“Quando você for com o seu adversário ao magistrado, faça o possível para chegar a um acordo com ele enquanto vocês estão a caminho, para não acontecer que ele arraste você ao juiz, o juiz entregue você ao oficial de justiça e o oficial de justiça ponha você na prisão.” — Lucas 12:58
Jesus utiliza um exemplo prático para ensinar verdades espirituais. Como servidor do Poder Judiciário, sei o quanto a tentativa de acordo entre os litigantes, de forma extrajudicial, é mais vantajosa para ambos. Até chegar ao magistrado, tempo, dinheiro e energia são desperdiçados. Mas, pela dureza do coração das pessoas, preferem “processar” ao invés de acordar (Mateus 19:8).
Dentro do contexto de todo esse capítulo do evangelho de Lucas — especialmente porque muito dele fala da volta de Jesus e do julgamento que virá —, aqui parece-me que Deus é, ao mesmo tempo, o adversário e o magistrado, ou juiz.
Toda a humanidade tornou-se inimiga de Deus quando Adão e Eva pecaram no paraíso. Expulsos dali, seu destino era a perdição eterna. Ao contrário do que muitos dizem, a ira faz parte da natureza divina.
“O Senhor é Deus zeloso e vingador; o Senhor é vingador e cheio de ira; o Senhor toma vingança contra os seus adversários e reserva indignação para os seus inimigos.” — Naum 1:2
Ter a Deus como adversário é algo que a Palavra dele diz ser terrível:
“Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo.” — Hebreus 10:31
Tanto que, antes de alguém tornar-se seguidor de Jesus, é chamado pela Bíblia de filho da ira:
“Entre eles também nós todos andamos no passado, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como também os demais.” — Efésios 2:3
Deus não podia deixar impunes os nossos pecados e, por isso, na pessoa de Jesus, os tomou por nós. Por isso a Bíblia diz que Jesus é a propiciação, ou o aplacador, da ira de Deus. Deus continua irado com a humanidade pecadora — nesse sentido, é adversário. Mas, em Jesus, podemos nos tornar amigos de Deus.
“E ele é a propiciação pelos nossos pecados — e não somente pelos nossos próprios, mas também pelos do mundo inteiro.” — 1 João 2:2
“Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; quem se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus.” — João 3:36
“Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio do nosso Senhor Jesus Cristo.” — Romanos 5:1
Vejamos as palavras do Senhor Jesus: “Faça o possível para chegar a um acordo com ele enquanto vocês estão a caminho.”
Em determinado momento, entramos neste mundo. O meu foi em 1973. Pense no seu. Há 52 anos estou caminhando para a eternidade. E ela é com Deus (no céu) ou sem Deus (no inferno). A escolha é minha; a escolha é de cada pessoa.
Graças a Deus, bem no início da minha caminhada, eu acenei ao Senhor com a bandeira branca e, por isso, estou em paz com Ele. Conforme outra parábola contada por Jesus:
“Ou qual é o rei que, indo para combater outro rei, não se assenta primeiro para calcular se, com dez mil homens, poderá enfrentar o que vem contra ele com vinte mil? Caso contrário, estando o outro ainda longe, envia-lhe uma embaixada, pedindo condições de paz.” — Lucas 14:31-32
Temos, em média, 80 anos para viver nesta terra — caminhando para a eternidade — para fazermos as pazes com Deus. Alguns já nascem num berço cristão, conhecem essa realidade desde cedo e podem fazer isso logo. Porém, outros, mesmo nascendo com tal privilégio, às vezes rebelam-se diretamente contra Deus. Outros, além de não ter esse privilégio, passam a vida inteira brigados com o Criador.
Que coisa horrível chegar ante o Juiz do Universo ainda brigado com Ele, sem contar com a defesa do advogado Jesus Cristo (1 João 2:1)!
Temos oferecido um estudo bíblico com o título “Que farei para ser salvo?”. É uma oportunidade para as pessoas verem, pela Palavra, qual é a sua situação hoje: estão em paz com Deus ou em guerra com Ele? Algumas estão em guerra e nem sabem. É o objetivo do estudo: abrir-lhes os olhos (2 Coríntios 4:3-4).
Portanto, enquanto estamos a caminho da eternidade, façamos uma avaliação de nossa vida. Já estamos em paz com Deus? Já acenamos a Ele com nossa bandeirinha branca?











