Por Mais Encontros Presenciais

Por Mais Encontros Presenciais

A pandemia nos ensinou algo que já estava escrito na Palavra de Deus: somos feitos para estar juntos. Não apenas conectados por telas, mas presentes — de corpo, alma e espírito. A tecnologia foi uma bênção em tempos difíceis, mas jamais substitui o calor de um abraço, o olhar sincero de um irmão ou o silêncio confortável entre amigos em Cristo. Agora, a tecnologia que foi uma bênção, pode se tornar a nossa maldição, a nossa condenação. A internet, diz uma frase: “aproxima quem está longe e afasta quem está perto”. Estamos vendo exatamente isso acontecer na frente dos nossos olhos, e estamos aplaudindo…

Comunhão, no sentido bíblico, é mais do que compartilhar músicas, mensagens ou até cultos online. É estar lado a lado, caminhando juntos na fé. E essa proximidade real tem um efeito poderoso: ela nos molda. Quando estamos cara a cara, nossas palavras são ponderadas não só pelo que dizemos, mas pelo que expressamos com os olhos, com os gestos e com o tom da voz. Os encontros online estão nos tirando isso… Olhar para os rostos dos irmãos, era ver Jesus em pessoa, agora Ele está mais distante.

É fácil ofender sem querer quando só há áudio ou texto. Um irmão ficou magoado com uma brincadeira (ou não era brincadeira) dita em uma reunião virtual. Não viu o sorriso, não sentiu a intenção. E, sem esse contexto, a palavra feriu. Lembre-se: “Mas eu lhes digo que de toda palavra fútil que falarem hão de dar conta no dia do juízo” (Mateus 12:36). Até uma brincadeira mal compreendida pode lançar sombras onde deveria haver luz (Provérbios 26:18–19).

Corrigir sem relacionamento é arriscado

A Bíblia nos orienta a restaurar com mansidão aquele que caiu em pecado (Gálatas 6:1). Mas como corrigir com sabedoria se não há confiança? Como falar a verdade em amor se não há nem sequer amizade? Como falar de assuntos tão sensíveis se não há abertura, proximidade, oportunidade…

Provérbios 26:17 adverte com sabedoria: “Quem se mete em questão alheia é como aquele que toma pelas orelhas um cão que passa.” Ou seja, interferir na vida de alguém, mesmo um irmão em Cristo. sem ter vínculo pode causar mais dano do que ajuda. O amor não é só sentimento — é história compartilhada, tempo investido, confiança construída. Sem isso, até a melhor intenção pode ser recebida como julgamento. E quando menos se vê, os irmãos já tomaram decisões erradas e tudo porque nem sequer soubemos porque estávamos a uma tela de distância e muito mais distantes do que deveríamos. E admitindo ou não, mesmo estando em pecado, é uma questão alheia que, se a pessoa não permitir, nem Deus interfere.

Quando não nos reunimos regularmente, perdemos a oportunidade de ver sinais sutis de que alguém está se afastando, duvidando ou tropeçando. E, quando percebemos, já é tarde: não há mais prevenção, só tentativa de remediar o que poderia ter sido evitado com um café, uma caminhada ou uma conversa sincera depois do culto.

O risco de priorizar paredes em vez de pessoas

Há congregações que mantêm grandes prédios, às vezes com custos enormes, mas reúnem-se apenas algumas horas por semana — ou, pior ainda, preferem os encontros virtuais mesmo com o espaço disponível. Pense bem: faz sentido investir tanto, de milhares de reias a milhões de dólares, em estruturas físicas se não as usamos para o que realmente importa: vidas em comunhão?

Jesus nunca pediu templos de mármore, mas corações dispostos. Até quando o templo de Salomão foi inaugurado ele reconheceu no seu discurso que Deus não ia morar lá, mas pediu a Deus que Ele aceitasse as orações naquele lugar e Deus disse que aceitaria, mas com uma condição:

Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, orar, buscar a minha face e se arrepender dos seus maus caminhos, então ouvirei dos céus, perdoarei o seu pecado e curarei a sua terra.” 2 Crônicas 7:14

Ainda hoje, nada mudou. Deus aceita nossa adoração lá no prédio, mas Ele quer que seja algo pessoal, algo que acontece no verdadeiro templo: se humilhar, orar, buscar e se arrepender dos maus caminhos. E isso é possível juntos. Estar juntos é estar onde Deus está, na luz. Estar online não é estar juntos. Até uma empresa de hospedagem pergunta isso: se a ideia de viajar era pra ficar juntos, por que ficamos separados cada um em seu quarto de hotel?

Sabe o que acontece quando estamos juntos? Leia e releia:

“Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado” 1 João 1:7

Comunhão presencial é andar na luz onde Deus está e somente assim o sangue de Jesus tem poder para nos purificar de todo pecado. Culto online tira a comunhão. É como ter um membro do nosso corpo numa incubadora sendo mantido vivo artificialmente, isto não é comunhão e a curto ou médio prazo, insustentável!

Não me coloco nem como opositor nem como defensor da permanência da igreja nos lares. Reconheço que os encontros em casas cumprem bem o papel de início: são um ambiente fértil para o nascimento da igreja. Ao mesmo tempo, entendo que a casa, por sua própria natureza, é limitada como espaço de continuidade e expansão. Por isso, não vejo problema algum em que muitas igrejas pequenas surjam e existam nos lares, desde que se compreenda que esse contexto atende melhor à origem do que ao crescimento pleno da igreja. Se a igreja que se reúne ali compreende que esta é a vontade de Deus, que seja feita a vontade de Deus no céu e na terra.

Quando Ele voltar, não perguntará quantos metros quadrados tínhamos, mas quantas almas alcançamos (Mateus 25:31–46). Não vai trazer uma anotação para conferir quanto gastamos com o prédio, mas quanto investimos para alcançar almas e se o prédio colaborou para isso, será para a glória de Deus, mas se o prédio existe para conforto de 3 a 5 horas semanais, é injustificável! Se temos um prédio, que seja usado — não como monumento ou um templo, mas como base de lançamento para missões, discipulado, acolhimento e comunhão real. Se não for usado, talvez seja hora de repensar. Recursos que ficam parados em tijolos poderiam estar salvando vidas.

A presença de Cristo está onde estamos juntos — de verdade

Jesus prometeu: “Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mateus 18:20). O autor de Hebreus reforça: “Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns” (Hebreus 10:25). Essas palavras foram escritas para pessoas que se viam, que compartilhavam refeições, choravam e celebravam juntas (Atos 2:42–47). Não tenho a mínima dúvida que os autores quando inspirados não estavam falando dos encontros online.

A presença de Cristo não depende de Wi-Fi nem de boa conexão, pelo contrário, pode até causar interferência. Quantas vezes nos desligamos de Deus porque temos conexão de celular? Agora, apoiar isso de forma consciente e coletiva? Estamos cavando a própria cova. A conexão com Cristo ocorre em nós e ela se manifesta no encontro real, no testemunho compartilhado, na oração feita de joelhos lado a lado. É nesse contexto que somos “estimulados ao amor e às boas obras” (Hebreus 10:24). Não por mensagens automáticas feitas sem conhecimento, leitura, estudo escritas pela inteligência artificial, mas por olhares que dizem: “Estou aqui com você.”

Conclusão: Encontros presenciais são atos de obediência e fé

Escolher estar presente é escolher viver a igreja como Jesus a imaginou: não uma instituição distante, mas um corpo vivo, onde cada membro importa. É renunciar à comodidade do sofá pelo compromisso com a família de fé. É acreditar que, ao sair de casa para encontrar um irmão, estamos também indo ao encontro do próprio Cristo.

Não subestimemos o valor de um aperto de mão, de um “como você está?” feito com os olhos nos olhos. Nessas pequenas coisas, o evangelho ganha rosto, voz e calor humano. E é assim, na simplicidade do encontro verdadeiro, que nossa fé cresce — não só em conhecimento, mas em amor prático, visível e transformador.

Estamos deixando de ser igreja no próprio significado da palavra. “Igreja”, no original bíblico, não significa prédio nem audiência. Significa assembleia convocada. Chamados para fora de casa para nos encontrarmos presencialmente. Encontros exclusivamente online entram em conflito quando reduzem essa assembleia a consumo individual sem presença, vínculo e prática comunitária. (A palavra grega é ekklesía. Vem de ek (para fora) + kaléō (chamar). Designa pessoas chamadas para se reunir com um propósito comum).

PS: tenho um programa semanal até que pioneiro. Estamos indo para o nosso 9º ano no ar. Não é um devocional, não é um culto, não é sagrado. É uma imitação de uma comunhão. Quando escolhi a data, pesquisei o dia e horário em que quase ninguém se reunia na época. Então, quinta feira às 21h foi um horário campeão. Sei que não é para sempre, um dia vai acabar, mas sou defensor de que a comunhão verdadeira nunca acabe.