Preocuparmo-Nos Com O Que Não Temos Controle?



“Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida? Portanto, se não podem fazer nada quanto às coisas mínimas, por que se preocupam com as outras?” — Lucas 12:25-26.

Continuemos a reflexão sobre as preocupações e ansiedades da vida. No primeiro versículo, na tradução que eu utilizo, consta: “acrescentar um côvado ao curso da vida”. O côvado era uma medida de comprimento, e por isso os comentaristas têm certa dificuldade em entender o que Jesus estaria querendo dizer.

Porém, ao olharmos outras traduções, lemos:

“Qual de vocês, por mais que se preocupe, pode adicionar uma hora à vida?” (VFL)
“Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida?” (NVI)
“Qual de vocês pode encompridar a sua vida, por mais que se preocupe com isso?” (NTLH)

Chamou-me, contudo, a atenção a tradução da Bíblia de Jerusalém:
“Quem dentre vós, com as suas preocupações, pode prolongar por um pouco a duração de sua vida?”

Portanto, por mais que nos preocupemos com o amanhã e com os desafios do hoje, essas preocupações não farão com que vivamos mais tempo. Aliás, o Senhor Deus, nosso Pai, sabe exatamente o dia em que iremos morrer.

E mais: para quem acredita numa vida muito melhor após esta aqui na terra, a morte, até certo ponto, é uma aspiração, pois após ela será somente alegria com Deus.

“Entretanto, se eu continuar vivendo, poderei ainda fazer algum trabalho frutífero. Assim, não sei o que devo escolher. Estou cercado pelos dois lados, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor.” — Filipenses 1:22-23.

A realidade é que temos controle sobre muito pouco aqui na terra. Não temos controle sobre a vida dos outros, nem mesmo dos nossos filhos. E a verdade é que a maioria das nossas preocupações é sobre coisas que não estão sob nosso controle.

Neste exato momento, tenho uma preocupação na minha mente. Porém, meu controle sobre o desenrolar dela é praticamente zero. O que posso fazer? Tirar essa preocupação do meu pensamento e orar a Deus para que “o melhor dele” nessa situação específica aconteça.

Claro que há situações na terra em que podemos ter algum controle. Deixe-me dar alguns exemplos: tenho algum controle para manter o meu emprego. Qual controle? Chegar no horário, respeitar meus superiores, dedicar-me às tarefas delegadas… É um controle absoluto? Não. Mas, se faço o contrário, a porta do RH estará mais próxima.

Tenho controle para manter meu casamento sadio. Como? Cumprindo o meu papel de marido, respeitando e amando minha esposa, sendo fiel a ela, entre outras atitudes. Isso é certeza de 100% para a manutenção do casamento? Não. Mas, nesse caso, posso fazer algumas coisas para mantê-lo.

Por outro lado: alguém que eu amo está tomando decisões erradas — como, por exemplo, atitudes que podem levar ao divórcio ou à perda do emprego, utilizando os exemplos citados. Tenho controle sobre isso? Muito pouco. Se eu tiver acesso a essa pessoa (acreditem: às vezes as pessoas não permitem nosso acesso a elas, nem mesmo para um conselho, mesmo quando queremos ajudar)… Mas imaginemos que a pessoa me dê algum acesso. Posso aconselhar, posso ouvir; porém, as decisões que mudarão o rumo daquela pessoa somente ela poderá tomar.

Adianta eu ficar preocupado, sofrendo — muitas vezes por alguém que não quer tomar as decisões corretas? Não adianta. O que posso fazer além disso? Orar pela pessoa, entregá-la nas mãos de Deus e procurar descansar no Senhor.

Sabe de uma coisa? Descobri que a maioria dos nossos medos e preocupações — a ansiedade que nos perturba quase que diariamente — dificilmente acontecerá. E outras, queiramos ou não, podem acontecer, e na maioria delas não dependem de nós. Adianta sofrer antes, durante e depois?

Por isso, essas palavras de Jesus de hoje são muito sábias. Até porque, às vezes, nos preocupamos com situações sobre as quais temos 0% de controle e ficamos gastando energia nelas. Adianta? Vai nos dar mais um côvado de vida? Pelo contrário: poderá fazer-nos ficar doentes e abreviar nosso tempo aqui na terra.

Portanto, tomemos as decisões corretas naquilo que temos algum controle, e nas demais descansemos nos braços do nosso amado Pai celestial. É isto que se chama reino — ou governo — de Deus sobre as nossas vidas.