Nada Pode Nos Separar: Nem A Morte Nem A Vida

Nada Pode Nos Separar: Nem A Morte Nem A Vida

Romanos 8:38-39: “Porque eu estou bem certo de que nem a MORTE, nem a VIDA […] poderá nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.”

No artigo passado começamos nossa caminhada por Romanos 8:38-39 com a declaração de Paulo: “Porque eu estou bem certo…”

Paulo não está expressando uma esperança vaga. Ele fala de uma convicção profunda. Depois de experimentar sofrimento, perseguição, perigos e tantas dificuldades, ele chegou a uma certeza: nada pode separar o filho de Deus do amor de Deus que está em Cristo Jesus.

E hoje começamos a olhar para aquilo que Paulo apresenta como incapaz de nos separar desse amor. O primeiro par é surpreendente: “Nem a morte, nem a vida.”

A VIDA pode tentar nos afastar. Normalmente pensamos que o problema está nas dificuldades da vida. Mas Paulo inclui simplesmente “a vida”. Por quê?

Porque a vida, com todas as suas possibilidades, também pode tentar nos afastar de Deus. Uma vida longa pode nos dar a impressão de que temos muito tempo e deixarmos para pensar em Deus “mais tarde”. O sucesso pode alimentar nosso orgulho. A prosperidade pode fazer com que deixemos de depender do Senhor. As conquistas podem ocupar o lugar que pertence ao Criador.

Um exemplo interessante é o rei Ezequias. Quando estava doente, Deus lhe concedeu mais quinze anos de vida. Entretanto, depois de sua recuperação, Ezequias deixou que o orgulho tomasse conta de seu coração e mostrou aos enviados da Babilônia todos os seus tesouros e riquezas (2 Reis 20:12-19; 2 Crônicas 32:25-27).

Além disso, foi durante esses anos acrescentados à sua vida que nasceu Manassés, que posteriormente se tornou um dos reis mais perversos de Judá (2 Reis 21:1-9). A Bíblia não afirma que os quinze anos adicionais foram a causa do nascimento de Manassés ou dos pecados posteriores de Judá; mas o episódio nos lembra que mais vida não significa automaticamente mais fidelidade.

Podemos ter muitos anos e, ainda assim, perder o foco. Podemos conquistar muito e esquecer quem nos deu tudo. Podemos receber bênçãos e começar a confiar mais nas bênçãos do que no Abençoador.

Por isso, a pergunta não é simplesmente: “Quanto tempo ainda temos?” A pergunta é: “O que estamos fazendo com o tempo que Deus nos concedeu?” Às vezes, permitir que partamos mais cedo é a maneira de Deus nos livrar de um afastamento dele mais tarde e, assim, perdermos nossa alma.

A vida pode tentar nos afastar do amor de Deus através do prazer, da prosperidade, do sucesso, da família, dos projetos, das preocupações e até das bênçãos recebidas.

Mas Paulo afirma: Nem a vida pode nos separar do amor de Deus.

E A MORTE? Aqui está o outro extremo. A morte parece ser a grande separação. Ela separa marido e esposa, pais e filhos, amigos e irmãos. Ela encerra planos, interrompe conversas e nos coloca diante de algo que não podemos controlar. Mas nem mesmo a morte pode separar o cristão do amor de Deus.

No Antigo Testamento encontramos afirmações de que os mortos não louvam ao Senhor (Salmo 6:5; 115:17). Essas passagens estão relacionadas à realidade da morte e à ausência do morto na assembleia dos vivos. Mas, com a revelação plena do Novo Testamento, enxergamos algo ainda maior: a morte não é o fim da esperança daquele que pertence a Cristo.

Hebreus 11 nos apresenta homens e mulheres que viveram pela fé e morreram confiando em Deus. E há uma frase especialmente poderosa sobre Abel: “Depois de morto, ainda fala.” (Hebreus 11:4). Abel morreu, mas sua fé continuou testemunhando. Um exemplo: aos domingos, na coleta, é frequente os irmãos usarem Abel como exemplo daquele que faz questão de dar a Deus as primícias, além do fato dele próprio ter sido aceito primeiro e depois sua oferta (Gênesis 4:4).

O escritor de Hebreus chega ao capítulo 12 dizendo que estamos rodeados por uma grande “nuvem de testemunhas” e nos chama a correr com perseverança, olhando para Jesus (Hebreus 12:1-2). Essas testemunhas não precisam ser entendidas como pessoas mortas literalmente nos observando do céu; o ponto do texto é que o testemunho deixado por aqueles que viveram pela fé continua falando conosco.

É por isso que a morte não conseguiu separar Abel do propósito de Deus. Não conseguiu apagar sua fé.

E Hebreus 13:7 nos lembra daqueles que nos ensinaram a Palavra e cuja fé devemos imitar. A morte pode levar o servo de Deus, mas não consegue apagar aquilo que Deus realizou através dele.

Paulo tinha uma perspectiva diferente sobre a morte. Talvez ninguém expresse isso melhor do que ele. Escrevendo aos filipenses, disse: “Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro.” (Filipenses 1:21). E explicou: “Estou cercado pelos dois lados, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor. Mas, por causa de vocês, é mais necessário que eu continue a viver.” (Filipenses 1:23-24)

Paulo não desprezava a vida. Mas também não tinha medo da morte. Se vivesse, seria para Cristo. Se morresse, estaria com Cristo. A vida não poderia afastá-lo do amor de Deus. A morte também não. E aqui está a grande segurança

Talvez hoje você esteja vivendo uma fase em que a própria vida parece querer afastá-lo de Deus. Talvez sejam as conquistas, as perdas, os sonhos realizados ou os sonhos frustrados. Talvez você esteja preocupado com quanto tempo ainda tem. Ou enfrentando a realidade da morte de alguém que ama e esteja sentindo que a morte roubou tudo.

Romanos 8 nos lembra: Nem a vida, nem a morte têm a palavra final sobre aqueles que estão em Cristo. A vida pertence a Deus. A morte não escapa do domínio de o Senhor.

Em Cristo, nem mesmo a morte consegue nos separar daquele que nos ama. Por isso, podemos dizer com Paulo: “Porque eu estou bem certo…”

Se a vida não pode me separar do amor de Deus e a morte também não, então devemos viver cada dia para Cristo e enfrentarmos o último dia com a mesma confiança: Que segurança! Sou de Jesus!