“Como você sabe ajudar o que não tem força! Como você sabe socorrer o braço que não tem vigor!” – Jó 26:2
De forma irônica, Jó critica seu amigo Bildade, na maneira como este tenha lhe ajudar. Ao invés de ajudá-lo, Bildade coloca mais sofrimento sobre os ombros do patriarca, ao acusá-lo de ter cometido grandes pecados e isto ser a razão de seu sofrimento, o mesmo pensamento dos demais amigos de Jó.
O texto que abre este artigo me fez pensar sobre a arte de ajudar o que não tem força, de socorrer o que não tem vigor. Não é tão simples como às vezes parece. É fácil chegarmos com a resposta pronta ou termos a solução para os problemas dos outros. Quando é nossa vez de passar pelo mesmo problema, percebemos que não é tão simples assim.
Ajudar alguém sofrendo exige empatia, sabedoria, perspicácia e equilíbrio da parte do ajudador. É estar disponível sem ser invasivo, é saber o momento certo para falar, mas também para se calar, é reconhecer o momento em que deve permitir que outros ajudem, pois têm mais acesso ao que sofre ou mesmo mais habilidade do que nós. Exige humildade também para, quando necessário, nos retirar.
O texto que destaquei lendo o livro e Jó, fez-me lembrar um texto que refere-se ao Senhor Jesus:
“Não esmagará a cana quebrada, nem apagará o pavio que fumega, até que faça vencedor o juízo.” – Mateus 12:20
Após Jesus ter curado um homem no sábado e ser criticado pelos religiosos, Mateus cita este texto aplicando-o a Jesus. Ele não esmagaria a cana quebrada, isto é, não causaria mais sofrimento a quem está sofrendo, quase desfalecendo. Nem apagaria o pavio que fumega, isto é, o pequeno fogo que treme, quase apagando. Fazer isso demonstra insensibilidade e crueldade.
Jesus veio para dar alívio ao sofredor, para destruir as obras terríveis do diabo (1 João 3:8). Isto me faz lembrar dos magos no Egito que acrescentaram mais problemas à tragédia já existente, isto é, mais sangue na praga do rio Nilo e mais rãs àquelas já existentes (Êxodo 7:22 e 8:7).
Desta forma, que sejamos a solução para o problema, o alívio para a dor, a palavra branda para a discussão violenta que se aproxima, que joguemos água e não gasolina nos espíritos que se inflamam, sejamos os pacificadores no meio da guerra.
Os amigos de Jó causaram mais dor ao patriarca, não o ajudaram em nada. Às vezes, querendo ajudar, atrapalhamos. Desta forma, que cresçamos na arte de ajudar ao que sofre, de dar força ao que não tem vigor, algo que nosso Deus faz tão bem.
“Ele fortalece o cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor.” – Isaías 40:29.











