coerente

VIVAMOS O EVANGELHO DE FORMA COERENTE



“Mas Jesus respondeu: — Ai de vocês também, intérpretes da Lei! Porque sobrecarregam os outros com fardos superiores às suas forças, mas vocês nem sequer com um dedo tocam nesses fardos.” — Lucas 11:46

Na época de Jesus, a religião tinha se tornado um peso na vida das pessoas. O próprio apóstolo Pedro, posteriormente, reconhece a impossibilidade de se cumprir os mais de 600 pontos da lei mosaica:

“Agora, pois, por que vocês querem tentar a Deus, pondo sobre o pescoço dos discípulos um jugo que nem os nossos pais puderam suportar, nem nós?” — Atos 15:10

Além dos mandamentos em si, os fariseus — especialmente os intérpretes da Lei —, na tentativa de dar clareza aos preceitos divinos, haviam acrescentado detalhes ao cumprimento da lei. Surgiram assim as chamadas tradições dos antigos, que tornavam obrigatório, por exemplo, o lavar das mãos antes das refeições, como se fosse algo espiritual. Isso também foi criticado pelo Senhor Jesus:

“O fariseu admirou-se ao ver que Jesus não tinha se lavado antes de comer.” — Lucas 11:38

Dessa forma, algo instituído por Deus para o descanso do ser humano — como o sábado — havia se tornado um fardo pesado. Tanto que o Senhor foi criticado por ter feito o bem, isto é, por ter curado uma pessoa no dia de sábado:

“Jesus acrescentou: — O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado.” — Marcos 2:27

Jesus critica aqui o que foi acrescentado à Lei de Moisés pelos religiosos. E pior: a maioria deles nem sequer cumpria aquilo que haviam imposto aos outros. Daí a razão de serem chamados de hipócritas pelo Mestre. A tradição, algo extrabíblico, havia se tornado um peso para as pessoas.

O texto de hoje me fez pensar em duas aplicações. A primeira delas, na condição de pai, lembrei-me do que está escrito na carta de Paulo aos Colossenses:

“Pais, não irritem os seus filhos, para que eles não fiquem desanimados.” — Colossenses 3:21

Às vezes, na boa intenção de querer que nossos filhos cresçam, cobramos deles algo que nós, em nossa época, não conseguíamos fazer. E ainda pior: podemos exigir deles o que eles não nos veem praticando no dia a dia.

Como exemplo, cito o pai que exige dos filhos notas máximas na escola — nada menos que 10 —, mas que, em sua juventude, era aluno medíocre, cujas maiores notas eram 6. Cuidado: isso pode ser visto como hipocrisia.

Ou exigimos dos filhos participação nas atividades da igreja, mas faltamos frequentemente às nossas próprias reuniões. Que exijam que os filhos leiam a Bíblia com regularidade, mas estes raramente veem os pais com o livro sagrado nas mãos. Que cobrem dos filhos respeito pela mãe ou pelo pai, mas tratam o cônjuge com amargura e grosseria diante deles. Cuidado para não sermos vistos pelos filhos como fariseus.

Finalmente, nós, que frequentemente levamos a Palavra de Deus aos irmãos, precisamos tomar cuidado para não suavizar a Palavra. Ou, ainda pior, sermos conhecidos como “pregadores do chicote” — aqueles que só exigem mudanças que os irmãos não veem em nossa própria vida. É triste ouvir de um irmão uma mensagem baseada nas Escrituras, mas que não faz parte da prática do próprio pregador.

Claro que devemos pregar toda a verdade de Deus. Mas precisamos ter a humildade de reconhecer os pontos em que também temos dificuldade em obedecer, e pedir aos irmãos que orem por nós.

Permitindo Deus, no próximo artigo encerrarei os comentários sobre as correções de Jesus à postura dos fariseus e intérpretes da Lei.