“— E eu recomendo a vocês: usem a riqueza injusta para fazer amigos, para que, quando a riqueza faltar, vocês sejam recebidos nos tabernáculos eternos. Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco também é injusto no muito. Portanto, se vocês não forem fiéis na aplicação da riqueza injusta, quem lhes confiará a verdadeira riqueza?” (Lucas 16:9-11)
“Mamom” é o termo utilizado por Jesus para se referir às riquezas. Ao contrário do que muitos afirmam, dizendo ser Mamom algo neutro, na realidade, ele tem o poder de atrair. Há somente duas possibilidades em nosso relacionamento com ele: ou “usamos” ou somos “usados”, isto é, dominados pelas riquezas. Alguém já disse que o dinheiro é um ótimo servo, mas um terrível senhor. Basta olhar para o mundo e ver os absurdos que as pessoas cometem por amor ao dinheiro, “a raiz de todos os males” (1 Timóteo 6:10a).
Por que Jesus presume que as riquezas terrenas têm origem injusta? Basta olharmos a história mundial. O sistema capitalista, por exemplo, fomenta a desigualdade social: uns têm muito, enquanto outros têm tão pouco. Segundo estudos, 1% da humanidade concentra 60% da riqueza mundial, exatamente pela atração que as riquezas exercem sobre as pessoas.
Por outro lado, no chamado mundo socialista, não é diferente. Há sempre uma pequena casta que fica com a maior parte dos bens, e a pobreza é “socializada” entre os pobres. O problema não é o regime ou o sistema de governo, mas o coração egoísta do ser humano.
Mas por que a origem é injusta? Apresentarei algumas possibilidades extraídas da Bíblia de Estudo NAA, da Sociedade Bíblica do Brasil:
1. Meios injustos para adquirir riquezas, tirando vantagem dos outros. Isso é muito presente em nosso mundo, em especial em nosso país, com o rico explorando o pobre.
2. Desejos injustos no uso da riqueza para satisfação pessoal e propósitos egoístas, em vez do cuidado e do bem-estar do próximo. A riqueza potencializa o egoísmo já presente no coração humano. Vemos ricos e milionários gastando fortunas apenas em projetos para seu próprio prazer, enquanto milhões passam necessidade. Isso é muito diferente daquilo que Deus nos orienta a fazer e que vemos na vida dos santos:
“Porque nada trouxemos para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes.” (1 Timóteo 6:7-8)
“Aquele que roubava não roube mais; pelo contrário, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o necessitado.” (Efésios 4:28)
“Vocês mesmos sabem que estas minhas mãos serviram para o que era necessário a mim e aos que estavam comigo.” (Atos 20:34)
3. A influência corrupta das riquezas, que muitas vezes leva as pessoas à injustiça. Quando dominadoras, as riquezas são tão terríveis que conseguem abrir em nós um “buraco interno” que deseja sempre mais e nunca está contente. Chega um momento em que atos injustos e até criminosos podem ser realizados para que a riqueza seja multiplicada. Lembro-me do caso público de um juiz que, mesmo já detendo um alto salário, vendia sentenças para manter a vida luxuosa que levava.
Qual é a forma de nos livrarmos do poder das riquezas? Precisamos “profaná-las”. Isto é, devemos utilizá-las não para a maneira iníqua e injusta comentada por Jesus, mas para cumprir o maior mandamento: amar a Deus, amando ao próximo.
Um dia, as riquezas nos faltarão. Se as estamos utilizando como uma “poupança celestial”, profanando-as ao usá-las para ajudar os outros, pregar o evangelho e, enfim, fazer o bem, elas serão o meio para que sejamos recebidos nos tabernáculos eternos, citados pelo Senhor Jesus.
O Senhor termina afirmando que precisamos ser fiéis na aplicação da riqueza injusta, ou de origem injusta, para que recebamos a verdadeira riqueza: as mansões celestiais prometidas a todos os que fazem de Jesus, e não de Mamom, o Senhor de sua vida.











