Lembro-me como se fosse hoje do que me disse o irmão que me ensinou a Palavra de Deus e que me levou a decidir descer às águas do batismo, em agosto de 1988: “Faça todo o esforço para participar de todas as reuniões da igreja.”
Ao longo dessas quase quatro décadas, dificilmente faltei a uma reunião da igreja, qualquer que fosse ela. Mas dedico um esforço especial para estar presente na principal reunião da igreja: o culto de domingo. Dos 52 domingos do ano de 2025, faltei ao culto em apenas um deles. Quando não estou presente na congregação local nos Pimentas, estou reunido com irmãos de outra comunidade cristã.
Qual é a razão dessa perseverança? A resposta está nas palavras do próprio Senhor Jesus: “Tenho desejado ansiosamente comer esta Páscoa com vocês, antes do meu sofrimento. Pois eu lhes digo que nunca mais a comerei, até que ela se cumpra no Reino de Deus” (Lucas 22:15-16). “Isto é o meu corpo, que é dado por vocês; façam isto em memória de mim. […] Este cálice é a nova aliança no meu sangue, derramado por vocês” (Lucas 22:19-20).
Com relação à expressão “até que ela se cumpra no Reino de Deus”, muitos a associam exclusivamente às bodas do Cordeiro, que ocorrerão na volta de Cristo. Essa interpretação é bíblica e verdadeira (Apocalipse 19:7-9). Contudo, considerando que o Reino de Deus já se manifesta de forma presente por meio da igreja, há um cumprimento antecipado e contínuo dessa promessa.
Assim, a cada celebração da Ceia do Senhor, Cristo, ressuscitado e glorificado, cumpre esse ato com o seu povo. Não de maneira física, mas real e espiritual, conforme Ele mesmo prometeu estar com a sua igreja. Há quase dois mil anos, a igreja celebra a Ceia no primeiro dia da semana, o dia em que o Senhor ressuscitou dos mortos (Atos 20:7). Paulo ensina: “Porque, todas as vezes que comerem este pão e beberem este cálice, vocês anunciam a morte do Senhor, até que ele venha” (1 Coríntios 11:26).
Celebrar a Ceia é um ato profundamente cristológico: anuncia a morte de Cristo, proclama sua ressurreição, reconhece seu senhorio presente e aponta para sua vinda futura. Ele reina à direita de Deus Pai e governa a sua igreja.
Essa compreensão explica por que os primeiros cristãos perseveravam “na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações” (Atos 2:42).
A Ceia do Senhor nunca foi um elemento secundário da vida cristã, mas parte essencial da comunhão da igreja.
Sim, Jesus prometeu estar conosco todos os dias, até o fim dos tempos (Mateus 28:20). Contudo, há uma manifestação especial de sua presença quando o seu povo se reúne, especialmente durante a Ceia — também chamada de eucaristia, isto é, ação de graças —, quando a igreja recorda, celebra e proclama o sacrifício de Cristo. Ele ordenou: “Façam isto em memória de mim”.
Tenho dificuldade em compreender o cristão que troca o momento de comunhão com os irmãos — e, de modo especial, o cear com o Senhor — por lazer, desânimo diante dos problemas da vida ou, como alguns admitem, por simples preguiça.
Cear com o Senhor é manter comunhão com os irmãos e, acima de tudo, é desfrutar da comunhão com o próprio Cristo. Essa realidade é motivo mais do que suficiente para reorganizar prioridades e, se necessário, desmarcar qualquer outro compromisso.











