“Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma delas, não acende a lamparina, varre a casa e a procura com muito empenho até encontrá-la? E, quando a encontra, reúne as amigas e vizinhas, dizendo: ‘Alegrem-se comigo, porque achei a dracma que eu tinha perdido.’” (Lucas 15:8-9)
Hoje, vou comentar um pouco sobre a segunda parábola dos perdidos: a moeda perdida. Essa história tem algumas características próprias. O que Jesus deseja nos comunicar com ela?
Em primeiro lugar, na narrativa, parece que a moeda se perde por certa negligência ou esquecimento por parte de sua dona. Outro dado importante é que todos os personagens são mulheres, tanto a proprietária da moeda quanto as amigas e vizinhas chamadas para a comemoração.
Na época de Jesus, era fácil perder algo dentro de casa (se bem que hoje também acontece, embora em menor escala). O chão das casas mais pobres costumava ser de terra batida, ficando, portanto, cheio de poeira e terra. Além disso, nos atuais sítios arqueológicos, muitas moedas antigas são encontradas em fissuras no piso.
Dessa forma, compreendemos que, nas casas da época, era muito fácil perder uma moeda e muito difícil encontrá-la! Por isso, mesmo durante o dia, a mulher precisava utilizar uma candeia para iluminar a casa.
Aplicando à igreja de hoje, às vezes perdemos pessoas por negligência do corpo como um todo. São indivíduos que não conseguem se encaixar no modelo tradicional de famílias (formadas por pai, mãe e filhos) muitas vezes presente na comunidade. Assim, quando temos viúvos, divorciados ou pessoas que decidiram não se casar, elas podem acabar se sentindo excluídas do grupo.
A questão também tem a ver com a personalidade. Às vezes, a pessoa não tem tanta facilidade para criar relacionamentos, fica isolada e deixa o corpo de Cristo. Isso acontece com regularidade. Dessa forma, não foi o descuido da própria pessoa que a fez se perder, como no caso da ovelha perdida, nem a rebeldia ou ingratidão, como no caso do filho pródigo, mas, talvez, certa negligência do grupo.
O fato de a figura principal ser representada por uma mulher não pode ser menosprezado. Primeiro, essa história é contada somente no Evangelho de Lucas, conhecido como o evangelho dos excluídos, no qual os samaritanos, por exemplo, são os heróis da narrativa (10:25-37 e 17:15-16).
Na época de Jesus, as mulheres eram bastante marginalizadas, e nesta história elas são as personagens centrais. Além disso, o fato de ser uma mulher pode representar a própria igreja.
No corpo de Cristo, há irmãos que são frequentes na reunião principal de domingo, mas não criam laços. São os últimos a chegar e os primeiros a sair. São tão discretos que, de repente, podem não estar mais no meio do corpo.
Por isso, a igreja precisa ter sempre um olhar para todos. Precisamos, em nossos encontros, às vezes deixar um pouco os mais chegados para conversar e ter tempo com os mais distantes, especialmente com quem está sozinho, como uma pessoa viúva. Devemos fazer uma visita, convidá-la para nos visitar ou mesmo incluí-la em algo feito para o nosso grupo, evitando as chamadas “panelinhas”.
Finalmente, precisamos ter a diligência daquela mulher. Vejamos os verbos: acende a lamparina, varre a casa e procura com muito empenho até encontrá-la. Sim, no Reino de Deus todos são muito importantes e, desta forma, devem ser tratados pelos demais.
Como nas outras histórias, há festa quando a moeda perdida é encontrada:
“E, quando a encontra, reúne as amigas e vizinhas, dizendo: ‘Alegrem-se comigo, porque achei a dracma que eu tinha perdido.’”
Que tenhamos esse mesmo coração em nossas comunidades de Cristo. Um olhar atento a todos, mesmo aqueles que talvez tenham uma personalidade mais reservada ou ainda não tenham se encontrado dentro do grupo, para que não os percamos. E, se os perdermos, utilizemos dessa mesma diligência para irmos buscá-los.











