Deus tem um plano melhor para nós…
“Ora, disse o Senhor a Abraão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma benção! Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gênesis 12:1-3)
No dia de nosso batismo confessamos Jesus não apenas como Salvador, mas também Senhor de nossas vidas. Uma vez que Ele é Senhor, tem poder para mandar em nossas vidas, bem como nas decisões que tomamos. Até onde vai esta confissão? Será apenas até o momento em que as minhas conveniências são atingidas? Será até a primeira tentação ou a primeira prova?
A Bíblia diz que não podemos servir a dois senhores, pois serviremos e amaremos a um deles e desprezamos ou daremos somente as sobras ao outro. Jesus afirma que não dá para servir a Deus e ao dinheiro, aqui personificado como todo o sistema que vai contra a vontade de Deus (Mateus 6:24). Na lição de hoje, através da história de Abraão, veremos o que significa repetir as palavras citadas no Pai Nosso, “Seja Feita a Tua Vontade, assim na terra como nos céus” (Mateus 6:10).
I – ABRAÃO – UM HOMEM QUE APRENDEU A CONFIAR EM DEUS
O trabalho de Deus na vida de Abraão foi esplêndido. Notamos a paciência do Senhor em esperar que Abraão fosse tudo aquilo que Ele desejava. Podemos ver através da vida de Abraão, que o trabalho de Deus na vida dos seus é aos poucos e contínuo (2 Coríntios 3:18). No texto acima lemos o primeiro contato de Deus com Abraão, na época ainda Abrão. Ele vivia em Ur dos caldeus, uma cidade idólatra, onde Jeová, apesar de conhecido e respeitado, deveria ser um dos muitos deuses adorados naquela região.
É um primeiro contato desafiador, pois o Senhor manda que Abraão deixe a segurança de sua terra e de seus parentes e parta para uma cidade que Ele mesmo mostraria a Abraão, mas desconhecida para ele naquele momento. É também um primeiro contato cheio de promessas do Senhor. Aos 75 anos Abraão obedece e sai da sua terra. É notável que entre as promessas de Deus estava implícita a promessa de um filho para Abraão e Sara, um casal já idoso, sendo ela estéril. Cerca de dez anos se passam e em Gênesis 15:1 vemos Deus animando a fé de Abraão, dizendo ser o seu escudo e desta vez a promessa de um filho é feita de maneira clara. Esperar no Senhor por meses ou alguns anos é até fácil. No entanto, vemos Abraão por uma década esperando o cumprimento das promessas de Deus.
Claro que houve momentos de falta de fé no patriarca, em especial quando expôs Sara ao perigo ao pedir-lhe que afirmasse serem apenas irmãos (como toda meia verdade, uma grande mentira). Também em razão da falta de fé do casal, Abraão tem um filho com sua escrava Hagar, Ismael. Agora Deus aparece a Abraão e afirma que seu galardão, sua recompensa será enorme.
Mais 15 anos se passam e em Gênesis 17:1 Abraão é um senhor de 99 anos e agora Deus aparece mais uma vez, repete suas promessas, muda o nome do casal, de Abrão e Sarai para Abraão e Sara, uma demonstração de sua nova posição nas promessas de Deus e na história futura de seu povo, descendentes de Abraão. Deus ainda afirma que dali a um ano nasceria o filho de Abraão, tão esperado por ele. Esta promessa soa tão absurda que Sara ri, um riso provavelmente de desesperança e incredulidade.
No entanto, 25 anos após aparecer a Abraão pela primeira vez, Deus cumpre sua promessa e nasce Isaque, cujo nome significa “riso”, no caso de Abraão e Sara, de um riso de incredulidade para um riso de alegria (Gênesis 21:1-2).
II – UMA ORDEM INCOERENTE
O nascimento de um filho sempre traz muita alegria para os seus pais. Em 19 de outubro de 2008 nasceu meu filho Josué, um verdadeiro presente de Deus para mim, minha esposa e nossa família como um todo. Imagine, então, como Abraão e Sara se sentiram? Esperar por tanto tempo e, enfim, receber Isaque, com certeza eles comemoraram muito, sorriram um sorriso de gratidão a Deus. Eu imagino Abraão segurando meio sem jeito a Isaque, algo normal para um pai novo. Imaginemos, então, Sara amamentando o seu filho pela primeira vez. Deve ter sido uma emoção muito forte. Naquele tempo não ter filhos era visto como um desfavor do próprio Deus. Assim, o nascimento de Isaque trouxe grande alegria aos corações de Sara e Abraão.
Não importam as noites mal dormidas, todas elas com certeza repletas de alegria. O bebê vai crescendo, o primeiro aninho de vida, com certeza uma festa foi feita para o filho da promessa. As primeiras palavras ditas por Isaque, os primeiros passos, as gracinhas ditas, as risadas… Abraão e Sara não se cabem de contentamento.
Os anos se passam e Abraão conta a Isaque que ele é o filho da promessa, promessas na realidade, feitas por Jeová Deus. O pai transmite a sua fé ao filho que cresce: 5, 8, 10, 12, 15, 16 anos… Abraão talvez pense estar no fim de sua vida, que tudo aquilo que Deus lhe tinha reservado já tinha acontecido, era esperar a a morte, feliz, sabendo que as bênçãos seriam transmitidas ao seu filho.
De repente nos deparamos com Gênesis 22:1-2: “Depois dessas coisas, pôs Deus Abraão à prova e lhe disse: Abraão! Este lhe disse: Eis-me aqui! Acrescentou Deus: Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei”
Deus faz questão de destacar a dificuldade que Abraão terá para cumprir sua ordem. Ele diz “teu filho”; “teu único filho”, “a quem amas”. A Bíblia não relata os sentimentos de Abraão, mas nós, como pais, podemos imaginar – Você que é pai, que ama os seus filhos, como se sentiria?
Deus nunca havia pedido um sacrifício humano. Como entender agora esse pedido? Provavelmente Abraão não contou para Sara, como mulher, mais emotiva. Fico imaginando a tensão, a angústia, a ansiedade de Abraão…
Não sabemos com certeza sobre os sentimentos de Abraão, mas de uma coisa sabemos, suas ações. Ele decidiu cumprir rapidamente as ordens de Deus – de fato, há ordens de Deus que se formos racionalizar e pensar, acabamos não cumprindo. Imagine Abraão e Isaque viajando para o monte Moriá, talvez Isaque dormindo sob os braços de Abraão. Eu fico imaginando Abraão pensando: “Deus prometeu este filho, que nasceu milagrosamente, é o filho da promessa. Ele nunca deixou de cumprir uma de suas promessas, deixará agora?”.
Vemos também a atitude de fé de Abraão em 22:5-8, sua certeza de que voltaria com Isaque. Hebreus 11:19 interpreta esta atitude de Abraão como a certeza de que, se necessário, Deus ressuscitaria Isaque, mas não deixaria cair por terra as suas palavras. Isaque pergunta a seu pai: “temos a lenha, a faca, cadê o sacrifício”. A resposta de Abraão “Jeová Jireh” ou “o Senhor provará” é digna de alguém que, por experiência, aprendeu a confiar em Deus.
Mesmo Isaque demonstra uma atitude de fé, um jovem de 16 anos que poderia facilmente resistir ao seu idoso pai de 116 anos. Assim vemos o exemplo de um filho submisso a seu pai e mais ainda a Deus. Abraão está para imolar o seu filho quando o anjo do céu brada: “Pare, Abraão! Sua fé foi provada e aprovada!” Como é bom seguir a Deus até as últimas consequências.
“Sim, Abraão, você ama a seu filho Isaque, mas ama ainda mais a mim. E eu, como Jeova Jireh, aquele que provém, vou providenciar o holocausto que aceito. Você será muito abençoado, através de você todas as famílias da terra serão abençoadas” e séculos depois o apóstolo Paulo diz que os que vivem na fé são filhos espirituais de Abraão (Gálatas 3:7).
A prova acabou, o herói da fé foi aprovado e agora retorna para sua casa junto com seu amado filho Isaque.
LIÇÕES PARA OS DIAS DE HOJE
1. Jesus, de fato, é o Senhor de minha vida? Cheguei ao ponto de entregar toda a minha vida para Ele? Ou existem reservas ou cômodos de minha vida ainda não entregues ao Seu Senhorio? Com quem firmei meu compromisso no dia de meu batismo? Com um sistema religioso? Com um livro? Ou com uma pessoa, com Jesus, o Filho de Deus?
2. Em nossa vida Deus tem nos abençoado muito: esposa ou marido, filhos,
trabalho, sustento, bens… Será que estou fazendo dessas bênçãos o meu Deus? Estou adorando mais a criatura do que o Criador?
3. Confio em Deus a ponto de obedecer mesmo os mandamentos que não fazem sentido à minha mente, que parecem contraditórios? O Senhor tem um plano melhor para a minha vida, muito melhor do que os meus planos. As ordens de Deus, por mais contraditórias que pareçam, sempre nos abençoarão quando obedecidas.
4. Deus não estava interessado na morte de Isaque, mas no coração de Abraão. Ele não precisa do nosso dinheiro, do nosso tempo, dos nossos bens. Às vezes Ele nos prova pedindo essas coisas para saber a quem pertence o nosso coração – a estas coisas ou a Ele?
5. Quando devolvemos para Deus – bens, filhos, nossa vida, Ele amorosamente nos devolve muito mais. É o princípio da coleta, tão mal interpretado. Deus continua sendo o “Jeová Jireh”, aquele que vê antes e cuida antes do que precisamos. Um homem disse a um verdadeiro cristão: “Eu daria qualquer e todas as coisas do mundo para ter a sua paz” – “Mas isto é exatamente o preço da paz”, respondeu o servo de Deus.
6. Nunca chegamos ao ponto máximo de nossa fé. Não há aposentadoria na vida cristã. Em qualquer tempo Deus pode nos utilizar, fazer muito em nossas vidas. Basta estarmos à disposição
CONCLUSÃO
Sim, a minha e a sua fé talvez não sejam tão fortes como a fé de Abraão. Existe, porém, uma boa notícia: a obra de Deus em nossas vidas está apenas começando e Ele vai terminar até o dia final (Filipenses 1:6). Lembremos que Abraão esperou 25 anos para receber a primeira promessa feita por Deus. Após andar com Deus por cerca de 40 anos Abraão estava pronto para entregar a Ele o seu amado filho.
Há momentos de incredulidade em nossas vidas? Na vida de Abraão também houve. Ele é o pai da fé não porque nunca teve dúvidas, mas porque mesmo em dúvidas, continuou, PERMANECEU (o segredo da vida cristã vitoriosa) seguindo o seu Deus.
Sim, nós temos os nossos momentos de dúvidas, de falta de fé, parece que Deus não está ao nosso lado. Olha só a promessa feita pelo nosso irmão mais velho, Jesus Cristo que, como Isaque, foi sacrificado (até o fim), no caso do Mestre por amor a cada um de nós:
“Todo aquele que o Pai me dá; esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora” – João 6:37
Que Deus abençoe a nossa jornada vivida na fé e por fé. Amém!











