O fedor do Egoísmo

Costumava me considerar uma pessoa generosa, sempre disposta a ser hospitaleira, com energia para servir, uma visão aberta às necessidades alheias, etc. Não me achava parecida com aquele jovem rico (Mateus 19.21-22) que não estava disposto a vender tudo e seguir Jesus; eu até vivia uma vida abnegada – meu marido é evangelista! Deixamos o conforto de viver próximo de parentes e amigos, numa igreja madura e ministérios funcionando para começar um trabalho em outra cidade! Já pensou em estar num lugar onde não se tem nem parentes distantes? Não se encontra nenhum rosto familiar na multidão?
Pois bem, para os MEUS padrões, podia até ser generosa, mas não se trata de mim. Para os padrões de DEUS, o mau cheiro precisava me confrontar:
Morávamos em Campina Grande e, com bastante esforço e ajuda, conseguimos ter um Fiat Uno que não tinha ar condicionado, nem vidro elétrico, nem alarme, mas nos servia de maneira excelente para o trabalho e o dia-a-dia, de maneira que gostávamos muito do carrinho esforçado. Mas, poxa, era um simples Uno! Como alguém poderia ser possessivo com um desses?
Na cidade, havia um irmão na fé que estava mudando de trabalho – de funcionário num frigorífico, passava a ser comerciante de ovos de granja em sociedade com um parente. Rapidamente, as vendas subiram e o negócio demonstrava que daria certo, só dependia deles cumprirem os prazos de entrega. Até que um dia o carro de entregas (que era muito velho) quebrou e seria desesperador ver tanta mercadoria estragarem…
Pois bem, o Júnior emprestou nosso Uno para o empreendimento de ovos. E, o que seria por dois ou três dias, se transformou em mais de duas semanas! Já faz alguns anos e nem sei qual foi a minha reação exata – sei que torci a boca, murmurei, olhei torto para o meu marido, cada vez que andamos de ônibus com as crianças soltei frases de efeito (negativo, claro!), só não brigamos porque o Júnior nunca quer (rsrsrs).
E a revolta não acabou quando recebemos o Uno de volta. Para nossa surpresa, o carro voltou impregnado com o mau cheiro e sujeira de ovos: tinha ovos derramados por fora e por dentro do carro, de maneira que estava insuportável de usar. Foram meses e tivemos que arrancar todo revestimento interno do carro para lavar várias vezes – isso para tornar ‘suportável’ de aguentar o mau cheiro.
Toda vez que eu entrava no carro, o mau cheiro subia às minhas narinas trazendo à tona a violação dos meus direitos de esposa e dona do carro; o desrespeito por parte dos que usufruíram dos meus bens e não zelaram por ele. Minha vontade era que o Júnior tivesse aprendido a lição e deixasse de ser tão prestativo assim, afinal, respeitar a família está em primeiro lugar, não é?!
Enfim, argumentos me sobravam. Mas, aos poucos, aquele fedor de ovo passou a ser leve, comparado ao mau cheiro que exalava da minha possessividade e avareza. O egoísmo estava me cegando!

Não importa o quanto o “outro” não tem maturidade e sabedoria para usufruir da generosidade e amor, a “minha” reação é o que interessa para Deus. Veja Mateus 5. 38-42.
“Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha, vá com ele duas. Dê a quem lhe pede, e não volte as costas àquele que deseja pedir-lhe algo emprestado”. (Mateus 5:41-42 NVI)

Sabendo dessa verdade, senti meus direitos caírem por terra naquela situação. A natureza do EU é possessiva e MEU é seu pronome preferido. Ainda preciso ser confrontada diariamente, para não cair no engano de acreditar nos meus padrões de generosidade.
Palavras como Avareza, Possessividade, Ciúmes, Egoísmo geralmente não são ouvidas no púlpito. Nunca fui exortada pelos irmãos quando agi de forma egoísta ou avarenta… porque essas atitudes eu cuido em deixar trancadas no quarto mais escuro.
Mas, graças a Deus, que conhece o meu coração enganoso! As palavras de Jesus Cristo, o autor da maior obra de generosidade, me confrontam a examinar o meu coração para ajustar os meus padrões de ‘bondade e generosidade’ aos padrões dEle. JESUS É O PADRÃO DE BENEVOLÊNCIA!

Pois o amor de Cristo nos constrange…” (2 Coríntios 5:14 NVI)

Não se trata do que eu já ofertei. A vida cristã se trata do que JESUS já me deu gratuitamente, mesmo que eu nunca vá merecer. Senhor Jesus, me ajuda a lutar contra o meu Eu egoísta. Quero abdicar dos meus direitos para que a minha vida seja expressão do Teu Amor.