A volta de Jesus: viva preparado!

A volta de Jesus: viva preparado!

A volta de Jesus será o maior acontecimento da história. No entanto, ao falar sobre sua segunda vinda, Jesus não ensinou seus discípulos a descobrir quando ele voltaria. Ensinou-os a viver de tal maneira que, quando ele voltasse, estivessem preparados para encontrá-lo.

Essa é uma distinção importante. Existe uma curiosidade que atravessa gerações: quando Jesus vai voltar? Ao longo da história, muitas pessoas tentaram identificar sinais e estabelecer datas a partir de guerras, crises internacionais, terremotos, acontecimentos políticos e outros eventos. Entretanto, Jesus não ensinou seus discípulos a montar um calendário de sua volta. Pelo contrário, em Lucas 17, ele chama a atenção para duas situações do passado: os dias de Noé e os dias de Ló.

E há algo muito interessante nas duas histórias: as pessoas estavam vivendo normalmente quando o juízo chegou.

Quando a rotina ocupa o lugar de Deus

Jesus disse: “Assim como foi nos dias de Noé, será também nos dias do Filho do Homem” (Lucas 17:26).

E então descreveu aquela sociedade: “comiam, bebiam, casavam-se e davam-se em casamento”. A vida seguia seu curso. As pessoas tinham seus planos, suas famílias, seus negócios, suas preocupações e seus projetos.

Até que chegou o dia. Noé entrou na arca, veio o dilúvio e tudo mudou.

É importante perceber que o problema não estava em comer, beber ou casar. Essas coisas, em si mesmas, não eram pecaminosas. O problema era viver sem considerar Deus. A rotina havia ocupado tanto espaço que o aviso divino foi ignorado.

Noé, porém, estava preparado. Pedro o chama de “pregador da justiça” (2 Pedro 2:5). Enquanto o mundo seguia sua rotina, Noé acreditava na Palavra de Deus e agia de acordo com ela.

Nós também temos uma rotina. Trabalhamos, estudamos, cuidamos da família, pagamos contas, viajamos, descansamos, fazemos planos e buscamos realizar nossos projetos. E não há nada de errado nisso. Seguir a Jesus não exige que abandonemos a vida cotidiana; exige que vivamos a vida cotidiana preparados para encontrar com Ele.

Por isso, Jesus nos orienta: “Busquem, pois, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça” (Mateus 6:33).

O problema não é ter uma vida normal. O problema é ter uma vida normal sem Deus no centro.

Quando estamos ocupados demais para Deus

Jesus também falou dos dias de Ló: “Comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam” (Lucas 17:28).

Observe a quantidade de atividades mencionadas. Era uma sociedade ocupada. Havia alimentação, comércio, agricultura, construção e vida social. As pessoas estavam trabalhando, negociando, planejando e construindo.

Mas, no dia em que Ló saiu de Sodoma, “choveu do céu fogo e enxofre e destruiu todos” (Lucas 17:29).

Mais uma vez, a questão não era simplesmente o que aquelas pessoas estavam fazendo, mas para quem estavam vivendo.

Podemos não afirmar, mas viver conforme o insensato dos salmos 14 e 53: “Diz o insensato no seu coração: “Não há Deus.”

Essa advertência continua extremamente atual. É possível estar tão ocupado vivendo que já não encontramos tempo para Deus.

“Estou sem tempo para ler a Bíblia.” “Estou muito ocupado para estudar.”

“Depois eu faço isso.” Ou “Quando minha vida estiver mais tranquila, vou me dedicar mais a Deus e ao reino dele.”

Mas a vida raramente fica tranquila.

O perigo não está apenas no pecado escandaloso. Às vezes, o perigo está em uma vida tão cheia de coisas legítimas que Deus fica sem espaço.

É preciso perguntar: quem é o grande amor da minha vida? Onde está sendo investido o melhor do meu tempo, meu dinheiro, minha energia e minha atenção? O que ocupa o primeiro lugar em minhas decisões?

A volta de Cristo nos obriga a fazer essas perguntas.

Viva normalmente, mas viva preparado

Existe, entretanto, um equilíbrio que não podemos perder.

Esperar a volta de Jesus não significa abandonar nossas responsabilidades. Alguns cristãos de Tessalônica compreenderam de maneira equivocada a expectativa da volta de Cristo e chegaram ao ponto de deixar de trabalhar. Paulo precisou corrigi-los com firmeza:

“Se alguém não quer trabalhar, também não coma” (2 Tessalonicenses 3:10).

Portanto, esperar Jesus não significa abandonar o trabalho, a família ou as responsabilidades da vida.

Devemos trabalhar. Cuidar da família. Estudar. Cumprir nossos compromissos. Plantar. Construir. Planejar.

Mas precisamos fazer tudo isso sabendo que esta vida não é nosso destino final.

Essa talvez seja uma das melhores maneiras de resumir o ensino de Jesus: viva normalmente, mas viva preparado.

Tenha os pés no chão, as mãos trabalhando e os olhos voltados para os céus.

O dia que ninguém sabe

Jesus foi claro ao ensinar que ninguém sabe o dia nem a hora de sua volta (Mateus 24:36). E justamente porque não sabemos quando ele voltará, precisamos estar preparados todos os dias.

Jesus não nos chama a viver em pânico, mas em vigilância.

Não precisamos abandonar a vida presente. Precisamos abandonar uma vida sem Deus.

A pergunta, portanto, não é simplesmente: “Será que Jesus volta amanhã?”

A pergunta mais importante é: “Se Jesus voltar amanhã, eu estou pronto hoje?”

Se Cristo voltasse hoje, encontraria você preparado? Encontraria você vivendo em obediência? Encontraria você buscando a vontade de Deus? Encontraria você fiel?

Pedro nos conduz a uma reflexão ainda mais profunda. Depois de falar sobre a transitoriedade de todas as coisas e sobre a chegada do dia do Senhor, ele pergunta:

“Visto que todas essas coisas hão de ser assim desfeitas, que tipo de pessoas vocês devem ser?” (2 Pedro 3:11).

Essa é a pergunta que realmente importa.

Não precisamos saber o dia da volta de Jesus. Precisamos saber que tipo de pessoas devemos ser enquanto aguardamos sua volta.

Noé nos ensina: não ignore o aviso de Deus.

Ló nos ensina: não fique tão ocupado com a vida a ponto de esquecer Deus.

Os cristãos de Tessalônica nos ensinam: esperar Jesus não significa abandonar nossas responsabilidades.

E Jesus nos ensina: viva normalmente, mas viva preparado.

A volta de Cristo não deve produzir em nós especulações sobre datas, mas transformação de vida.

Não precisamos saber o dia da volta de Jesus. Precisamos apenas viver cada dia como pessoas que estão prontas para encontrá-lo.

Vivamos com os pés na terra, mas com os olhos fixos nos céus.