Aleluia!

Glória Aleluia!

Aleluia é uma das palavras mais poderosas e reconhecíveis da tradição judaico-cristã: um grito de júbilo que atravessa milênios. Mais do que uma expressão de contentamento, sua origem revela uma convocação direta e apaixonada para adorar o Criador, e sua etimologia carrega um significado profundo e teológico.

A palavra tem sua origem no **hebraico**, sendo uma transliteração da expressão הַלְלוּ־יָהּ (halelu-yah). Ela é formada pela junção de dois elementos:

1. “Hallelu” (הַלְּלוּ) — a forma plural do imperativo do verbo hebraico halal (הָלַל), que significa “louvar“, “elogiar“, “celebrar” ou “sentir orgulho de“. No contexto, funciona como uma ordem ou convite direcionado a um grupo: “Louvai!” ou “Adorai!”.

2. “Yah” (יָהּ) — uma forma abreviada e poética do nome pessoal de Deus, Yahweh (apesar desta palavra ser traduzida por Jeová é uma palavra que representava o nome de Deus e era impronunciável ou nem deveria ser pronunciada). O uso da forma resumida era comum em expressões de louvor e exaltação.

Portanto, a tradução literal e mais precisa de “aleluia” é “Louvai a Yah” ou “Louvai a Yahweh“. Em muitas traduções da Bíblia, o termo é vertido como “Louvai ao Senhor“.

A palavra atravessou os séculos, sendo adotada pelo grego (ἁλληλουϊά) e, posteriormente, pelo latim (halleluia), de onde chegou ao português. É encontrada principalmente no Antigo Testamento, nos Salmos, onde introduz ou conclui diversos cânticos, e no Novo Testamento, no livro do Apocalipse, como um hino de louvor celestial.

Nós, que dizemos conhecer a Deus, deveríamos sempre responder esta palavra com “Amém!“.

Recentemente, recebemos a visita de uma mulher que, respondendo a um convite e movida por uma profunda necessidade espiritual, expressou sua fé de uma maneira muito particular. Durante a oração, ela não permaneceu em silêncio; orava de forma audível, dizendo “Glória” e “Aleluia“, ecoando expressões de júbilo. Sua manifestação era espontânea, genuína e palpável. Ela não parecia se importar com os olhares ao redor; sua conexão com Deus transbordava daquela forma.

Ao observá-la, meu coração se encheu de compaixão. Percebi que ela estava expressando a cultura religiosa que conhecia, o linguajar de adoração que sempre praticou. E me perguntei: como devemos, como Igreja de Cristo, lidar com aqueles que chegam até nós com bagagens tão diferentes das nossas?

É natural que alguns irmãos tenham achado aquela atitude estranha ou fora do nosso padrão. E não há maldade nisso. A nossa tradição, o Movimento da Restauração da igreja que Jesus edificou, sempre nos ensinou a buscar o padrão do Novo Testamento para o culto, prezando pela reverência, pela ordem e pela edificação consciente do corpo (1 Co 14:40). O que houve foi um choque de culturas: a diferença entre uma tradição que expressa a fé através do júbilo audível e a nossa tradição que busca a solenidade e a ordem na presença do Deus Santo.

No entanto, o exemplo do apóstolo Paulo nos ensina a sermos sábios. Em Atenas (Atos 17), Paulo não ignorou a religiosidade dos gregos, nem tampouco a validou como verdade absoluta. Ele observou, compreendeu o coração deles e usou aquilo como uma ponte para anunciar a Verdade de Cristo. Da mesma forma, o papel da igreja não é julgar o visitante com dureza, nem apenas validar o seu erro por “sinceridade“. O nosso papel é acolher o coração que busca, mas com amor, ensinar a Verdade que liberta. A adoração precisa ser em Espírito, mas também em Verdade (João 4:24).

No final do culto, fui cumprimentá-la e expressei sinceramente a nossa alegria por sua presença. Ela não voltou no domingo seguinte, mas isso nos deixa uma lição preciosa: a igreja deve ser um hospital para almas cansadas, um lugar onde o amor de Cristo seja o primeiro contato que elas tenham. Se uma pessoa está buscando a Deus, nós devemos ser a ponte que a leva a Ele, e não um muro de estranhamento.

Mas isso também me faz refletir sobre um fenômeno que vejo ocorrer em nossas congregações. Muitas pessoas chegam até a Igreja de Cristo vindas de denominações. Elas chegam com muito “fervor religioso“, com emoções à flor da pele, mas carentes do leite puro da Palavra. Ao longo dos anos, ao serem discipuladas no nosso meio, percebo que elas muitas vezes perdem aquele “fervor” emocional, tornam-se mais quietas, mais reflexivas.

Alguns poderiam pensar que estamos “esfriando” essas pessoas. Mas eu gosto de pensar que não. Estamos, na verdade, tirando-as da superfície do emocionalismo e enraizando-as na rocha que é a Palavra de Deus. Estamos transformando a religião em relacionamento; o ritual em obediência; a emoção passageira em uma fé inabalável baseada na Verdade.

Cabe aqui uma reflexão que todos nós devemos fazer: Estamos fazendo com que as pessoas que chegam com bagagem e religiosidade se pareçam mais conosco ou elas estão parecendo com Cristo? Eu realmente acredito que a igreja de Cristo, de um modo geral, recebem bem e com muito amor as pessoas. Será que elas veem em nós os verdadeiros discípulos? O amor é a resposta para isso. Quando elas nos olham, elas conseguem ver que, primeiro, nós nos amamos como Cristo nos amou e, consequentemente, elas se sentem amadas da mesma forma? Esta é a única prova que temos de que somos ‘a igreja’ que Jesus edificou (João 13:34, 35). Esta tem que ser a primeira impressão de uma pessoa que nos visita e pode até ser a única.

As pessoas tem que ver o amor em nós. Primeiro o amor por Deus: de todo coração, força, alma e mente. Depois, e nunca separado ou diferente, o amor pelas pessoas. Só assim nunca vamos precisar defender de nenhuma forma que somos a igreja que Jesus edificou. Serão os nossos visitantes que dirão isso. A melhor propaganda são as pessoas que nos visitam.

Será que as pessoas se sentem confortáveis em falar “amém” e “aleluia” na igreja ou se sentem constrangidas? Este é o lugar ideal para falar estas palavras de todo o coração.

Que possamos sempre ter os braços abertos para receber quem quer que seja, mas que tenhamos também a coragem e o amor de ensinar a todos o verdadeiro e belo padrão de adoração ao nosso Deus.