OBRIGAÇÃO OU GRATIDÃO

Obrigação Ou Gratidão

Essas duas palavras têm sentidos totalmente opostos, mas podem acabar “misturadas” quando deixamos de prestar atenção em algumas coisas que estamos fazendo.

Enquanto “obrigação” traz a ideia de fazer algo apenas por necessidade ou compromisso, “gratidão” expressa a ação feita com alegria, prazer e reconhecimento.

Entendemos bem essa ideia quando usamos como exemplo o nosso trabalho. Se você trabalha com aquilo que gosta, seu trabalho será feito de forma tranquila, com vontade e prazer pelo que está fazendo. E você se sente grato por realizar aquilo que ama. O tempo que passa nesse trabalho parece voar — nem percebemos que tantas horas já se passaram.

Mas, se você trabalha com algo que não gosta, isso se transforma em obrigação, em um peso, um fardo que traz tristeza e desgosto. Ao sair para trabalhar, você vai apenas por obrigação, porque precisa fazer algo que não gosta, mas está “obrigado”, pois precisa se sustentar. Nesse caso, o tempo parece não passar; cada minuto parece uma hora.

Traga essa ideia para dentro do serviço para Deus, como servo do Senhor. Nós fazemos as coisas para Deus por “obrigação” ou por “gratidão”?

Tenho certeza de que, num primeiro momento, responderemos sem vacilar que é por gratidão. E, claro, essa deveria sempre ser nossa resposta. Mas será que é sempre assim mesmo?

Primeiro, precisamos lembrar que quem primeiro fez as coisas por nós foi Deus. Romanos 5.8 diz: “Mas Deus prova o seu amor para conosco, pois Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores.”

Ou seja, Deus nos amava quando ainda éramos pecadores. Em 1 Pedro 1.18-20, aprendemos que fomos resgatados do pecado por Jesus Cristo ainda antes da fundação do mundo. Certamente, Deus nos ama não por obrigação, mas simplesmente porque nos ama.

Então, se Deus nos amou e decidiu enviar seu Filho, Jesus, para morrer por nós antes mesmo da fundação do mundo, nada mais lógico do que também o amarmos e demonstrarmos esse amor com nossa gratidão.

Por isso, devemos ofertar com alegria (2 Coríntios 9.7), fazer tudo para a glória de Deus (1 Coríntios 10.31) e oferecer o nosso corpo como sacrifício vivo (Romanos 12.1). Todas essas coisas devem ser feitas como formas de demonstrar gratidão a Deus por tudo o que Ele fez e faz.

Tenho quase certeza de que nenhum de nós faz, deliberadamente, as coisas para Deus por “obrigação”. Não pensamos: “Estou fazendo isso por Deus, mas não porque quero; vou fazer só por obrigação.”

Mas como saber se estamos sendo verdadeiramente gratos a Deus ou se estamos fazendo as coisas por obrigação? Existem algumas características que revelam isso. Basta examinarmos a nós mesmos.

Vou citar algumas, mas certamente há várias outras. Observe se você se enquadra em alguma delas. Se sim, ainda há tempo para se corrigir.

Geralmente, essas pessoas não se interessam pelos trabalhos que a igreja está desenvolvendo. Procuram sempre ficar distantes. Não querem saber o que a igreja tem feito, nem como podem ser úteis.

Não procuram crescer espiritualmente. Não dedicam tempo à leitura da Palavra, à oração ou ao devocional com a família. Sempre dizem que não têm tempo nas suas 24 horas do dia para “encaixar” Deus na rotina. Mas, para todas as outras coisas, sempre encontram tempo.

Não se colocam à disposição para ajudar no que é necessário. Sempre esperam que os outros assumam as responsabilidades. São sempre os últimos a levantar as mãos quando chamados.

Invariavelmente, são os últimos a chegar às reuniões da igreja — quando comparecem. Seja para os cultos, aulas durante a semana ou outras atividades, são sempre os primeiros a sair, e, muitas vezes, saem antes do término.

Essas características são típicas daqueles que, mesmo sem confessar e talvez nem se darem conta, demonstram fazer as coisas para Deus por obrigação. É como se estivessem em um “trabalho” que não gostam. Por isso, nem gostariam de estar ali. E, se estão, muitas vezes é só por obrigação — apenas para dizer que estiveram. É o mesmo que fazemos quando vamos a um trabalho que não gostamos, mas somos “obrigados” a ir, pois temos que prestar contas aos outros.

Espero que estejamos no exemplo daqueles que fazem as coisas para Deus por amor e gratidão, e não dos que fazem por obrigação. Será esse mesmo Deus que nos julgará no último dia, com base no que cada um de nós tiver feito.