Ontem, domingo dia 04 de 2026, não foi um dia de despedida. Foi um dia de gratidão. Porque quando alguém vive com Cristo, sua partida não é um fim—é uma chegada. Como disse a Bwee com sabedoria: “o discípulo de Cristo não parte; ele chega”. E o Sérgio chegou lá. Chegou à presença do Pai, onde a dor não existe, onde o tempo não corrói, e onde o amor é pleno. Deus não vê o Sérgio como vemos aqui—com limitações, cansaço ou doença. Ele vê Jesus. Porque o Sérgio, lá atrás, fez a escolha mais importante de todas: entregar sua vida ao Senhor e se revestir dEle (Gálatas 3:27).
Essa escolha moldou tudo: seus passos, suas palavras, até seu sorriso diante do sofrimento. Ele sabia quem era em Cristo. E por isso, mesmo frágil no corpo, era forte na fé.
Isso não o tornou perfeito, longe disso! Não o tornou um santo de altar, mas santificado na carne. Ele aprendeu com os erros que cometeu e há alguns anos, antes do diagnóstico, ele começou a tomar o caminho de volta e ajudar os que estavam indo para onde ele esteve. Foi lá no fundo, de erros, da prosperidade que o levou para longe de casa, no fundo de uma separação, no fundo da depressão, no fundo da solidão que ele reencontrou àquele que sempre o amou e não perdeu a chance. O Sérgio abraçou forte Jesus e não o soltou mais…
Viver com os olhos fixos na eternidade
O Sérgio não ignorava a realidade da morte. Ele a encarava com clareza—não com medo, mas com esperança. Ele tinha as três certezas que todos nós carregamos: nascemos, vivemos, morreremos. Mas ele abraçou uma quarta: “Eu sei para onde vou e eu estou preparado” (João 14:2-3).
Essa convicção não era teórica. Era fruto de uma vida inteira de caminhada com e sem Deus. Ele repetia aos amigos: “Vocês estão preparados?” Não como uma pergunta retórica, mas como um convite à seriedade espiritual. Ele sabia que a vida é breve, mas o que se constrói em Cristo permanece (1 Coríntios 3:12-14).
Aos seus irmãos, no dia da sua morte ele perguntou a mesma coisa. Espero que eles tenham entendido que ele não estava perguntando se eles estavam preparados para a sua partida, mas se eles estavam preparados para partirem como ele. Oremos pela família do Sérgio para que eles possam encontrar Jesus não somente no exemplo, mas em suas vidas.
Sua referência não eram as circunstâncias—nem mesmo o diagnóstico mais sombrio. Era Cristo. E, como Jesus disse: “No mundo vocês terão aflições; mas tenham ânimo! Eu venci o mundo” (João 16:33). Sérgio viveu essa vitória mesmo nos dias mais difíceis e venceu!
A alma acima do corpo
Num mundo que valoriza o que se vê—saúde, aparência, conquistas—Sérgio vivia como uma alma. Alguém um dia disse: “Vocês não são corpos. Vocês são almas que têm corpo.” Essa inversão muda a eternidade pela misericórdia de Deus. O corpo envelhece, desgasta, cede. A alma, porém, foi feita para durar. Voltar para Deus…
Por isso, ele cuidava da alma. Cultivava a gratidão, o amor, a oração. Até nos momentos em que tentávamos animá-lo, ele nos surpreendia com palavras de fé: “Nunca vi Deus ausente.” Era um testemunho vivo de que Deus está conosco—não apenas nos milagres, mas nos silêncios, nas noites longas, nas conversas até as cinco da manhã.
Ele sabia que a morte dos santos é preciosa aos olhos do Senhor (Salmo 116:15). Não por sofrimento, mas por fidelidade. Porque quem caminha com Deus deixa rastros de luz onde passa.
O legado que permanece
Numa dessas conversas profundas perguntei para o meu amigo: “Qual o legado que você vai deixar, Sérgio?” – Ele respondeu com tristeza de que tinha perdido a sua oportunidade de deixar um legado. Graças a Deus ele estava enganado. Sérgio, como se eu pudesse falar para você ou enviar uma mensagem por Whatsapp quase diária como era antes, eu preciso lhe dizer que você deixou um legado, sim! Você deixou um amigo, amigos, exemplos, lutas, esperança, fé… você deixou lágrimas com as quais escrevo este parágrafo.
Sérgio não deixou apenas memórias—deixou um chamado. Um chamado prático: “Vivam com fé, com responsabilidade, com amor.” Mais do que qualquer herança material, ele queria que os seus amassem uns aos outros (João 13:34-35), que confiassem em Deus acima de tudo, que não se revoltassem contra Deus quando a vida desmoronasse e desmoronou…
Esse é o tipo de legado que transforma gerações. Não é feito de palavras vazias, de uma herança, de um livro escrito, de um filho que é sua cópia, mas de vida vivida com arrependimento e integridade. Ele foi batizado, sim—mas seu batismo não terminou nas águas. Continuou nos gestos de cuidado, nas risadas com os amigos, no jeito de segurar um skate como quem segura a esperança. Ele deixou o Skate com o qual eu o conheci e pegou uma Bíblia. Foi evangelista, pregou o evangelho. Estudou história, gostava de tecnologia, foi chef de cozinha, pizzaiolo, voltou para a tecnologia, me ajudou na plataforma de cursos e quando estava muito mal, começou uma nova profissão, consultor financeiro, como se ele ainda fosse viver mais uns 40 anos. Vai viver, sim, no coração daqueles que te amaram e certamente nos braços de Deus nos esperando na eternidade…
E agora? Agora ele está livre. Livre da dor, livre do medo, livre para viver plenamente com Cristo (Filipenses 1:23). E nós, que ficamos, somos desafiados: como estamos cuidando da nossa alma? Como estamos preparando o nosso coração para o encontro final?
Conclusão: Um convite à fé viva
A vida do Sérgio não terminou. Ela apenas mudou de cenário. Foi transferido da igreja aqui (Metro-Sul, Butantã, 9 de Julho) para a igreja de lá. Ele chegou onde todos os que pertencem a Cristo um dia chegarão. E nesse momento de saudade, a melhor honra que podemos prestar a ele é viver como ele viveu: com os olhos em Jesus, com amor prático e com a certeza de que, mesmo na aflição, “Deus está conosco”.
Que sua chegada lá nos faça refletir, sim—mas principalmente agir. Ame mais. Ore com sinceridade. Cuide da sua alma. E segure firme na mão de Deus. Porque, como disse o próprio Sérgio: “Segure em Cristo.” Tudo o mais é passageiro.











