O Que Deus Faz Quando Lhe Pedimos Pedra, Cobra Ou Escorpião?

O Que Deus Faz Quando Lhe Pedimos Pedra, Cobra Ou Escorpião?

Texto base: Romanos 8:27

“E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque intercede pelos santos de acordo com a vontade de Deus.”

Jesus nos ensinou algo maravilhoso sobre a oração. Um pai, por pior que seja, não daria uma pedra ao filho que lhe pedisse pão, nem uma serpente se lhe pedisse peixe, nem um escorpião se lhe pedisse um ovo. E então concluiu: se nós, mesmo sendo maus, sabemos dar boas coisas aos nossos filhos, quanto mais o nosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem! (Mateus 7:9-11; Lucas 11:11-13).

Mas existe uma possibilidade que Jesus não menciona diretamente e que Romanos 8 nos ajuda a enxergar: e se o filho estiver pedindo uma pedra pensando que é pão? E se estiver pedindo uma serpente convencido de que está pedindo um peixe? E se estiver pedindo um escorpião imaginando que está pedindo um ovo?

É exatamente aqui que nossa oração encontra o limite da nossa própria sabedoria. Nem sempre sabemos o que estamos pedindo

Paulo afirma: “Porque não sabemos o que havemos de pedir como convém” (Romanos 8:26).

Observe que ele não diz simplesmente que não sabemos o que pedir. Diz que não sabemos orar como convém. Isso significa que podemos estar diante de Deus com absoluta sinceridade e, ainda assim, estar pedindo algo que não nos fará bem.

Quantas vezes pedimos uma oportunidade profissional sem saber que ela destruirá nossa família? Pedimos que determinado relacionamento dê certo sem perceber que aquela pessoa nos afastará de Deus? Pedimos que uma porta se abra sem saber que, depois dela, haverá um caminho de sofrimento espiritual? Pedimos que Deus preserve determinada situação porque temos medo de perdê-la, quando talvez justamente aquela situação esteja nos impedindo de experimentar algo melhor que Deus deseja fazer em nossa vida.

Pedimos saúde, prosperidade, sucesso, reconhecimento, permanência, realização de nossos planos. E nada disso é necessariamente errado. O problema é que nós enxergamos apenas uma pequena parte da história.

Às vezes chamamos de pão aquilo que Deus sabe que é pedra, de peixe aquilo que Deus sabe que é serpente e de ovo aquilo que Deus sabe que é escorpião.
E, como não sabemos orar como convém, Deus providenciou algo extraordinário: o Espírito Santo nos assiste em nossa fraqueza.

O Espírito intercede pelos santos. Paulo diz que “o Espírito intercede pelos santos segundo a vontade de Deus”.

Os “santos” aqui não são uma categoria especial de cristãos extraordinários. São aqueles que pertencem a Cristo, os que foram alcançados pela graça e vivem como povo de Deus. Que segurança!

Quando um filho de Deus ora, não está sozinho diante do Pai. O Espírito está agindo nele e por ele. E a intercessão do Espírito nunca está em conflito com a vontade de Deus.

Por isso, podemos dizer algo ainda mais maravilhoso: Deus nunca dará uma serpente ao seu filho simplesmente porque o filho, em sua ignorância, pediu uma serpente pensando que era peixe.

Deus conhece o que realmente precisamos. Nós vemos o pedido. Deus vê a intenção em nosso coração. Nós enxergamos o presente. Deus conhece o caminho inteiro. Nós pensamos saber o que nos fará felizes. Deus sabe o que realmente cooperará para o nosso bem. (olha eu aqui já pensando no belíssimo 8:28, texto de segunda-feira). Pedindo cobras sem saber

Pense em alguém que pede insistentemente a Deus para permanecer em um relacionamento. Para essa pessoa, aquele relacionamento é um peixe. Ela ora, jejua, insiste e pede: “Senhor, faça dar certo!” (eu já vivi essa realidade). Mas Deus conhece aquilo que ela ainda não conhece.

Talvez aquele relacionamento a afaste de Cristo, destrua sua paz, enfraqueça sua fé e produza consequências que hoje ela sequer consegue imaginar. Ela está visualizando um peixe. Deus está vendo uma serpente.

Ou pense naquele homem que pede uma promoção a qualquer custo. Ele tem certeza de que aquilo será seu pão. “Senhor, eu preciso dessa oportunidade!” Mas Deus conhece o preço que ele ainda não sabe que terá de pagar: mais trabalho, menos tempo com a família, mais vaidade, mais ansiedade, menos comunhão com os irmãos e, pouco a pouco, uma vida na qual o Reino de Deus deixa de ocupar o primeiro lugar. Ele está visualizando pão. Deus está vendo uma pedra.

Ou pense naquela pessoa que pede que Deus mantenha determinada circunstância exatamente como está porque tem medo da mudança. Para ela, aquilo parece um ovo. É pequeno, conhecido, seguro. Mas Deus sabe que, por trás daquela aparente segurança, existe um escorpião.

Então Deus fecha a porta. E nós choramos porque Deus não respondeu à oração. Mas talvez tenha respondido exatamente como um bom Pai responde. Ele nos protegeu daquilo que pedimos.

“Senhor, não seja feita a minha vontade” No Getsêmani, Jesus nos deixou o modelo perfeito. Ele não escondeu do Pai o que sentia. Pediu que, se fosse possível, aquele cálice passasse dele. Mas imediatamente submeteu seu desejo à vontade do Pai: “Não seja feita a minha vontade, e sim a tua.” (Lucas 22:42). Que oração às vezes difícil! Reconheço.

Porque podemos dizer “seja feita a tua vontade” com facilidade quando acreditamos que a vontade de Deus coincidirá com a nossa. A verdadeira fé aparece quando dizemos isso mesmo tendo medo do que a vontade de Deus poderá exigir de nós. Jesus tinha medo do cálice, mas confiava no Pai.

E aqui está uma das maiores lições da oração: não oramos para convencer Deus a fazer a nossa vontade; oramos para colocar nossa vontade nas mãos daquele que sabe o que nós não sabemos. Que frase impactante, né? É a Trindade cuidando dos filhos de Deus

Romanos 8 nos permite contemplar algo extraordinário. O Filho morreu por nós. O Espírito intercede por nós. O Pai sonda os corações e conhece a mente do Espírito. É a ação do Deus triúno em favor daqueles que pertencem a Cristo. Que extraordinário!

Quando nossa fraqueza nos impede de saber orar, o Espírito não nos abandona. Quando nossa visão é limitada, o Pai continua vendo perfeitamente. Quando não sabemos distinguir pão de pedra, peixe de serpente ou ovo de escorpião, podemos descansar na bondade daquele que sabe.

Por isso, quanto mais ligados ao Senhor estivermos, mais nossa oração deixará de ser apenas “Deus, faça aquilo que eu quero” e se tornará “Pai, faça aquilo que sabes ser melhor”.

Não porque deixaremos de apresentar nossos desejos. Jesus apresentou os dele. Mas aprenderemos a entregá-los.

E quando Deus disser “não”? Talvez essa seja uma das maiores dificuldades da oração. Pedimos pão (pensamos ser). Deus não dá. Pedimos peixe. Deus não dá. Pedimos ovo. Deus não dá. E pensamos: “Deus não ouviu minha oração.”

Romanos 8 nos ensina a pensar de outra maneira. Talvez Deus tenha ouvido perfeitamente. Talvez aquele “não” tenha sido a resposta de um Pai que enxergou uma pedra onde nós enxergamos pão. Talvez aquela porta fechada tenha sido a mão de Deus afastando uma serpente. Talvez aquilo que perdemos tenha sido justamente o livramento de um escorpião que não conseguimos enxergar.

A fé não está em acreditar que Deus dará tudo o que pedirmos. A fé está em acreditar que Deus sabe o que está fazendo quando não nos dá aquilo que pedimos. E sempre nos dará o melhor. O melhor dele, do Pai que nos ama.

E todas as coisas cooperam para o bem E então chegamos ao versículo seguinte. Romanos 8:28 começa com uma das palavras mais consoladoras das Escrituras: “Sabemos…” Não é “talvez”. Não é “imaginamos”. Não é “esperamos que”.

Sabemos. Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus. Isso significa que o “não” de Deus não é abandono. A porta fechada não é necessariamente derrota. A oração aparentemente não respondida não é necessariamente silêncio. O caminho que não compreendemos não está fora do controle de Deus.

Hoje, portanto, oremos com confiança e, no final, falemos: “Senhor, acima de tudo, eu quero o TEU melhor para esta situação!”

O coração fica apertadinho: “E se Ele responder de tal maneira?”

Se Ele responder daquela maneira, tenhamos a certeza, será para o nosso bem e já dando um spoiler do próximo artigo, será para sermos cada vez mais parecidos com nosso irmão mais velho, Jesus, o primogênito entre muitos irmãos, sendo eu e você, se já estamos em Cristo, dois desses irmãos.