Ser o primeiro lugar… Chegar em primeiro lugar…
É o deseja a maioria de nós lá no fundo da alma, mesmo que não tenhamos coragem para confessar isso. O pai, cheio de si, conta ao amigo: “Meu filho tirou a maior nota na sua sala.”
“Mas Jesus, chamando-os para junto de si, disse-lhes: Sabeis que os que são considerados governadores dos povos têm-nos sob seu domínio, e sobre eles os seus maiorais exercem autoridade. Mas entre vós não é assim; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos. Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” – Marcos 10:42-45
Responda pra você mesmo: “Quem foi o vice-campeão brasileiro de futebol?” Ninguém quase se lembra, somente do campeão.
Há algo dentro de nós que não se contenta em ser mais um apenas, queremos o primeiro lugar… O mais respeitado na empresa, na escola, na família e, infelizmente, mesmo na igreja. Queremos influenciar, queremos mandar, queremos…
A razão de muitas igrejas terem conflitos e se dividirem, quase sempre não é doutrinário, é EGO: “Fui magoado! Quem fulano pensa que é pra me tratar assim? Ele não sabe com quem está falando…”
Infelizmente, depois da queda, fomos contaminados pelo diabo, que não aceitou ser um anjo de Deus, segundo a maioria das interpretações, ele queria ser como Deus e infundiu isto em Eva, Adão e depois todos os seres humanos.
O texto completo da ilustração que utilizo (Marcos 10:35-45), nos fala da tentativa de Tiago e João “furarem os olhos” dos demais apóstolos de Jesus. O Senhor os tinha chamado de irmãos “Boanerges” ou filhos do trovão, provavelmente por causa de seu temperamento explosivo (Marcos 3:17). Talvez fossem do tipo que não levava desaforo pra casa. Certa vez os samaritanos não quiserem receber Jesus e eles perguntaram a Jesus se o Mestre permitia que descesse fogo do céu para acabar com seus desafetos. (Lucas 9:54). É como se estivessem dizendo: “Quem eles pensam que são pra não nos receber…”
Tiago e João, como nossos políticos hoje em dia, ansiavam pelos cargos que ocupariam no futuro reino terreno de Jesus (infelizmente não tinham entendido ainda que o reino de Jesus seria espiritual). Queriam “pouco”. Apenas serem os principais ministros de Jesus (sentar à direita e à esquerda) em detrimento dos 10 outros apóstolos.
Jesus, na sua sabedoria, responde: “Vocês estão preparados pra isto?” – às vezes queremos privilégios sem saber se estamos prontos para tamanha responsabilidade. Alguém me falou esta semana: “Que feliz o sujeito que ganhou a megasena? O que você faria com 18 milhões de reais.” Eu disse: “Dispenso! Não quero esta responsabilidade pra mim”. Terei que prestar contas a Deus da maneira como iria administrar essa bolada. Eu mal consigo administrar meu salariozinho mensal.” Queremos os privilégios de influenciar, de nos parecer importantes, sem pensar se estamos preparados para lidar com isso.
“Vocês vão beber o cálice que beberei? Serão batizados com o batismo que serei batizado” – disse Jesus. Eles nem sabiam o que Jesus estava perguntando. Eles, como tolos sem conhecimento, responderam: “Sim!”
“De fato, vocês vão beber o cálice que beberei e serão batizados com o batismo que serei batizado”. Mal eles sabiam que esse cálice, seria a honra de sofrer e morrer pelo evangelho, como aconteceu com Tiago logo no início da igreja em Atos 12. João seria perseguido e exilado numa ilha por causa de sua fé é Jesus.
“Mas, quanto ao lugar de honra, não é da minha competência”, disse Jesus, reconhecendo que aquilo caberia ao seu Pai.
Este acontecimento criou uma oportunidade de mais uma vez Jesus ensinar aos seus seguidores. No vs. 41 lemos que os 10 ficaram zangados com Tiago e João, não pelo pedido sem sabedoria e inoportuno, mas porque os dois verbalizaram aquilo que estava em seus corações: quem de nós é o mais importante no grupo de Jesus? (Marcos 9:34)
Fico imaginando a tristeza de Jesus por seus seguidores entenderem tão pouco sobre a natureza do seu reino. O vs. 42 diz que Jesus, “chamando-os para junto de si”. Esta parte me toca. Lembra um pai que quando o filho erra, ao invés de afastá-lo de si, o chama para mais perto, desejoso de ensinar-lhe. É como o pai ou a mãe de criança ainda pequena, diante do erro do filho, dizer: “Filho, senta aqui no colo do papai, que quero te dizer algumas coisas”. Se já adolescente, a mãe diz: “Filha, sente aqui, ouve o que quero lhe dizer.”
De maneira firme, mas também amorosa, Jesus diz: “vocês estão acostumados com esse tipo de liderança, na base da força” Sim, na sociedade, no mundo, existem os maiorais, os mais importantes, os benfeitores, eles mandam, exercem autoridade, eles oprimem, eles exigem submissão e respeito, eles querem ser chamados por títulos (doutor, excelência, meritíssimo, entre outros). No vs. 43, o Senhor diz: “Mas, entre vocês não é assim…”. É como se o Senhor estivesse dizendo: “Se vocês querem ser meus seguidores, meus discípulos, participarem do meu reino, precisam mudar de ideia sobre isso, sobre a maneira de se relacionar.”
“O grande entre vocês é o pequeno”, diz Jesus. Na igreja de Jesus o mais importante é que aquele que aceita ser o capacho de todos, o escravo, o garçom, o servidor de todos. (Oh! Senhor, como esta lição é difícil de ser aprendida, tem misericórdia de nós).
Por que Jesus exige isto de mim e de você, meu irmão em Cristo, seguidor do Mestre? Porque Ele fez isto durante os anos que esteve entre nós: nasceu, viveu, serviu e morreu nos servindo, até chegar àquela horrenda cruz. E quando topamos “baixar a bola”, sermos humildes, nada mais estamos fazendo do que seguir as pegadas do Mestre Jesus, sendo um cristão verdadeiro, um discípulo.
“Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos” – 1 Pedro 2:21
Jesus termina dizendo que: “o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” (vs. 45)
A vida de Jesus na terra foi um escândalo. João nos diz em seu evangelho: “No princípio era o verbo, e o verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus… Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez.” 1:1,3
Jesus era o próprio Deus, criou tudo, o Senhor do Universo. Porém, no vs. 13, ele diz: “E o verbo se fez carne e habitou entre nós”. Jesus armou sua tenda, tabernaculou, para viver entre nós. Fomos visitados pelo próprio Deus, que privilégio! Ele topou se despir de toda a sua glória para viver no corpo de um bebê e depois de um homem. Você já imaginou que quando os pastores, na noite do nascimento de Jesus, o foram visitar, encontraram uma criança que acabara de fazer cocô e estava sendo limpo (sim, limpando o bumbum) ou tinha dado uma gorfada do leite em sua mãe. Deus se fazer homem é um escândalo, o cúmulo de alguém abrir mão, de renunciar. E tudo isto por amor às suas criaturas.
Leia Marcos 8:27-35 e 9:33-37 e veja a dificuldade que os apóstolos tiverem em aceitar aquele “Messias estranho”. Não um general que derrotaria o império romano ou destruiria todos os seus inimigos. Não alguém forte para destruir, mas alguém forte o suficiente para renunciar, disposto a dar a sua própria vida por amor dos seus inimigos. Diversas vezes Jesus teve que repetir esta lição, como tem que repetir para nós, dia a dia, suas lições. Os 66 livros da Bíblia são 66 repetições de Deus, dizendo o quanto nos ama e quer o melhor pra nós. Basta obedecermos.
A igreja de Jesus é uma família de servos, de escravos, de garçons. Nosso Mestre viveu na prática este exemplo. Por 33 anos amou a humanidade e nos 3 anos de ministério, serviu seus apóstolos, lavou seus pés, e como seus seguidores, somos chamados a fazer o mesmo.
Servir quando abrimos um sorriso, quando abrimos a porta, quando limpamos a mesa, quando somos gentis…. Façamos de cada gesto um serviço. Assim colocamos o nosso coração, engrandecendo ao outro com nossas palavras, façamos de cada olhar um encanto. Façamos de nossa presença uma entrega, de nossas vidas uma contínua morte, até o ponto em que a entregamos, a exemplo do que fez Jesus.
O Filho do homem veio para servir e dar a vida para o resgate por uma multidão (Mateus 20, 28). Ali no Calvário Jesus fica nu na cruz, é Nosso Senhor que nos diz para trilharmos este caminho de serviço, dando a vida aos outros, aos irmãos.
“Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1:38), disse Maria, diante do privilégio de ser a mãe do Salvador do mundo. Precisamos ter esse mesmo coração de Maria.
Que possamos dizer, “eis aqui o teu servo, para…”
Preparar uma mensagem para os irmãos…
Para ajudar dirigindo os cânticos no culto…
Para ser professor na Escola Dominical…
Para servir como evangelista…
Para participar de um dos diversos ministérios da igreja…
Mas também, “Eis aqui o seu servo, para…”
Abrir o prédio da igreja, varrer o chão, recolher um lixo…
Preparar a ceia antes do culto…
Lavar os banheiros…
Abrir a casa para receber um irmão…
Abrir a casa para uma reunião da igreja…
Receber em casa alguém que precisa de uma palavra de consolo…
Usar o carro e gastar gasolina e sola do sapato visitando um irmão ou alguém que está se aproximando da igreja…
Lavar a louça depois de uma reunião da igreja…
Ensinar uma aula bíblica pessoal para alguém que quer…
Topar ouvir os problemas dos irmãos sem julgá-lo…
Em casa, “eis aqui o teu servo” para abrir mão em favor da família, para “lavar os pé” da esposa e dos filhos.
Este ano o Senhor quer nos utilizar no seu reino. Haverá recompensa para o servo bom e fiel. Que esta promessa do Senhor nos anime:
“Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão.” – 1 Coríntios 15:58











