E Jesus contou a seguinte parábola:
— Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha e, vindo procurar fruto nela, não achou. Então disse ao homem que cuidava da vinha: “Já faz três anos que venho procurar fruto nesta figueira e não encontro nada. Portanto, corte-a! Por que ela ainda está ocupando inutilmente a terra?”
Mas o homem que cuidava da vinha respondeu:
“Senhor, deixe-a ainda este ano, até que eu escave ao redor dela e ponha estrume. Se vier a dar fruto, muito bem. Se não der fruto, o senhor poderá cortá-la.” (Lucas 13:6-9)
A parábola da figueira estéril, contada pelo Senhor Jesus, precisa ser contextualizada para ser mais bem compreendida e depois aplicada aos dias de hoje.
Olhando a história de Israel, podemos identificar o homem da parábola como o próprio Deus, que teve tanta paciência com a nação desde a saída do Egito até aquele momento em que Jesus era a última oportunidade para o arrependimento.
Jesus parece ter se inspirado no texto de Isaías:
“Agora cantarei ao meu amado o seu cântico a respeito da sua vinha. O meu amado teve uma vinha numa colina fértil. Ele cavou a terra, tirou as pedras e plantou as melhores mudas de videira. No meio da vinha, ele construiu uma torre e fez também um lagar. Ele esperava que desse uvas boas, mas deu uvas bravas.” (Isaías 5:1-2)
Toda a história do Antigo Testamento mostra a paciência de Deus com Israel: na escolha dos descendentes de Abraão, na libertação da escravidão egípcia, na paciência e sustento durante os 40 anos no deserto, na entrada na Terra Prometida e na história da nação dali em diante. Das doze tribos, restaram duas em razão da rebeldia do povo de Deus. Mas, na época de Jesus, o povo judeu ainda era considerado o povo exclusivo de Deus, tanto que o ministério de Jesus se dirigiu inicialmente — e com exclusividade — a eles.
No entanto, muitas parábolas de Jesus mostravam que Israel não aproveitaria aquela oportunidade dada por Deus. Cito como exemplo a parábola dos lavradores maus, contada em Lucas 20:9-19. Eis a razão de seu choro logo que entrou pela última vez na cidade de Jerusalém:
“Quando Jesus ia chegando a Jerusalém, vendo a cidade, chorou por ela, dizendo: ‘Ah! Se você soubesse, ainda hoje, o que é preciso para conseguir a paz! Mas isto está agora oculto aos seus olhos.’” (Lucas 19:41-42)
Voltando à parábola de Jesus, parece que o próprio Jesus é o homem que propõe ao dono da vinha que espere mais um tempo antes de dar o veredito final. Esse período simboliza os três anos em que Jesus permaneceu entre eles. Interessante notar que Ele viveu cerca de 33 anos no total, sendo três anos o período de Seu ministério público. Os judeus não aproveitaram a chance dada por Deus, e hoje o povo de Deus é a nova Israel, formada por pessoas de todas as nações — inclusive judeus — que venham a aceitar o evangelho (Gálatas 6:16). Israel não possui mais aquela exclusividade da época de Jesus.
Porém, entendendo a aplicação sobre Israel, podemos aplicá-la também aos dias de hoje. Deus ainda não enviou Seu Filho à terra para julgar o mundo e levar a igreja às regiões celestiais justamente por causa desse tempo de graça que Ele concede, simbolizado nos três anos em que espera que todos cheguem ao arrependimento.
“O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a julguem demorada; pelo contrário, ele é paciente para conosco, não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento.” (2 Pedro 3:9)
Da mesma maneira que aconteceu com os judeus, um dia esse tempo dado por Deus vai acabar. Eis a razão de eu postar diariamente essas mensagens. Para aqueles que já aceitaram o evangelho e estão no reino de Deus — como eu e muitos dos que leem esta reflexão —, elas servem para que nossa fé e nosso compromisso com o Senhor sejam renovados dia a dia.
Mas creio que, entre os que leem, há ainda aqueles que, mesmo conhecendo, insistem em não obedecer ao evangelho. Retardam deliberadamente sua decisão. Para esses, com muito amor eu digo:
“Cuidado! Cada dia que passa é um dia a menos desses três anos dados por Deus. Prepare-se, entenda e aceite o evangelho antes que seja tarde demais.”











