A Parábola Do Filho Perdido, Parte 1

A Parábola Do Filho Perdido, Parte 1

“Jesus continuou: — Certo homem tinha dois filhos. O mais moço deles disse ao pai: “Pai, quero que o senhor me dê a parte dos bens que me cabe.” E o pai repartiu os bens entre eles.” (Lucas 15:11-12)

A história do filho que se perdeu é continuidade das parábolas de Jesus sobre a maneira como Deus trata o pecador ou aquele que se perde. Tem lições muito importantes, pois nos mostram também como devemos tratar os irmãos que se afastam do corpo: por fraqueza deles (a ovelha), por descuido nosso (a moeda) ou por rebeldia e ingratidão (o filho).

Pretendo gastar alguns dias falando dessa parábola, que emociona e é riquíssima em ensinamentos, mas também um pouco mal compreendida, especialmente quando nos deixamos levar muito pelo lado emocional e nos afastamos do texto.

Esta parábola tem lições que podemos aplicar com os nossos filhos, pois Deus, o Pai perfeito, é representado pelo pai da história. É formidável a maneira como ele age com o filho rebelde, mas também com o que ficou em casa.

Esse homem tinha dois filhos e, um dia, o mais moço pediu parte da sua herança. Essa atitude demonstra ingratidão e desrespeito para com o pai, pois, normalmente, a herança seria repartida após a morte dele. Esse rapaz deve ser bem jovem e talvez estivesse cansado daquela vida ordeira, mas também, para ele, monótona, na casa do pai. Desejava, provavelmente, “curtir a vida adoidado”, como alguns jovens hoje em dia fazem. E alguns de nós fizemos isso quando estávamos na juventude.

Ele também não é sábio, pois sua parte na herança corresponderia a 1/3 dos bens, uma vez que o filho mais velho tinha direito à porção dobrada (Deuteronômio 21:7). Por isso, não estranhemos como o filho gastou tão rápido o valor recebido. Para ele, na sua imaturidade, era uma fortuna; mas, na realidade, provavelmente não era tanto assim. Lembro-me dos jovens na casa dos pais, tão gastões, até precisarem administrar a própria vida e verem o duro que é ganhar o pão de cada dia (Gênesis 3:19) e, especialmente, administrá-lo.

Esse pai é sábio; por isso, representa Deus. Não vemos o pai gritando com o filho, desesperado, fazendo chantagem emocional ou coisa semelhante. Olhemos novamente o texto: “E o pai repartiu os bens entre eles.”

Essa atitude do pai precisamos ter com nossos filhos quando tomam decisões erradas ou se rebelam e fazem do jeito que querem, mesmo sabendo que irão colher más consequências. Até uns 10 ou 12 anos, temos quase total controle sobre as decisões dos filhos. Após essa idade, e especialmente quando se tornam maiores, nosso papel como pais é aconselhar e orar para que nos ouçam. Caso decidam fazer do seu jeito, podemos aconselhar e insistir; mas, se se mostrarem irredutíveis, precisamos, com calma, permitir que tomem as suas decisões.

O mesmo pode ser aplicado a um irmão em Cristo rebelde. Ele se afasta da igreja, o reino de Deus. Vamos visitá-los, orar por eles, insistir e tentar agir de forma dócil (1 Tessalonicenses 2:7). Mesmo assim, se quiserem permanecer afastados, nosso papel, como o do pai, é deixar que tomem as suas decisões e permanecer em oração, na expectativa de que mudem de ideia (2 Timóteo 2:24-26) ou, como o filho dessa história, sofram as consequências e voltem transformados.

Como pais e irmãos em Cristo mais velhos, precisamos entregar aquele filho ou irmão rebelde nas mãos de Deus e aguardar todo o processo do Senhor. Ele tem uma disciplina perfeita. Outro disciplinador terrível é o mundo, que não age com o mesmo amor com que nós agimos com os filhos. Gosto da frase a seguir, muito verdadeira:

“Quando seus pais tentarem te ensinar, procure aprender, porque a vida não ensina com o mesmo amor.”

Creio que escrevi o suficiente sobre esse início da história do filho que se perdeu. É uma história riquíssima em ensinamentos e, como disse lá atrás, traz lições importantes para nós, pais, no trato com os nossos filhos, e também para nós, cuidadores (pastores ou evangelistas), no trato com os irmãos em Cristo.

Permitindo Deus, semana que vem continuamos.