“Bom é para o homem suportar o jugo na sua mocidade. Que ele se assente solitário e fique em silêncio, porque esse jugo Deus pôs sobre ele.” – Lamentações 3:27-28
Esta semana cheguei aos 49 anos de idade. Lembro como se fosse hoje, com menos de 1 ano de batismo, cheguei à Escola da Bíblia e disse para Manoel, o irmão que me orientou no caminho da salvação: “Manoel, hoje estou ficando mais velho, 16 anos”.
De lá para cá, quantos acontecimentos, quantas alegrias, quantas vitórias, mas também quantas tristezas, algumas derrotas e decepções.
O texto de Lamentações de Jeremias incentiva a cada pessoa suportar o jugo de sua mocidade. O contexto ali fala de Israel suportar os erros cometidos em razão de seus pecados, no caso, o exílio babilônico.
Porém, a juventude, a despeito da força, da capacidade de reter conhecimento, traz um jugo, isto é, um peso.
Na adolescência começamos a sentir esse peso, os hormônios em rebuliço, nossa inexperiência, mas, ao mesmo tempo, o crescimento físico. Lembro-me do “estirão” de alguns jovens dos Pimentas, de repente, a voz engrossando, ficando mais altos que seus pais.
Porém, é nessa fase a época das grandes decisões: estudo, namoro, trabalho, nossos principais relacionamentos, entre outras decisões. Tudo isso naquele caldeirão de emoções, um dia mais alegre, outro depressivo, a autoestima que varia, ora se achando poderoso, no dia seguinte uma “ameba”. Eis aí o peso da juventude que todo jovem precisar suportar.
Não é por acaso que Deus orienta na Sua Palavra para que os jovens sejam submissos aos seus pais, pois, ao fazê-lo, poderão tomar decisões não tão baseadas nas emoções volúveis.
“Filhos, obedeçam a seus pais no Senhor, pois isto é justo.
‘Honre o seu pai e a sua mãe’, que é o primeiro mandamento com promessa, “para que tudo corra bem com você, e você tenha uma longa vida sobre a terra”. – Efésios 6:1-3
A promessa de uma longa vida sobre a terra não significa que milagrosamente Deus acrescentrará mais tempos de vida, mas, por ouvir seus pais, o jovem se livrará de muitas encrencas e poderá viver mais tempo. Lembro de jovens que aos serem rebeldes aos seus pais, deixar de ouvi-los, seu destino foi a Fundação Casa, o presídio e até o cemitério.
Um jovem cristão sábio, antes das grandes decisões da vida, consultará seus pais e os irmãos mais experientes, que o ajudarão a carregar esse jugo. Graças a Deus, tomei na juventude muitas decisões corretas a partir dos conselhos de irmãos sábios e meus pais. Por algumas que tomei sem ouvi-los paguei caro, sofri, aprendi, claro, mas poderia ter sofrido bem menos.
“Fuja das paixões da mocidade. Siga a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, de coração puro, invocam o Senhor.” – 2 Timóteo 2:22
Eis aí o conselho de Paulo a seu jovem amigo Timóteo. As paixões da mocidade, isto é, os desejos, vêm, mas no momento certo irão embora. Daí a importância de fugir deles e especialmente evitar decisões importantes quando dominados por eles.
“Ninguém o despreze por você ser jovem; pelo contrário, seja um exemplo para os fiéis, na palavra, na conduta, no amor, na fé, na pureza.” – 1 Timóteo 4:12
A maneira como Timóteo não seria desprezado por ser jovem era exatamente buscando ser exemplo para a irmandade. Conheço alguns jovens na igreja nos Pimentas que têm sido exemplos para a mocidade, inclusive para irmãos mais velhos. Que continuem assim.
Finalmente, as paixões e o jugo da mocidade não dominam somente os jovens. Há jovens com pouco mais de 20 anos que demonstram grande maturidade. Por outro lado, há pessoas com mais de 50 que parece que não cresceram. É um alerta para mim, que chego perto dos 50: até que ponto minha idade emocional e espiritual têm acompanhado minha idade cronológica?
Desta maneira, em certo sentido, mesmo um homem, uma mulher, já maduros, devem suportar o que resta do jugo da mocidade e fugir das suas paixões.
Há homens que aos 50 anos, ao notarem o corpo perdendo suas forças, querem provar a si mesmo que ainda estão bem e tomam decisões infantis e imaturas como, por exemplo, trocar a esposa por uma mulher bem mais jovem. São “paixões da mocidade” que mesmo cristãos, se não vigiarem, podem cair diante delas.
Fica aqui o alerta aos jovens: suporte o jugo da sua mocidade e fuja das paixões desta fase na vida. A todos, essas paixões podem querer dominar até mesmo alguém que parecia não estar mais sob o efeito delas. Portanto, vigiemos e, se necessário, fujamos todos











