Eleição

A Eleição de Presbíteros e Diáconos: Seguindo o Padrão Bíblico

É muito importante que busquemos entender a Bíblia para todas as práticas na igreja, incluindo a escolha de nossos servos. Vamos explorar o que as fontes bíblicas e leituras com base em autores nos ensinam sobre como presbíteros e diáconos devem ser eleitos.

Lembro de uma congregação que começou a estudar o assunto e começar um processo de eleição de presbíteros. Chegaram a um consenso de que alguns irmãos eram qualificados, no entanto, um dos homens começou a fazer uma campanha entre os membros para ser eleito. Os outros desistiram do processo e cancelaram uma possível eleição. Mais tarde a história mostrou uma atitude sábia por parte dos irmãos, pois aquele que fazia campanha adulterou no seu casamento. Mais triste seria se ele tivesse tido essa atitude como um dos presbíteros eleitos.

É um desejo de muitos discípulos sinceros retornar ao padrão bíblico para a igreja. Isso inclui entender a organização da igreja local e, especialmente, como os servos, conhecidos como presbíteros e diáconos, são escolhidos e nomeados. Há muita confusão e tradições humanas hoje, mas a Palavra de Deus nos dá o modelo simples que devemos seguir.

Torna-se mais evidente a importância se prevermos um cenário de uma desejável destituição de presbíteros e diáconos. A Bíblia prescreve algumas questões em que os servos devem ser destituídos mesmo que não explicitamente. Tema curioso para um novo artigo. É muito fácil escolher presbíteros inadequados ou mesmo sem qualificações bíblicas, mas é muito traumático para a igreja se livrar deles.

Quem São Esses Servos Segundo a Bíblia?

No Novo Testamento, os termos presbítero (ancião), bispo (supervisor) e os que pastoream são palavras usados para descrever os mesmos homens que cuidam do rebanho de Deus. Eles são homens de maturidade espiritual e experiência que supervisionam a congregação. Devem pastorear, ensinar, guiar e proteger o rebanho local. Eles são o que todos os discípulos de Cristo devem ser, ou seja, lideram pelo exemplo, não pela autoridade da função.

Os diáconos são servos especiais que auxiliam os presbíteros. Embora também precisem ter qualificações bíblicas, sua tarefa principal é auxiliar os presbíteros para que estes possam se concentrar em pastorear os membros.

As Qualificações São Essenciais

Antes de pensar em como alguém é escolhido, é crucial entender quem pode servir. As Escrituras, especialmente 1 Timóteo 3:1-7 e Tito 1:5-9, listam qualificações essenciais e indispensáveis para presbíteros/bispos/pastores. Similarmente, há qualificações para diáconos em 1 Timóteo 3:8-13.

Estas qualificações abrangem:

    • Qualidades morais e espirituais: Irrepreensível, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, não dado ao vinho, não violento, inimigo de contendas, não avarento, não arrogante, justo, piedoso, amigo do bem, e ter bom testemunho dos de fora.
    • Qualidades familiares: Esposo de uma só mulher, governar bem a própria casa, e ter filhos crentes que não são acusados de dissolução nem são insubordinados.
    • Qualidades de ensino e liderança: Apto para ensinar, apegado à palavra fiel, maduro espiritualmente, capaz de exortar pelo reto ensino e convencer os contraditores.

A Bíblia e as fontes que consultei em leitura enfatizam que nenhum homem que não possua todas estas qualificações deverá ser selecionado. O presbítero não é elevado a um padrão superior ao dos demais cristãos, mas ele deve exibir essas qualidades num alto grau de maturidade espiritual. Diplomas de seminário ou cursos de teologia não substituem essas exigências divinas.

O Papel Central da Congregação na Escolha

Agora, a questão principal: quem escolhe? As fontes, baseadas no Novo Testamento, são claras: a igreja como um todo participa da escolha dos homens qualificados dentre seus membros. A igreja de Cristo deve retomar seu direito de provar (testar) seus candidatos.

O exemplo de Atos 6 é apresentado como um bom procedimento para a escolha e nomeação de presbíteros hoje em dia. Nesse caso, os apóstolos definiram as qualificações (“sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria”), mas disseram à comunidade dos discípulos: “escolhei dentre vós“. “O parecer agradou a toda a comunidade; e elegeram” os homens. Note-se que não foram os apóstolos que elegeram ou instituiram os sete, foi a igreja.

Este exemplo sugere que:

    • As qualificações são apresentadas e explicadas à congregação.
    • A igreja como um todo participa da escolha dos homens que possuem as qualificações.
    • A igreja escolhe seus líderes, seguindo as diretrizes do Novo Testamento.
    • A eleição de líderes é vista como um esforço coletivo da igreja.
    • A congregação tem o direito de se manifestar, aprovando e confirmando os escolhidos ou reprovando e rejeitando os candidatos.

A autonomia da congregação local significa que ela tem o direito de decidir quem preenche as qualificações e escolher e constituir homens como presbíteros de acordo com seu entendimento das qualificações e conhecimento de seus membros. A igreja não deve delegar seu direito de governo a qualquer homem ou conjunto de homens.

Evangelistas, Outros Presbíteros ou Missionários Não Elegem

Embora Tito tenha sido instruído a constituir presbíteros em cada cidade (Tito 1:5) e Paulo e Barnabé ordenaram presbíteros em cada igreja (Atos 14:23), as fontes notam que não é revelado o procedimento particular que usaram. No entanto, é considerado IMPROVÁVEL que tenham decidido arbitrariamente quem seriam os presbíteros e os ordenado sem envolver a igreja no processo. As instruções de Paulo a Timóteo implicam que pregadores ou evangelistas devem participar do processo e da cerimônia de nomeação, mas eles não eram autorizados a escolher os líderes individualmente. Isso contrairia o que o próprio apóstolo Paulo fez:

“E, tendo anunciado o evangelho naquela cidade e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, e Icônio, e Antioquia, fortalecendo a alma dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé; e mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus. E, promovendo-lhes, em cada igreja, A ELEIÇÃO DE PRESBÍTEROS, depois de orar com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido” (Atos 14:21-23)

As Escrituras não apresentam um modelo onde presbíteros de uma igreja supervisionam ou governam outras igrejas. A responsabilidade e autoridade dos presbíteros não vão além do rebanho local no qual servem. Sistemas de superestruturas de denominações, ligas internacionais ou hierarquias que ligam e governam igrejas locais são invenções humanas sem base bíblica.

Pregadores ou evangelistas proclamam o evangelho, mas não têm papéis de autoridade ou supervisão na igreja local. A prática de chamar um pregador de “o pastor” e dar-lhe autoridade para governar uma igreja não tem base nas Escrituras.

Portanto, a ideia de evangelistas, outros presbíteros (de dentro ou fora da congregação) ou missionários elegerem presbíteros ou diáconos para uma igreja local vai contra o modelo bíblico da autonomia congregacional e a responsabilidade da congregação em escolher seus próprios servos qualificados. A responsabilidade primária dos presbíteros é para com Deus, mas eles são escolhidos e estabelecidos pelos membros.

A Bíblia é clara, através das palavras do apóstolo Paulo falando com os presbíteros de Éfeso, de que o Espírito Santo é quem escolhe os presbíteros da igreja (At 20). É muita arrogância de um evangelista, missionário ou grupo de líderes ou presbíteros escolherem e instituirem novos presbíteros colocando-se como a voz do Espírito em detrimento da igreja. Não se admirem ao criarem uma igreja dividida e insubmissa a presbíteros a quem não elegeram. Claramente é melhor e bíblico o corpo de Cristo como um todo pensando, jejuando, orando e escolhendo juntas do que impor precipitadamente as mãos sobre alguém.

Posicionando-se e Compartilhando a Verdade

Devemos ter um inabalável respeito à Palavra de Deus e uma determinação em fazer tudo o que ele exige. Isso significa estudar cuidadosamente as qualificações, identificar homens na congregação que verdadeiramente as possuem e participar ativamente do processo de escolha conforme o padrão bíblico. Se uma igreja insiste em práticas não bíblicas, como a nomeação por indivíduos ou grupos internos ou externos, é necessário escolher obedecer a Deus antes que aos homens (Atos 5:29).

Compartilhar esse conhecimento envolve ensinar e aplicar o padrão bíblico em sua própria congregação, encorajando o estudo das Escrituras e a prática do que elas ensinam.

Conclusão

Há algum tempo tenho juntado um material para minha pesquisa e leitura que apoiam e explicam o conteúdo bíblico e, de acordo com o conteúdo estudado, a forma bíblica de eleger presbíteros e diáconos envolve a escolha ativa da igreja local. Homens devem ser selecionados por possuírem todas as qualificações divinamente reveladas. Embora evangelistas ou outros possam participar na cerimônia de nomeação ou constituição, a autoridade para escolher reside na congregação local, não em indivíduos ou grupos internos ou externos. Devemos seguir o plano simples de Deus para a organização da igreja, pois a igreja floresce sob uma liderança que segue o exemplo de Jesus e o padrão de Sua Palavra.

Referências Bíblicas (conforme as fontes): 1 Timóteo 3:1-13, Tito 1:5-9, Atos 6:1-6, Atos 14:23, Atos 20:17,28, Filipenses 1:1, 1 Pedro 5:1-3, Hebreus 13:17, Tiago 1:21-25, Atos 5:29, Mateus 15:9, João 17:17, Efésios 4:11-16.