Em Lucas 18:18-23 nós encontramos a história do jovem rico e pouco mais à frente em Lucas 19:1-10 encontramos a história de Zaqueu. Vamos analisar essas duas passagens e ver como Deus trabalha de forma maravilhosa e muitas vezes não percebemos esse agir de Deus, perdendo muito daquilo que podemos aprender do Mestre.
Na conversa de Jesus com o jovem rico fica claro que esse jovem tinha muitas qualidades e conhecia e seguia a Lei de Moisés pois ele dizia que observava isso desde a sua mocidade. Podemos ver alguém que se esforçava por manter uma vida dentro daquilo que era esperado para um seguidor de Cristo. O próprio Jesus vai dizer a ele que lhe faltava apenas uma coisa.
No caso de Zaqueu ele era um publicano e, como todo publicano, odiado pelos judeus pois era considerado um traidor de seu povo pois trabalhava para o império romano, cobrando impostos de seu próprio povo, muitas vezes de forma abusiva para seu próprio benefício, enriquecendo-se em cima do sofrimento de seu próprio povo.
O jovem rico vai chegar até Jesus de uma forma direta, aparentemente sem dificuldades e, na conversa com o Mestre, vai dizer sobre sua vida e seu esforço em buscar fazer aquilo que a Lei mandava e encontramos, aparentemente, uma atitude sincera em querer saber sobre como melhorar seu relacionamento com Deus a fim de alcançar a salvação.
Zaqueu, ao contrário, já demonstra sua dificuldade nesse contato com Jesus, seja devido à sua própria limitação de altura física tendo que subir numa árvore para conseguir ver Jesus seja pela própria dificuldade em enfrentar a multidão que certamente não o via com bons olhos. Também há que se notar o inusitado da cena em que um homem rico, bem posicionado na sociedade, provavelmente usando roupas vistosas e caras, se esforçando por subir numa árvore.
Jesus, ao ser perguntado pelo jovem rico sobre o que deveria fazer para receber a salvação e, certamente olhando para dentro do coração daquele jovem, lhe diz que só faltava a ele uma coisa, que no seu caso era abrir mão da riqueza. Não preciso dizer aqui que Jesus não estava exigindo que esse jovem se desfizesse de suas riquezas em prol do evangelho (como infelizmente muitos grupos religiosos distorcem essa passagem para obterem lucros pessoais), mas sim que Jesus sabia que o coração daquele jovem tinha outras prioridades.
Zaqueu, ao contrário do jovem rico, sabia de suas limitações, seus erros e seus pecados e, ao tentar ver Jesus, na verdade foi ele que foi achado, pois é Jesus quem o encontra em cima da árvore, pede para ele descer e diz que vai até sua casa. Aquele que estava procurando foi achado pelo simples fato de colocar seu coração verdadeiramente à disposição de Jesus.
O jovem rico, ao ser colocado frente a frente com seus desejos mais íntimos, acabou por escolher continuar com aquilo que, para ele, era o mais importante, no caso foram suas riquezas.
Zaqueu, ao ser encontrado por Jesus, teve o coração sincero e voltado para Cristo, reconhecendo seus erros, querendo ser perdoado e mostrando os frutos desse arrependimento ao se dispor a devolver aquilo que tinha defraudado e até mesmo acima daquilo que a Lei ordenava (em Levítico 6:1-7 vemos que a Lei ordenava a restituição da quinta parte do que foi roubado; Zaqueu se propôs a devolver quatro vezes mais).
No caso do jovem rico, Jesus vai dizer nos versículos 24 e 25 sobre a dificuldade de um rico entrar no reino de Deus -: “E Jesus, vendo-o assim triste, disse: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riqueza! Porque é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus”.
No caso de Zaqueu, aquele que era um pecador, desonesto, odiado pelo povo, mas que se esforça por ver Jesus, tendo sido achado, demonstra arrependimento sincero, escuta Jesus falando -: “Então, Jesus lhe disse: Hoje, houve salvação nesta casa, pois que também este é filho de Abraão. Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido.”
Parece que, pelo menos no caso de Zaqueu, o camelo passou pelo fundo da agulha!











