OS PEQUENINOS DE DEUS

“Naquela hora, Jesus exultou no Espírito Santo e exclamou: — Graças Te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas dos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do Teu agrado.” — Lucas 10:21

O texto de hoje faz uma ligação com os acontecimentos anteriores. Após a volta dos 70 discípulos enviados para pregar, alegres porque os demônios se submetiam a eles, e após Jesus dizer que a alegria maior deveria ser em razão dos nomes deles estarem escritos no livro da vida, de repente, Lucas nos diz que Jesus demonstra uma alegria “fora do comum”, a ponto de a tradução que eu utilizo não captar corretamente.

Olhando outras traduções, vemos que Jesus, “pelo poder do Espírito Santo, ficou muito alegre” (NTLH), “Jesus ficou cheio da alegria do Espírito Santo”* (NBV), “Naquele momento, pelo poder do Espírito Santo, Jesus ficou muito alegre” (VFL) e “Naquele momento, Ele exultou de alegria sob a ação do Espírito Santo” (BJ).

Em vários momentos da vida de Jesus, é Deus Pai que se alegra com Seu Filho, como no momento do batismo (3:22) e da transfiguração (9:35). Aqui, é o Filho quem se alegra sob a ação do Espírito.

O Espírito Santo demonstra, através de Jesus aos Seus discípulos, qual deve ser a origem da verdadeira alegria. O fato de Deus esconder daqueles que “se acham”, os orgulhosos, e revelar de maneira graciosa aos pequeninos — no caso ali, referindo-se aos discípulos que, como crianças, se alegram por coisas tão pequenas —, é uma pequena demonstração do que viveriam e lhes seria revelado pelo Pai.

Em certo sentido, Jesus, naquele momento, é um desses pequeninos de Deus, que voluntariamente renunciou à Sua glória para caber num corpo humano e ser fiel a Deus Pai por um plano maior: salvar, no meio da humanidade, aqueles que se tornam pequeninos diante de Deus, conforme nos revelam as bem-aventuranças de Mateus 5.

Os pequeninos ali, entre outros adjetivos, são os pobres de espírito (v. 3), que reconhecem sua incapacidade de se salvarem, sem mérito nenhum diante de Deus, e por isso choram por seus pecados (v. 4).

Há tantos pequeninos relatados na Bíblia, mas vou citar dois: o publicano que nem ousava olhar para o alto no templo e dizia: “Ó Deus, sê propício a mim, pecador” (18:13), e a mulher grega que não se ofendeu quando Jesus disse que não podia tirar o pão dos filhos (povo de Israel) para dar aos cachorrinhos (gentios), mas respondeu com sabedoria e humildade: “Sim, Senhor, mas até os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos” (Mateus 15:27). Que humildade, a ponto de tocar profundamente o Senhor Jesus: “Mulher, que grande fé você tem! Que seja feito como você quer” (v. 28).

Finalmente, este texto lembrou-me da maneira como um irmão nosso, Randal, se identifica em suas redes sociais: “um dos pequeninos de Deus”, provavelmente baseado no texto de hoje. Sim, são a esses pequeninos — que sejamos todos assim — que Deus revela Seus planos, Sua grandeza, Seu poder e Sua majestade, capacitando-nos para, como os 70 discípulos, sermos capazes de fazer grandes proezas como instrumentos de Deus. Por Ele e para Ele.

“Em Deus faremos proezas, porque Ele mesmo pisará os nossos adversários.” — Salmos 60:12
“Pois contigo posso atacar exércitos; com o meu Deus salto muralhas.” — Salmos 18:29

Meus irmãos, Deus, nosso Pai, se alegra com os pequeninos. Que sejamos todos pequeninos de Deus.