Abalada

A certeza que não pode ser abalada

Romanos 8:38a: “Porque eu estou bem certo…”

Há coisas na vida sobre as quais não podemos ter certeza. Não sabemos o que acontecerá amanhã. Não sabemos quais circunstâncias enfrentaremos, quais perdas experimentaremos, quais portas se abrirão ou quais dificuldades surgirão. Nossa visão é limitada e nosso conhecimento é incompleto.

Popularmente se diz que as únicas certezas da vida são a morte e os impostos. Mas Paulo nos apresenta uma certeza infinitamente maior. Uma certeza que não depende das circunstâncias, porque está fundamentada em uma Pessoa.

Ele começa dizendo: “Porque eu estou bem certo…”

Paulo não está fazendo uma previsão. Não está expressando um desejo. Não está dizendo: “Eu espero que seja assim”. Ele está convencido.

A palavra grega utilizada é pepeismai, do verbo peithō, que traz a ideia de ser convencido, persuadido, chegar a uma convicção. É a mesma raiz verbal encontrada em Filipenses 1:6, quando Paulo afirma estar “plenamente certo” de que aquele que começou a boa obra nos irmãos de Filipos haveria de completá-la.

É como se Paulo dissesse: “Eu cheguei a uma convicção da qual não pretendo mais sair.”

Mas de onde vem uma certeza tão grande? A resposta está no próprio Deus.

A nossa certeza não está na estabilidade da vida, mas na estabilidade daquele que é eterno.

 Em Êxodo 3:14, quando Moisés pergunta pelo nome daquele que o enviaria, Deus responde: “EU SOU O QUE SOU.” A expressão hebraica Ehyeh Asher Ehyeh está relacionada ao verbo hayah, “ser”. O nome YHWH também está etimologicamente relacionado a essa ideia, embora sua formação e tradução exata sejam objeto de discussão. Por isso, devemos ter cuidado para não afirmar simplesmente que YHWH significa literalmente “Eu sou”; porém, a revelação de Êxodo 3 certamente coloca diante de nós Deus como aquele que é, aquele cuja existência não depende de ninguém.

E aqui está a diferença fundamental. Tudo o que existe fora de Deus recebeu dele a existência. Deus simplesmente é.

Nós existimos porque nascemos. Nossa existência teve um começo. Dependemos de outras pessoas, de circunstâncias e, acima de tudo, do próprio Deus. Mas Deus não começou a existir. Ele não depende de nada. Ele não envelhece. Ele não muda. Ele não deixa de ser.

Por isso, nossa maior certeza não está em nós mesmos, nem naquilo que conseguimos controlar. Nossa certeza está naquele que é. É por isso que a Bíblia repetidamente chama nossa atenção para a fidelidade de Deus.

Deus declara: “Eu, o SENHOR, não mudo.” (Malaquias 3:6). O autor de Hebreus afirma: “Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e para sempre.” (Hebreus 13:8)

E Paulo escreve: “Se somos infiéis, ele permanece fiel, pois não pode negar a si mesmo.” (2 Timóteo 2:13)

 Perceba: a nossa segurança não depende da nossa capacidade de permanecer firmes, mas da fidelidade daquele em quem depositamos nossa confiança.

Isso não significa que nossa fidelidade seja irrelevante. Significa que, quando Paulo olha para o futuro, ele não está olhando para a força de Paulo. Está olhando para a fidelidade de Deus.

Foi exatamente essa certeza que ele expressou aos filipenses: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vocês há de completá-la até o Dia de Cristo Jesus.” (Filipenses 1:6)

A obra começou em Deus. A obra continua sob a ação de Deus. E a esperança de sua conclusão está na fidelidade de Deus.

Por isso Paulo pode chegar ao final de Romanos 8 e dizer: “Eu estou bem certo…” Observe que ele não diz: “Estou certo de que nada de ruim acontecerá.” Isso ele jamais poderia dizer.

Aliás, poucos versículos antes, Paulo havia falado de tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo e espada.

A certeza cristã não é a certeza de que teremos uma vida sem problemas. É algo muito maior: podemos ter certeza de que os problemas jamais serão maiores do que o Deus em quem confiamos.

Paulo ainda não havia enumerado aquilo que poderia ameaçar essa segurança. Ele simplesmente começa com sua convicção: “Eu estou bem certo…”

Nos próximos artigos veremos por que ele estava tão certo. Ele colocará diante de nós pares aparentemente capazes de abalar nossa segurança: morte e vida; anjos e principados; presente e futuro; poderes; altura e profundidade.

Mas antes de olhar para qualquer um deles, precisamos aprender esta primeira lição: A certeza cristã não começa olhando para aquilo que pode acontecer conosco. Ela começa olhando para aquele que nunca deixa de ser Deus.

 As circunstâncias mudam. As pessoas mudam. Nós mudamos. O mundo muda. O tempo passa. Mas Deus permanece.

 E é justamente por isso que, em meio a um mundo cheio de incertezas, um cristão pode levantar a cabeça e dizer, com Paulo: “Eu estou bem certo.” Não porque tenho controle sobre todas as coisas. Mas porque confio naquele que tem todas as coisas sob seu controle.

Não porque minha fé seja suficientemente forte. Mas porque o Deus em quem minha fé está depositada é infinitamente fiel.

Essa é a verdadeira certeza. Eu não sei o que o amanhã trará. Mas sei quem estará lá. E isso é suficiente. Aleluia!