“Aconteceu que, ao dizer Jesus estas palavras, uma mulher, que estava no meio da multidão, disse a ele, erguendo a voz: ‘Bem-aventurado o ventre que concebeu você e os seios que o amamentaram!’ Jesus, porém, respondeu: ‘Pelo contrário! Mais bem-aventurados são os que ouvem a palavra de Deus e a guardam!'” — Lucas 11:27-28.
Se esta afirmação de Jesus fosse obedecida e levada a sério, quanto erro doutrinário teria sido evitado!
Já escrevi neste espaço sobre o importante papel bíblico de Maria, mãe de Jesus. E se esta afirmação de Jesus fosse levada a sério, ela não teria títulos como “mãe de Deus”, “intercessora”, “imaculada conceição”; doutrinas como a assunção de Maria não seriam acreditadas por tantas pessoas. Templos e santuários não teriam sido erguidos em sua homenagem. Tudo isso aconteceu — e erros assim acontecem — quando a Bíblia, a Palavra de Deus, deixa de ocupar a autoridade no ensino. E erros assim acontecem aos montes em todas as religiões que se deixam influenciar pela interpretação humana da Bíblia ou por acréscimos além dos 66 livros autorizados por Deus.
A mulher que fez a exclamação tinha boa intenção. E a resposta de Jesus, corrigindo-a, mostra que não basta ter boa intenção quando um ensino errado está em jogo. Por saber que o papel de sua mãe seria exagerado, por ter sido o ser humano mais próximo d’Ele, Jesus, o Filho de Deus, corrige aquela exclamação tão bem-intencionada, porém desprovida da verdade que Ele queria que as gerações futuras soubessem.
Mais bem-aventurados — ou muito mais felizes — seriam os que ouvissem a Palavra de Deus e a obedecessem, até mesmo mais felizes do que quem fizesse algum ato importante no plano redentor de Deus. E Maria teve um papel importante.
Porém, não será isso que fará com que encontremos Maria nas regiões celestiais. Na Bíblia há pessoas que fizeram boas coisas para Deus, porém não permaneceram fiéis até o fim. Demas, um companheiro de Paulo, é um deles.
“Lucas, o médico amado, e também Demas mandam saudações.” — Colossenses 4:14.
“Porque Demas, tendo amado o presente século, me abandonou e foi para Tessalônica.” — 2 Timóteo 4:10a.
Menos de cinco anos se passaram entre o escrito da carta de Paulo aos colossenses e a carta a Timóteo. Demas, de cooperador de Paulo, parece ter apostatado, abandonado a fé e amado mais o mundo do que a Deus, abandonando Paulo e o evangelho.
Isso não ocorreu com Maria. Anos se passaram entre a exclamação da mulher e os acontecimentos a seguir relatados:
“E junto à cruz estavam a mãe de Jesus, a irmã dela, Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena.” — João 19:25.
“Todos estes perseveravam unânimes em oração, com as mulheres, com Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos d’Ele.” — Atos 1:14.
Ao contrário de Demas, Maria permaneceu fiel a Deus. Estava junto à cruz do seu filho logo após a morte d’Ele e, junto com outros discípulos de Jesus, aguardava a inauguração do reino de Deus.
Depois disso, Maria some das páginas do Novo Testamento. E tudo o que se fala dela posteriormente são especulações extrabíblicas. Mas, um dia, na volta do Senhor Jesus, ela estará junto com todos os fiéis discípulos de Jesus, nas regiões celestiais, onde passaremos a eternidade junto com o Senhor Jesus, Deus Pai e toda a corte celestial.
Maria estará no céu, não porque foi a mãe física de Jesus — um grande feito —, mas porque permaneceu ouvindo e guardando a Palavra de Deus. Nós também, discípulos de Cristo, estaremos lá, não por algo que fizemos na história da igreja, por maior que seja, mas se permanecermos fiéis, ouvindo e guardando a Palavra de Deus até o fim.
Tenhamos Maria nesse sentido como um grande exemplo. Pena que Demas não. A mãe de Jesus é um exemplo a ser imitado e seguido, mas jamais venerado e muito menos adorado.











