho.

4. Nossa atenção deve estar em Cristo, não nos poderes das trevas. É possível falar tanto sobre Satanás e demônios que, sem perceber, acabamos tirando os olhos de Cristo. A Bíblia faz o contrário. Ela nos mostra os poderes espirituais para nos lembrar que Jesus é maior do que todos eles.

5. Podemos enfrentar este dia em paz. Não sabemos o que acontecerá hoje. Há circunstâncias incompreensíveis. Há acontecimentos nos bastidores que nossos olhos jamais veem.

Mas podemos ter a certeza que Paulo tinha: nada disso tem poder para separar você do amor de Deus que está em Cristo Jesus. Em especial, no dia de hoje, nem anjos, nem principados, nem qualquer poder espiritual.

Talvez o maior desafio deste dia não seja descobrir tudo aquilo que existe no mundo espiritual, mas confiar plenamente naquele que está acima de todo o mundo espiritual.

Jesus Cristo não é apenas maior do que aquilo que podemos ver. Ele é maior também do que aquilo que não podemos ver.

Continuemos a caminhar por essa série de Romanos: “Nada pode nos separar…” Próxima semana, permitindo Deus (somente Ele pode garantir): presente e futuro.