ovelhas seguindo o lobo

Ovelhas Seguindo o Lobo

A igreja de Atibaia começou a se reunir em 2019 numa sala de hotel. Logo depois, veio a pandemia, e o hotel foi um dos primeiros lugares a fechar; fomos nos reunir na casa de uma família da igreja. Tivemos várias dificuldades, inclusive o óbito de uma irmã, o que nos levou ao culto online. Durante a pandemia, fizemos duas campanhas evangelísticas e fomos assolados pelos efeitos da pandemia. Irmãos que vieram de fora para ajudar no trabalho contraíram COVID. Um deles faleceu tempos depois por conta da pandemia.

Sempre ficamos procurando outro lugar para a igreja se reunir e ter mais liberdade para fazer o seu próprio horário — a possibilidade de ensinar a Bíblia, evangelizar, reunir-se mais vezes durante a semana. Finalmente, um irmão disse que tinha um salão ao lado da sua casa, onde antes era uma denominação. Ele relatou por que a denominação deixou de se reunir ali. Ele disse:
— O ‘pastor’ da central veio buscar o dinheiro das ofertas, e os responsáveis relataram que precisaram tirar o dinheiro do aluguel, pois as ofertas não tinham sido suficientes para pagar o aluguel naquele mês. O tal ‘pastor’ aceitou as desculpas, mas deixou avisado que aquela era uma exceção, e que o próximo mês não permitiria isso acontecer. No outro mês, eles tiveram o mesmo problema e tiraram o dinheiro para pagar o aluguel das ofertas que deveriam ir para a central; então, o tal ‘pastor’ mandou fechar as portas.

As denominações têm um interesse: arrecadar. Existem poucas denominações sérias e que estão preocupadas com o bem-estar e a salvação das pessoas. A maioria são empresas, e suas congregações não passam de filiais e muitas até abrem franquias.

O Edinho estava me contando de outro caso, em que outro ‘pastor’ relatou que estava fechando um ponto da ‘sua igreja’ que não estava dando lucro e ia abrir em outro lugar onde ele poderia ganhar mais.

Certa vez o Ricardo Sobral começou uma campanha para começar um trabalho em Campina Grande na Paraíba. Ele tinha um alvo de R$ 100 mil. Lembro que o Ministério Resgate foi o primeiro a ofertar. Um irmão, recém convertido, que tinha sido ‘pastor’ numa denominaçao, disse que aquele valor ele arrecadava num só culto quando estava na denominação. Hoje vemos a dificuldade que o Colheita Brasil tem para poder conseguir enviar missionários por falta de ofertas.

Eles não cuidam das ovelhas… só da conta bancária

Por algum motivo o dinheiro, a prosperidade pode disfarçar de espiritualidade. As pessoas confundem ganância e promessas materiais com bênção. Não estou falando de alguém que precisa pagar a conta de luz ou daquele irmão que trabalha duro e oferece o primeiro dízimo com alegria. Não. Estou falando de algo mais sutil — e mais perigoso.

Paulo, em 1 Timóteo 6, chama de “homens corrompidos de mente” aqueles que veem a piedade como um negócio. Como se a fé fosse um produto: você paga, você recebe bênção. Você dá o dízimo, você recebe o carro novo. Você se levanta e profetiza, e aí a igreja inteira se levanta para aplaudir — e pagar. Mas onde está o arrependimento? Onde está o serviço silencioso? Onde está o amor que não exige retorno? Onde está o coração contrito, a busca sincera de Deus.

Eles usam versículos como cartões de visita. Citam Malaquias 3 para pedir mais, mas nunca falam de Miquéias 6:8: “Fazer justiça, amar misericórdia e andar humildemente com o teu Deus.” Porque justiça e misericórdia não geram boletos. Não dão likes no Instagram. Não enchem os cofres da igreja.

Lembre-se de Ezequiel 34: os pastores que comem a gordura, vestem a lã… mas não cuidam das ovelhas. Eles não estão lá para alimentar, curar, proteger. Estão lá para consumir. E quando a tempestade chega? Quando alguém cai, quando a família se desfaz, quando a dor bate à porta? Onde estão? No púlpito, com a voz alta, ou no telefone, pedindo uma oferta especial?

Judas compara esses homens a Balaão — aquele profeta que, mesmo sabendo da vontade de Deus, deixou que o dinheiro o levasse a trair o povo. Ele não negou Deus. Ele só o negociou.

E João, em João 10, diz algo que dói: o assalariado foge quando o lobo aparece. Porque ele não ama as ovelhas. Ele só está ali pelo salário. E quantos de nós já vimos pastores que desaparecem quando o problema é real? Que só aparecem quando o orçamento precisa ser aprovado? Que só falam de fé quando o dinheiro está em jogo?

Não é que dinheiro seja pecado. É o amor ao dinheiro — essa sede insaciável que transforma o ministério em comércio, a pregação em marketing, e a casa de Deus em shopping espiritual.

A verdadeira piedade não vende bênçãos. Ela as entrega — de graça, como Jesus fez. Ela não exige que você se torne cliente. Ela te chama para ser discípulo. Membro do corpo de Cristo.

E o que você está servindo? Um Deus que cura, ou um produto que você compra?

Se a sua fé tem preço, talvez ela nunca tenha sido realmente sua.