“Ai de vocês, intérpretes da Lei! Porque vocês pegaram a chave do conhecimento. No entanto, vocês mesmos não entraram e impediram os que estavam entrando.” — Lucas 11:52
Neste último comentário sobre os fariseus e intérpretes da lei, quero destacar o fato de que eles conheciam a Lei de Deus e tinham, como incumbência, orientar as pessoas a andarem nos caminhos do Senhor. Mas não faziam isso.
Olhemos para o texto paralelo em Mateus:
“Ai de vocês, escribas e fariseus, hipócritas, porque vocês fecham o Reino dos Céus diante das pessoas; pois vocês mesmos não entram, nem deixam entrar os que estão entrando!” — Mateus 23:13
Veja só que situação. Eles tinham o conhecimento, mas, por não viverem de acordo com ele e, pior, por pregarem suas próprias ideias ou acréscimos ao mandamento de Deus, nem se salvariam a si mesmos nem aos seus ouvintes. Isso está em conformidade com o que o apóstolo Paulo orienta ao jovem Timóteo:
“Cuide de você mesmo e da doutrina. Continue nestes deveres, porque, fazendo assim, você salvará tanto a si mesmo como aos que o ouvem.” — 1 Timóteo 4:16
Mas os líderes judaicos não paravam por aí. Vejamos as palavras ainda mais duras do Senhor Jesus:
“Ai de vocês, escribas e fariseus, hipócritas, porque vocês percorrem o mar e a terra para fazer um prosélito; e, uma vez feito, o tornam filho do inferno duas vezes mais do que vocês!”
— Mateus 23:15
Eles, por causa do seu falso exemplo e de sua hipocrisia, ao invés de salvarem as pessoas, as tornavam dignas duas vezes mais do inferno. Produziam em outros aquilo que era a natureza deles: cegos guiando cegos.
Jesus disse:
“Jesus lhes contou também uma parábola: — Será que um cego pode guiar outro cego? Não é fato que ambos cairão num buraco?” — Lucas 6:39
Já comentei que o buraco, neste texto, é o inferno, a perdição. Ambos — professor e aluno —, por serem cegos, terão o mesmo destino final: a perdição.
Hoje em dia, ao observarmos muitos líderes religiosos, vemos que falam de Deus, mas distorcem a Sua Palavra. Outros, além disso, vivem de forma que não corresponde ao que ensinam. Basta ligar a televisão para ver como a mensagem pura do evangelho é substituída pela teologia da prosperidade ou por uma espécie de psicologia de autoajuda. E muitos seguem esses cegos, permanecendo em sua própria cegueira.
Por isso, a Palavra de Deus adverte a todos — especialmente aqueles chamados para ensinar:
“Procure apresentar-se a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.” — 2 Timóteo 2:15
Sim, como obreiros de Deus, devemos conhecer profundamente as Escrituras Sagradas. Mas não basta apenas conhecer: precisamos vivê-las no dia a dia, para não nos tornarmos pedra de tropeço na vida de outros. Mesmo que isso exija esforço, precisamos esmurrar o nosso corpo, dominar nossas vontades e submetê-las à escravidão do Senhor Jesus:
“Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado.” — 1 Coríntios 9:27
Com este artigo, encerro os comentários sobre os fariseus. Permitindo Deus, no próximo continuaremos as reflexões a partir do capítulo 12 de Lucas.











