LAURO DE FREITAS (BA) — A periferia de Lauro de Freitas, na região metropolitana de Salvador, tem se tornado o palco de um intenso movimento de renovação religiosa e comunitária. Liderada por membros da Igreja de Cristo, a missão evangelística que tem como epicentro o bairro de Itinga avança por regiões como Capelão, Vida Nova, Vila Praiana e, mais recentemente, Portão.
Em nova edição do Programa Comunhão, missionário Rui Silva detalha o trabalho de base em bairros periféricos, o papel vital do projeto Colheita Brasil e a transformação de vidas através do evangelismo porta a porta.
Os bastidores, os desafios e as estratégias dessa expansão foram detalhados na edição #392 do Programa Comunhão, apresentado por João Cruz, que recebeu como convidado o missionário Rui Silva. A conversa revelou não apenas a mecânica de plantação de novas igrejas, mas o rosto humano de uma fé que se fortalece na adversidade.
Do Trauma à Vocação: A Raiz da Missão
Toda grande mobilização começa com uma história individual. Rui Silva, hoje uma das vozes ativas na coordenação do apoio missionário, teve sua trajetória moldada por um evento drástico. Em entrevista, ele relatou que seu contato com o evangelho ocorreu por volta do ano 2000, na sequência de um grave acidente uma queda, um trauma e algum tempo em coma.
Foi no Jardim das Margaridas que sua caminhada ganhou forma. A congregação local e o impacto do curso “Deixe a Bíblia Falar” foram os catalisadores de uma vocação que, décadas depois, ajudaria a estruturar a expansão em toda a região de Lauro de Freitas.
A Tática da Porta em Porta
Para compreender como a Igreja de Cristo tem crescido em bairros marcados por desafios sociais, é preciso olhar para suas estratégias de campo. Segundo Rui Silva, o trabalho não se limita aos prédios. O evangelismo “casa em casa“, aliado à distribuição de folhetos e ao uso de carros de som, é a espinha dorsal da missão.
O tema norteador das pregações deste ano, “Jesus está voltando“, tem servido como um chamado urgente para a presença ativa nas comunidades. O objetivo é claro: estabelecer congregações locais que não apenas sobrevivam, mas cresçam de forma sustentável, tendo Itinga como a base logística e espiritual que coordena esse apoio.
O Motor Logístico: O Papel do Colheita Brasil
A reportagem apurou que um dos maiores gargalos para a expansão da igreja de Cristo na região e em áreas periféricas é a manutenção de obreiros que, muitas vezes, precisam dividir o tempo entre o trabalho secular e a missão. É aqui que o projeto Colheita Brasil entra como um agente estratégico de sustentação.
Durante o programa, Rui Silva fez questão de esclarecer um ponto fundamental sobre a ética e a estrutura do projeto: o Colheita Brasil não atua como uma agência que “envia” missionários de cima para baixo. Ele funciona como um braço de suporte para o sustento missionário e logístico para iniciativas que já nasceram do compromisso de igrejas maduras, como a de Itinga. Colheita Brasil não recruta, treina ou envia missionários. O ministério incentiva que todos os irmãos da igreja de Cristo no Brasil ofertem para que missões como acontecem na Bahia, tanto em Itinga quanto com o trabalho do irmão Idalício Pereira, continuem acontecendo e proliferando por outros Estados e outras cidades espalhados pelo Brasil.
Esse modelo de parceria permite que obreiros locais, como o missionário Salatiel e sua família, possam se dedicar integralmente à obra em novas frentes, como Capelão e Portão. “O apoio traz a flexibilidade necessária para focar no evangelismo e no treinamento de novos líderes locais“, explicou Rui, combatendo a escassez de mão de obra e garantindo que a falta de recursos básicos não interrompa o trabalho.
O Futuro da Comunhão e Ferramentas Digitais
Olhando para o horizonte, a liderança já traça o calendário para o segundo semestre de 2026. A agenda prevê o fortalecimento dos laços comunitários através de grandes eventos, incluindo o Enormes (encontro de homens), a Conferência Feminina e o Retiro Nacional de Jovens, marcado para dezembro.
Enquanto os carros de som percorrem as ruas do bairro do Portão e os estudos bíblicos acontecem nas salas de casa em Itinga, a mensagem de Rui Silva e João ecoa como um lembrete de que, nas periferias da Bahia, a fé não é apenas uma crença, mas uma força motriz de transformação social.
O apelo de Rui Silva para que os irmãos ofertem ao Colheita Brasil baseia-se na importância fundamental da expansão da pregação do evangelho e na necessidade de sustento para missionários e congregações.
Os principais pontos do apelo são:
Necessidade de Apoio Prático: Ele destaca que, embora a oração seja essencial, o trabalho missionário também depende de **recursos financeiros para manter obreiros, arcar com despesas de transporte e estruturar novas congregações em locais que ainda precisam ser alcançados.
Solidariedade no Reino: Rui enfatiza que todos podem participar do processo, seja através de orações, tempo ou contribuições financeiras. Ele argumenta que o Colheita Brasil é um meio eficaz de fazer com que o apoio dos irmãos chegue onde é necessário para que a obra não pare por falta de sustento.
Crescimento como Modelo: Ele utiliza o exemplo das congregações em Lauro de Freitas como um modelo de perseverança e expansão que pode inspirar outras regiões do Brasil a fazerem o mesmo, reforçando que o investimento na obra de Deus gera frutos transformadores na vida das pessoas.
Chamado à Unidade: Rui conclui pedindo que os irmãos sejam generosos e fiéis, colaborando para que o trabalho de plantação de igrejas continue avançando, não apenas na Bahia, mas em outras partes do país.











